Presidente novo, política nova? Por que as ações da Petrobras (PETR3; PETR4) continuam atraentes mesmo com tantas trocas de comando
O que realmente preocupa na Petrobras é o risco de o novo CEO ceder e obrigá-la a vender combustíveis por preços bem abaixo da paridade internacional

Você deve ter visto que a chegada de Caio Paes de Andrade à Presidência da Petrobras (PETR3; PETR4) foi acompanhada de muita polêmica.
Não é para menos. Paes de Andrade é o quarto CEO diferente a gerir a estatal na era Bolsonaro.
Ele chegou para substituir José Mauro Coelho, que ficou apenas 40 dias no cargo e cuja demissão gerou bastante polêmica.
O que realmente preocupa em relação à Petrobras
Mas não é a frequência das trocas que traz preocupação. De certa forma, já estamos acostumados com isso.
O que realmente traz preocupação ao mercado é a possibilidade de que o novo CEO finalmente ceda à pressão do governo e comece a obrigar a Petrobras a vender combustíveis por preços bem menores do que a paridade internacional.
Será que as coisas vão mudar a partir de agora?
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Isso já estava acontecendo na Petrobras
Antes de continuar, é bom deixar claro que a Petrobras já está vendendo combustíveis em suas refinarias por preços menores do que os praticados nos mercados internacionais.
Dê uma olhada no gráfico abaixo, que compara o preço da gasolina no mercado internacional com o preço desse mesmo combustível vendido nas refinarias brasileiras, em dólar.
Repare que, desde o começo do ano passado, os combustíveis no Brasil têm ficado para trás. Ou seja, desde a gestão do General Joaquim Silva e Luna os preços não têm sido corrigidos como deveriam, o que sugere o início de uma pressão um pouco mais acentuada sobre a companhia já naquela época.
Mas isso não tem impedido a companhia de registrar lucros recordes nos últimos trimestres.
Como isso foi possível?
Com o Brent em patamares elevados e uma eficiência cada vez melhor no segmento de Exploração e Produção (E&P), a Petrobras neste momento pode se dar ao luxo de vender derivados de petróleo um pouco abaixo dos preços internacionais, perdendo parte das receitas no refino, e mesmo assim conseguindo resultados consolidados extraordinários.
Lucrativa mesmo com interferência
Ou seja, a combinação de um petróleo em patamares elevados com uma operação de Exploração e Produção cada vez mais eficiente tem permitido à Petrobras ter lucros recordes, mesmo com o governo forçando um certo desconto sobre os combustíveis.
Mas é claro que a companhia não está completamente blindada de uma piora de resultados.
O primeiro fator que pode atrapalhar bastante é uma queda relevante das cotações do petróleo. Se o barril voltar para os patamares de US$ 40 a US$ 50, isso atrapalharia muito a geração de caixa do segmento E&P, que é o que realmente tem gerado valor para os acionistas, como pudemos ver no gráfico acima que mostra o lucro operacional dos segmentos.
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Apesar de esse risco existir, é bom lembrar que a oferta de petróleo continua muito restrita e a falta de investimentos na produção por conta das iniciativas ESG torna esse patamar de preços bastante improvável no curto e médio prazos.
A segunda forma de piorar os resultados é se o governo impuser descontos muito abusivos para o preço da gasolina e do diesel no mercado interno, talvez até forçando a companhia a comprar gasolina e diesel caros no mercado internacional para vendê-los mais baratos e com grande prejuízo no mercado local. A perda com o setor de refino poderia acabar anulando os resultados positivos do segmento de E&P, o que faria as ações caírem.
Esse é o grande risco da tese e o grande motivo pelo qual PETR4 negocia com tanto desconto na bolsa. Mas neste aspecto também não somos tão pessimistas.
Isso vai acontecer?
Até agora, nada efetivamente mudou na gestão da companhia. Em suas primeiras declarações como presidente da Petrobras, o novo CEO disse não ter tido nenhuma orientação específica do governo federal para alterar a política de precificação dos combustíveis, o que não deixa de ser um sinal bastante positivo.
Outro ponto que joga contra uma interferência abusiva é a tentativa de venda de algumas refinarias pertencentes à Petrobras atualmente.
A venda dessas refinarias para players privados certamente ajudaria a trazer preços mais competitivos para o mercado, algo que é de interesse do próprio governo. Mas dificilmente alguém se interessaria em comprar uma refinaria que pudesse ser obrigada a vender combustíveis abaixo do preço de custo.
Além disso, é sempre bom lembrar que as punições estabelecidas pela Lei das Estatais para casos de interferência política em companhias controladas pelo governo são pesadíssimas contra as pessoas que autorizarem essas más condutas, o que diminui as chances de alguém implementar medidas que afetem os acionistas em benefício de interesses políticos.
Não é impossível, mas está no preço
Mas a verdade é que mesmo com leis protegendo a companhia, e mesmo com o novo CEO dizendo que vai manter tudo como está, ainda assim podemos ver uma interferência mais pesada daqui para frente. Você precisa estar ciente disso!
Mas, ao mesmo tempo, as ações da Petrobras estão entre aquelas com maior potencial de retorno do mercado.
Atualmente, PETR4 negocia por menos de 3 vezes lucros, 1,3 vez o seu fluxo de caixa e com cerca de 40% de dividend yield. São números absurdamente atrativos que eu não me lembro de ter visto antes na bolsa.
Por isso, mesmo com as possibilidades de interferência, entendemos que os riscos já estão mais do que bem precificados, e que a assimetria neste momento é amplamente favorável aos papéis.
Se o pior acontecer (interferência e queda do petróleo), perderemos. Mas se o melhor acontecer (sem interferência e petróleo elevado), o potencial de valorização é muito maior.
É por isso, inclusive, que a Petrobras (PETR4) está na série Double Income, focada em investir em ativos geradores de renda e com potencial de valorização também.
Se quiser conferir a série, deixo aqui o convite.
Um grande abraço e até a semana que vem!
Ruy
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