Bradesco (BBDC4) registra lucro acima das expectativas no 1T22 e revisa estimativas do ano para cima
Balanço do Bradesco no primeiro trimestre de 2022 mostrou também piora da inadimplência, conforme esperado

Segundo banco a publicar balanço do primeiro trimestre de 2022, o Bradesco (BBDC4) registrou lucro líquido de R$ 6,821 bilhões entre janeiro e março deste ano. O número é maior do que o projetado no consenso da Bloomberg, que previa lucro de R$ 6,671 bilhões.
Em relação ao mesmo período de 2021, o lucro representa alta de 4,7%. Já na comparação trimestre a trimestre, houve alta de 3,1%.
O banco preferido dos analistas, cuja ação tinha 17 recomendações de compra e apenas duas de manutenção até a publicação do balanço, viu os índices de retorno sobre o patrimônio (ROAE, na sigla em inglês) caírem para 18,0% no primeiro trimestre, de 18,7% no mesmo período de 2021.
Apesar do recuo na comparação anual, o indicador ficou acima do registrado no quarto trimestre, quando o banco obteve um ROAE de 17,5%.
"Estamos satisfeitos com as entregas deste primeiro trimestre. O mundo é outro, está em transformação, e, nesse contexto, são intensas as mudanças globais na política monetária, no câmbio e na inflação. Isso gera volatilidade. Nossa decisão é focar na escala, no investimento em tecnologia, inovação e rigoroso controle dos orçamentos”, afirma, em nota, o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari.
Inadimplência cresce
O índice de inadimplência teve crescimento significativo de um trimestre para o outro, com as dívidas vencidas há mais de 90 dias chegando a 3,2% da carteira de crédito. No quarto trimestre, o índice estava em 2,8% e no mesmo período do ano passado em 2,5%.
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A inadimplência acima de 60 dias também subiu, chegando a 4%, de 3,4% no quarto trimestre e de 3,3% no primeiro trimestre de 2021.
De acordo com o Bradesco, a alta da inadimplência era esperada devido ao fato de o banco estar retornando gradativamente às práticas de renegociação do período pré-pandemia.
“No entanto, [a inadimplência] ainda se mantém em patamares bastante inferiores ao período pré-pandemia, dada a mudança no perfil de atuação, com maior origem em carteira ativa e atrasos mais curtos”, disse o banco em comunicado.
A carteira de crédito do Bradesco atingiu R$ 834,4 bilhões no primeiro trimestre, o que representa um crescimento de 2,7% no trimestre e de 18,3% em 12 meses.
Outro destaque do balanço foi a margem financeira, que inclui as receitas do banco com a concessão de crédito e as operações da tesouraria. O número avançou 9,5% em relação ao primeiro trimestre do ano passado, para R$ 17,061 bilhões.
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Rendas de cartão têm aumento expressivo
A receita com prestação de serviços e tarifas do Bradesco apresentou alta de 6,7% no primeiro trimestre deste ano, para R$ 8,611 bilhões, na comparação com o mesmo período de 2021.
Se, por um lado, as receitas com cobranças e arrecadações e assessoria financeira tiveram queda de 6,5% e 7,5%, respectivamente, o avanço de 19% das rendas de cartão mais que compensou.
De acordo com o Bradesco, o aumento das emissões de cartões por meio dos canais digitais fortaleceu a base de contas ativas, além do crescimento do gasto médio.
Os ganhos com a manutenção de conta corrente subiram 0,3% na mesma base de comparação. O banco alcançou a marca de 37 milhões de clientes correntistas no primeiro trimestre.
Despesas ficam dentro do guidance
As despesas operacionais ficaram dentro das estimativas (guidance) do Bradesco, apresentando alta de 4,4% em relação ao primeiro trimestre de 2021 e queda de 9,1% comparado ao período imediatamente anterior.
Esmiuçando as despesas, encontramos aumento de 8,5% nas despesas com pessoal, motivada pelo acordo coletivo que reajustou os salários em 10,97% a partir de setembro de 2021.
Nas despesas administrativas, vale notar o aumento de 50% dos gastos com propaganda e publicidade de um ano para o outro, chegando a R$ 360 milhões. O valor, no entanto, é quase a metade da quantia gasta no quarto trimestre de 2021.
Bradesco revisa guidance para 2022
Os analistas do UBS BB bem que alertaram que o Bradesco tinha calculado um guidance muito conservador para 2022. Com os resultados do primeiro trimestre em mãos, o banco decidiu revisar suas estimativas para a maior parte das métricas neste ano. Veja como ficou:
| GUIDANCE 2022 | Divulgado | Realizado 1T22 | Revisão |
| Carteira de crédito expandida | 10% a 14% | 18,3% | Mantido |
| Margem com clientes | 8% a 12% | 19,6% | 18% a 22% |
| Receitas de Prestação de Serviços | 2% a 6% | 6,7% | 4% a 8% |
| Despesas operacionais | 3% a 7% | 4,4% | 1% a 5% |
| Resultado das operações de seguros, Previdência e Capitalização | 18% a 23% | 4,7% | Mantido |
| PDD Expandida - R$ bilhões | R$ 15 a R$ 19 | R$ 4,8 | R$ 17 a R$ 21 |
TESOURA AFIADA
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