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Ana Carolina Neira

Ana Carolina Neira

Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero com especialização em Macroeconomia e Finanças (FGV) e pós-graduação em Mercado Financeiro e de Capitais (PUC-Minas). Com passagens pelo portal R7, revista IstoÉ e os jornais DCI, Agora SP (Grupo Folha), Estadão e Valor Econômico, também trabalhou na comunicação estratégica de gestoras do mercado financeiro.

REVENDO PORTFÓLIO

O setor que não para: Aliansce Sonae (ALSO3) vende shopping em Uberlândia de olho na sonhada fusão com brMalls (BRML3)

Venda do ativo pode reduzir o potencial de riscos avaliados pelo Cade na fusão entre Aliansce Sonae (ALSO3) e brMalls (BRML3)

Ana Carolina Neira
Ana Carolina Neira
22 de julho de 2022
10:46 - atualizado às 12:47
escadas rolantes de shopping center | brMalls Aliansce shoppings construtoras Itaú BBA
Imagem: Shutterstock

A Aliansce Sonae (ALSO3) já é uma gigante do setor de shopping centers. A fusão com a brMalls (BRML3) a tornará ainda maior. Mas ainda restam alguns passos para a conclusão do negócio. E um deles acaba de ser dado.

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A Aliansce Sonae anunciou a venda total de sua participação no Uberlândia Shopping, no Triângulo Mineiro, por R$ 195 milhões.

Não há informações disponíveis sobre o comprador.

O valor corresponde a um cap rate de 8,2%.

Cap rate é o indicador por meio do qual é calculada a média de retorno de capital investido em um imóvel.

O número baseia-se na receita operacional líquida da Aliansce (ALSO3) projetada para 2022.

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Uberlândia Shopping já estava na lista de desinvestimentos da Aliansce Sonae (ALSO3)

A Aliansce Sonae já havia sinalizado que o Uberlândia Shopping estava na lista de possíveis desinvestimentos, já que era avaliado como um ativo de menor qualidade quando comparado a outros empreendimentos do portfólio da Aliansce.

Alguns analistas também apontavam a necessidade de venda do Uberlândia Shopping para a conclusão da desejada fusão entre a Aliansce e a brMalls, mas eu te conto sobre isso um pouco mais adiante.

Para efeitos de comparação, a receita de aluguel do shopping era de R$38 por metro quadrado por mês no primeiro trimestre deste ano. Os demais shoppings da carteira obtinham R$ 88 por metro quadrado por mês no mesmo período.

Em relatório, o banco JP Morgan vê o negócio como positivo e espera uma reação positiva das ações hoje, mas ressalta que o preço por metro quadrado da negociação está entre os mais baixos observados nas últimas transações do setor.

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Aliansce Sonae (ALSO3) não era única dona

Em março deste ano, a brMalls (BRML3) vendeu 30% de sua participação no Uberlândia Shopping para os sócios atuais, por um total de R$ 307 milhões. Assim, a empresa permaneceu com apenas 21% de participação no empreendimento, além de exercer as funções de administradora e comercializadora.

Os analistas do Bank of America estimam que a operação deve impactar positivamente no balanço da brMalls (BRML3) referente ao segundo trimestre do ano, com divulgação prevista para 11 de agosto.

A equipe do banco acredita que as administradoras de shopping centers devem registrar mais um trimestre de recuperação do aluguel, deixando os descontos da pandemia para trás e caminhando rumo ao repasse total da inflação.

Os planos de fusão

Paralelamente, Aliansce Sonae (ALSO3) e brMalls (BRML3) tentam há meses concluir uma combinação de seus negócios - ainda pendente de aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). No início de junho, os acionistas deram aval à fusão.

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A ideia é que o negócio aconteça por meio da incorporação de ações da brMalls.

Vale lembrar que, em conjunto com o fundo canadense CPPIB, a Aliansce já é a maior acionista individual da brMalls, com quase 11% do capital.

No mesmo relatório, a equipe do JP Morgan comenta que venda da participação no Uberlândia Shopping deve ajudar na fusão, reduzindo o potencial de riscos avaliados pelo Cade, uma vez que a brMalls ainda detém 21% de participação no empreendimento de Minas Gerais.

Se tudo der certo, irá nascer um gigante do setor de shoppings na América Latina.

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Mas esse final feliz demorou para acontecer.

Ciente de que outras empresas do setor tinham interesse em seus ativos, a brMalls chegou a recusar essa fusão duas vezes antes de seguir em frente.

Para receber o sonhado "sim", a Aliansce Sonae aceitou pagar R$ 1,25 bilhão em dinheiro aos acionistas e mais 326.339.911 em ações.

Além disso, ainda incluiu no acordo cláusulas para aceleração dos planos de stock options — opções que dão direito à compra ações por parte dos funcionários de uma empresa.

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Já os executivos da brMalls terão um pacote indenizatório em caso de desligamento involuntário e sem justa causa.

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