Quais ações da B3 passariam pelo crivo de Warren Buffett? O Itaú BBA imaginou como seria a atuação do megainvestidor na bolsa brasileira — e traz a resposta
Veja quais seriam as escolhidas se, um dia, o "óraculo de Omaha" decidisse voltar sua lupa corporativa para o mercado brasileiro

Warren Buffett é uma lenda no mundo dos investimentos: nele, não há quem não tenha ouvido falar da figura do “oráculo de Omaha”. O que muita gente não conhece em detalhes é como funciona a estratégia de alocação de recursos que lhe rendeu sua fama.
O megainvestidor é conhecido por seu casamento duradouro com o value investing. Em linhas gerais, a filosofia criada por seu mentor, Benjamin Graham, aposta no potencial de valor das empresas a longo prazo em detrimento de seu preço ou volume de transações atuais.
O objetivo é encontrar companhias que estejam “baratas” em relação a seu valor intrínseco. E, para descobrir o ouro escondido, não existe fórmula secreta: é preciso esmiuçar os balanços e colocar em prática os ensinamentos de análise de ações.
Na hora de procurar oportunidades, Buffett concentra-se em empresas da sua terra natal: os Estados Unidos. Por isso, a maior parte da carteira da Berkshire Hathaway (BERK34), sua holding de investimentos, está concentrada por lá.
O único brasileiro na lista é o Nubank. Mas vale lembrar que o banco digital escolheu listar suas ações na Bolsa de Valores de Nova York, dentro do território do megainvestidor.
Mas como seria se, um dia, Warren Buffett decidisse voltar sua lupa corporativa para a bolsa brasileira?
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O Itaú BBA enviou um representante à conferência anual da Berkshire Hathaway para aprender mais sobre o estilo dele e indicar quais seriam as escolhas de Buffett na versão “oráculo da B3”.
[captacao]
Comprar barato não é sinônimo de boa compra
Um dos pontos centrais do value investing é encontrar empresas abaixo do seu valor intrínseco. Isso não significa, porém, que qualquer pechincha é uma boa opção para a carteira.
Segundo Marcelo Sá, estrategista-chefe do Itaú BBA que aceitou a missão de estudar Warren Buffett, antes do preço, o megainvestidor considera a qualidade do ativo e as perspectivas de crescimento.
“Eles [na Berkshire] têm uma expressão interessante que fala que é melhor comprar uma empresa maravilhosa a um preço justo do que pagar um preço maravilhoso por uma empresa razoável”, explica Sá na última edição do podcast Itaú Views.
Warren Buffett quer investimentos duradouros e gestão eficiente
Outro ponto importante da filosofia do mago de Omaha é pensar sempre no longo prazo: “Para vocês terem ideia, o tempo médio de posição é de mais de 30 anos”.
Para manter uma empresa na carteira durante tanto tempo, um requisito é que a gestão seja eficiente. “Ele olha para a qualidade do management: como foram as entregas, se a alocação de capital é boa, se a empresa tem eficiência operacional, se o pacote de incentivo dos executivos está alinhado com os acionistas".
A intenção aqui é comprar empresas que já são bem geridas para assumir um papel mais passivo no dia a dia das companhias.
As escolhidas de Warren Buffett na B3
Munido de seus conhecimentos sobre Warren Buffett, o estrategista do Itaú BBA fez — a pedido do braço de investimentos do banco — um exercício hipotético para definir quais ações da B3 atrairiam o interesse do lendário investidor
Para Sá, o mago de Omaha olharia com cuidado para Ambev (ABEV3), Equatorial (EQTL3), São Martinho (SMTO3), Suzano (SUZB3) e Vivara (VIVA3). O estrategista considera que as duas últimas, em especial, seriam destaques para ele.
Suzano (SUZB3) — indústria em franco crescimento
A Suzano (SUZB3) chamou a atenção do mercado na semana anterior pelo bom desempenho no primeiro trimestre. A produtora de papel e celulose reverteu em lucro líquido de R$ 10,3 bilhões o prejuízo de R$ 2,6 bilhões registrado no mesmo período do ano passado.
E, conforme indica Marcelo Sá, a empresa deve seguir avançando: “é uma indústria com crescimento, dado que temos um aumento na demanda por papel para fins sanitários, o uso que mais cresce. O consumo per capita na China, por exemplo, ainda é muito baixo”.
O especialista afirma que o Brasil — e, consequentemente, a Suzano — tem uma vantagem competitiva “gigantesca” no setor. “As florestas aqui crescem muito mais rápido do que as dos competidores canadenses e nórdicos. Para vocês terem ideia, são seis anos aqui contra 30 anos nesses outros países”, afirma.
A administração da empresa, essencial dentro dos critérios de Buffett, também é elogiada. Para ele, o management é muito bom e tem um histórico ótimo de alocação de capital.
O valuation da empresa também é atrativo. “Ela está negociando em um múltiplo de 5,6x Ebitda [Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês], abaixo da média histórica de 7,5x”.
Vivara (VIVA3) — via aberta para crescimento no mercado
A segunda possível escolhida de Warren Buffett, para Marcelo de Sá, seria a Vivara (VIVA3). A fabricante de joias está inserida em um mercado fragmentado, o que abre margem para consolidação.
O estrategista-chefe do Itaú BBA conta que a empresa é a maior do setor, com 10% de market share. O segundo maior player está vendendo as operações no Brasil, enquanto o terceiro enfrenta dificuldades financeiras.
“Ela [a Vivara] está em um ambiente competitivo muito favorável para continuar crescendo com ganho de participação de mercado”, afirma ele.
Outra vantagem competitiva é a verticalização de suas operações e o estoque que garante um ano de ouro e prata para a produção. “Ela pode, portanto, mudar o design da joia e escolher a composição dependendo do custo para colocar os produtos em um preço que o consumidor consiga pagar”.
Por fim, o valuation da Vivara é algo que agradaria Warren Buffett, na visão de Sá: “Ela está negociando em um P/E [Índice Preço Lucro] de 16x, abaixo da média histórica de 25x”.
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