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Ricardo Gozzi

É jornalista e escritor. Passou quase 20 anos na editoria internacional da Agência Estado antes de se aventurar por outras paragens. Escreveu junto com Sócrates o livro 'Democracia Corintiana: a utopia em jogo'. Também é coautor da biografia de Kid Vinil.

VOCÊ NÃO VÊ A TORRE

Como a Tupy (TUPY3) aposta na ‘descarbonização’ comprando uma fabricante de motores… a diesel; ação dispara na B3

Em negócio de R$ 865 milhões, Tupy fecha acordo com a Navistar para a compra da MWM do Brasil; transação ainda precisa ser aprovada pelos acionistas e pelo Cade

Ricardo Gozzi
18 de abril de 2022
10:12 - atualizado às 17:36
Tupy (TUPY3)
Tupy anuncia acordo para compra da MWM do Brasil. - Imagem: Divulgação

A descarbonização é um dos termos da moda no setor corporativo. Diante das ameaças geradas pelas mudanças climáticas ao redor do mundo, a busca por alternativas sustentáveis aos combustíveis fósseis como fonte de energia mobiliza cada vez mais pessoas e empresas. Por que então a Tupy (TUPY3) pretende desembolsar R$ 865 milhões pela MWM, referência na fabricação de motores a óleo diesel?

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O anúncio do negócio foi feito pela multinacional brasileira de metalurgia na manhã de hoje. Subsidiária da Navistar, a MWM do Brasil alcançou R$ 2,7 bilhões em receita líquida operacional em 2021. E, segundo a Tupy, a aquisição se insere não apenas em sua estratégia de crescimento, mas também na promoção de soluções viáveis para a descarbonização.

Mas se descarbonização significa a busca primeiramente pela redução e posteriormente pela eliminação das emissões de gás carbônico, como a aquisição de uma empresa especializada na montagem de motores movidos a óleo diesel se insere nessa estratégia?

Tupy vê ‘proposta única de valor’

A MWM do Brasil é considerada referência na fabricação de motores movidos a diesel. Tem entre seus clientes montadores de caminhões, ônibus e máquinas líderes em seus segmentos no Brasil, na Europa e na América do Norte.

Mas o interesse da Tupy na MWM vai além dos motores a diesel.

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Segundo a multinacional brasileira com sede em Joinville (SC), a combinação de negócios com a MWM proporcionará “uma proposta única de valor composta pela integração das atividades de fundição, usinagem, montagem, calibração, validação técnica e serviços de engenharia”.

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A conversão de motores e o possível pulo do gato

Além disso, a Tupy considera que o conhecimento técnico e a estrutura da MWM atendem às necessidade de seus atuais clientes no que se refere à conversão de motores de veículos pesados, máquinas e geradores.

Afinal, uma das especialidades da MWM é converter motores para gás natural, biodiesel, biogás e biometano.

Neste aspecto, o biodiesel, o biogás e o biometano são vistos como os principais caminhos para a descarbonização do agronegócio brasileiro.

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Os componentes são usados na produção de eletricidade em propriedades rurais. Além disso, eles têm uso em frotas de caminhões, ônibus e tratores.

TUPY3 dispara na B3

De acordo com o fato relevante publicado hoje, a Tupy desembolsará os R$ 865 milhões pela MWM depois da conclusão do negócio. A transação ainda precisa ser aprovada pelos acionistas e pelo Cade, ao qual é atribuída a missão de zelar pela livre concorrência no Brasil.

Em reação, as ações TUPY3 encerraram o dia com alta de 8,47%, cotadas a R$ 18,18.

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