Suzano figura entre as maiores baixas do Ibovespa após queda no lucro, mas BofA aposta em alta de 53% para SUZB3
O apetite pelos papéis também é reduzido pela queda vertiginosa do dólar nos últimos dias, o que pode diminuir os ganhos com exportações

O dia seguinte à divulgação de um balanço trimestral pode trazer alegrias ou tristezas às empresas - o resultado depende de como os números serão recebidos pelos investidores. O caso da Suzano (SUZB3) parece ser o segundo.
As ações da maior produtora mundial de celulose de eucalipto, que divulgou os resultados do quarto trimestre na noite de ontem, recuaram 4,01%, a R$ 58,17, no início da tarde desta quinta-feira (10), reduzindo as perdas ao longo da sessão. Os papéis fecharam o dia em queda de 3,70%, a R$ 58,36.
O apetite pelos papéis também foi reduzido pela queda vertiginosa do dólar nos últimos dias, o que pode diminuir os ganhos com exportações. Mais de 90% da receita da Suzano é atrelada à moeda norte-americana.
A produtora de papel e celulose tem uma situação peculiar, já que, embora o dólar alto seja positivo para a receita, o efeito cambial no balanço da companhia é o oposto. Isso porque a maior parte da dívida também está em moeda estrangeira.
Celulose em alta, lucro em baixa
Com o peso do dólar alto no quarto trimestre sobre a dívida, o lucro líquido da Suzano foi de R$ 2,3 bilhões nos últimos três meses de 2021. O número reverte o prejuízo de R$ 959 milhões apurado no trimestre anterior, mas é 61% menor do que o registrado no mesmo período de 2020.
Como o lucro acaba sendo muito afetado pela variação do dólar na dívida — embora não tenha efeito no caixa — a maioria dos analistas prefere observar os resultados da Suzano pelo Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, da sigla em inglês).
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O Ebitda ajustado avançou 60% em relação ao quarto trimestre de 2020, para R$ 6,3 bilhões. No acumulado anual, que chegou a R$ 23,5 bilhões, a alta foi de 57%.
Vale destacar que a empresa vem atuando para reduzir o peso do endividamento, que encerrou o ano em 2,4 vezes o Ebitda, menor nível desde a compra da Fibria, fechada em 2019.
[captacao]
Entre os principais produtos da companhia, as vendas de celulose foram de 2,7 milhões de toneladas nos três últimos meses do ano, leve alta de 2% em relação ao 4T20 e acima das expectativas dos analistas do Bank of America.
Já a comercialização de 371 mil toneladas de papel no mesmo período - 5% a mais na comparação anual -, veio abaixo das projeções do banco de investimentos.
“Os volumes e os preços realizados decepcionaram, o que levou a uma receita do negócio de papel 4% abaixo dos nossos números”, escrevem os analistas.
BofA recomenda compra
Ainda assim, o Bank of America vê um valuation atrativo na ação e mantém a recomendação de compra para SUZB3. O banco espera que o preço médio da celulose, que subiu 33% no último ano, continue avançando na China durante as próximas semanas e beneficie a empresa.
“Embora vejamos a oferta de entrada pressionando os preços gradualmente, o estoque já está cotado em uma correção ao suporte da curva de custo, o que oferece uma importante almofada de segurança” destacam os analistas.
O preço-alvo do BofA para as ações da Suzano é de R$ 89,00, com potencial de alta de 53% em relação à cotação atual dos papéis da Suzano na B3.
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