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Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

SOB NOVA DIREÇÃO

E agora, Eletrobras? Dois bancos refizeram as projeções para as ações após a privatização. Saiba se é hora de comprar ou vender ELET3

Ações da Eletrobras (ELET3) têm potencial de alta de mais de 40% nas contas de J.P. Morgan e BTG Pactual; saiba as razões do otimismo dos analistas

Carolina Gama
11 de julho de 2022
14:28 - atualizado às 15:29
Logo da Eletrobras (ELET3) elet6
Logo da Eletrobras - Imagem: Reprodução

Passado todo o barulho em torno da privatização da Eletrobras (ELET3), o que esperar das ações da agora ex-estatal na bolsa? 

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Foram 25 anos até que a companhia passasse para as mãos da iniciativa privada por meio de uma oferta de ações que levantou R$ 33,7 bilhões, diluindo a participação votante do governo de 69% para 40%.

Após esse processo, os bancos BTG Pactual e JP Morgan decidiram refazer as projeções para os papéis da Eletrobras, e seguem bastante otimistas quanto às perspectivas para a companhia.

Motivos para isso não faltam: avaliação atraente, liquidez das ações e melhoras em ESG (sigla em inglês para boas práticas na áreas Ambiental, Social e Governança Corporativa).

É bem verdade que os papéis ainda não brilharam desde a privatização. Por volta de 13h50, as ações ELET3 operavam em queda de 3,69%, cotadas a R$ 42,33, praticamente no mesmo patamar do preço da oferta de ações realizada em junho.

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Então o que o JP Morgan viu na Eletrobras (ELET3)?

O banco norte-americano, que tem recomendação de compra para a Eletrobras, elevou preço-alvo dos papéis ELET3 de R$ 53 para R$ 64 para dezembro de 2023 — o que representa um potencial de valorização de 46% em relação ao fechamento de sexta-feira (08). 

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Nos próximos dois meses, o JP Morgan acredita que o principal impulsionador da ação será a definição da nova diretoria e equipe de gestão e o que isso significará para governança e estratégia. 

Para os próximos 12 meses, o banco definiu sete impulsionadores e fontes de valorização para a Eletrobras: 

  • Potencial migração para o Novo Mercado; 
  • Estratégia corporativa, alocação de capital e política de dividendos; 
  • Novas demonstrações financeiras, sinalizando o impacto da privatização no balanço patrimonial e nos resultados; 
  • Gestão de passivos, incluindo renegociação de provisões de empréstimos compulsórios; 
  • Reprecificação da energia não contratada; 
  • Redução de custos; 
  • Eleições e condições de mercado. 

Eletrobras (ELET3): uma empresa que tem tudo

Essa é a definição do JP Morgan para a Eletrobras (ELET3): uma empresa que tem tudo — avaliação atrativa, gatilhos positivos, liquidez das ações e boas pontuações de ESG. 

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  • Avaliação atrativa: A Eletrobras oferece uma taxa interna de retorno (TIR) implícita de 12% versus a média do setor de 10%. A ação está sendo negociada a 6,7x/5,3x valor da firma/ebitda (EV/Ebitda) e 9,7x/7,3x preço/lucro (P/E) em 2023-2024 contra a média do setor de 16,6x/12,4x. Esses são alguns dos múltiplos de avaliação mais atraentes na cobertura do JP Morgan no Brasil, mas o banco observa que a reclassificação total pode se materializar ao longo de vários trimestres, à medida que a empresa atende às expectativas de privatização.
  • Gatilhos: A Eletrobras é uma história com um conjunto de gatilhos  — principalmente positivos — para os próximos trimestres e anos, incluindo a eleição de uma nova diretoria e administração, nova estratégia corporativa, plano de alocação de capital, política de dividendos, migração para o Novo Mercado (apenas ações ordinárias), corte de custos, crescimento e re-alavancagem, gestão de passivos, entre muitos outros.
  • Liquidez das ações: Nas últimas duas semanas, as ações ELET3 imprimiram volume médio negociado (ADTV) de US$ 115 milhões, o maior do setor, enquanto os papéis ELET6 registraram ADTV de US$ 27 milhões. 
  • Boas pontuações ESG: As credenciais ESG da Eletrobras devem aumentar substancialmente agora que a empresa não é mais uma estatal, mas sim uma empresa privatizada com controle disperso e forte governança; a companhia tem um forte histórico de investimentos sociais e é a maior empresa de energia limpa da América Latina, com cerca 95% da capacidade instalada baseada em energia hidrelétrica.

A Eletrobras (ELET3) é tudo isso mesmo, BTG Pactual?

O BTG Pactual também vê a privatização como a chave para a virada da Eletrobras (ELET3). 

Segundo o banco, a empresa finalmente pode se libertar das ineficiências de operar como uma estatal e começar a ser administrada mais como seus pares privados (e mais eficientes) de transmissão e geração. 

Por isso, o BTG retomou a cobertura da Eletrobras com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 62, um potencial de valorização de 41% nos próximos 12 meses, reiterando ELET3 como uma das principais escolhas no setor.

A visão do banco é apoiada por uma avaliação atrativa — a Eletrobras negocia a uma TIR real de 13,5% (6,4x EV/EBITDA em 2023), tornando-se um dos nomes mais baratos da cobertura do BTG. 

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Além disso, o banco destaca o potencial significativo de redução de custos e a reprecificação do portfólio hidrelétrico.

Muito já foi feito, mas há espaço para mais

O BTG lembra que entender uma empresa tão grande e complexa pode ser um desafio, e é por isso que é importante primeiro reconhecer os esforços da administração nos últimos seis anos para simplificar a estrutura de capital da empresa, maximizar a eficiência e cortar alavancagem para níveis mais sustentáveis. 

Nos preços atuais, a ação da Eletrobras (ELET3) ainda está precificando o que o banco vê como um cenário de estatal bem administrada, mas incorporando muito pouco do potencial privatizado. 

Para o BTG, a combinação de uma base de acionistas muito boa (e ativa) e uma equipe de gerenciamento de alto nível abrirá o caminho para uma história de recuperação bem-sucedida. 

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Esse cenário aumenta significativamente a geração de fluxo de caixa e permite que a empresa pague dividendos robustos e/ou aumente o poder de fogo para novos investimentos, segundo o BTG.

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