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As perspectivas de crescimento na base de clientes e na rentabilidade servem como argumento para o otimismo das instituições — muitas das quais atuaram como coordenadoras do IPO do banco brasileiro
O Nubank (NU) chegou à bolsa americana cheio de pompa, mas suas ações tiveram um desempenho tímido até agora: após um rali nos primeiros dias de negociação, os ativos perderam tração e, agora, têm oscilado perto do nível de US$ 9,00 — justamente o preço do IPO. Para as grandes casas de análise do exterior, no entanto, os papéis possuem um enorme potencial de alta ao longo do ano.
Nesta segunda-feira (3), diversos bancos e instituições financeiras iniciaram suas coberturas para o Nubank com recomendação de compra — entre eles, o Morgan Stanley, o Goldman Sachs e o UBS BB. Os preços-alvos variam entre as casas, com a projeção mais otimista fixada em US$ 16,00, o que implica num potencial de ganho de 70% em relação ao fechamento da última sexta-feira (31), de US$ 9,38.
Antes de passarmos para a visão de cada uma dessas casas, é preciso fazer uma ressalva importante: elas atuaram diretamente no IPO do Nubank, assumindo o papel de coordenadoras da oferta no Brasil ou no exterior. Sendo assim, uma postura mais construtiva em relação às ações não chega a ser surpreendente.
Dito isso, é importante entender o racional por trás de cada um dos bancos. Comecemos, então, pelo Morgan Stanley, a instituição que fixou o preço-alvo mais elevado para os ativos do Nubank.
O Morgan Stanley destaca que o Nubank é um dos maiores bancos digitais do mundo e apresenta uma taxa de crescimento bastante alta, ao mesmo tempo em que conta com uma marca bastante reconhecida e bem avaliada.
"Considerando a experiência de alto padrão ao consumidor, a superioridade tecnológica e a baixa estrutura de custos — tudo isso em meio à ineficiência dos sistemas bancários na América Latina —, o Nubank pode ganhar espaço através da venda cruzada de produtos que ainda possuem baixa penetração, como empréstimos pessoais, investimentos e seguros", escrevem os analistas Jorge Kuri, Jorge Echevarria e Felipe Martinuzzo.
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Em termos de projeção, o Morgan Stanley enxerga uma taxa de crescimento anual composta de 68% para as receitas do Nubank nos próximos três anos; para o lucro bruto, o ritmo de expansão chega a 80%. "O Nubank será um dos maiores e mais rentáveis bancos da América Latina em 2026", dizem os analistas.
Para o Goldman Sachs, o Nubank está numa boa posição para ganhar espaço no 'altamente rentável' sistema bancário da América Latina, com destaque para o Brasil, Colômbia e México — os países em que já atua. A instituição, inclusive, acredita que o banco roxo tem potencial para chegar a uma rentabilidade de 39% em 2025, impulsionada pelo crescimento em cartões de crédito e empréstimos pessoais.
Apenas como base de comparação, o Santander Brasil (SANB11) fechou o terceiro trimestre de 2021 com uma rentabilidade de 22,4%; o Itaú (ITUB4) ficou em 19,7%; o Bradesco (BBDC4), em 18,6%.
Mesmo as turbulências da economia brasileira não geram grandes preocupações ao Goldman Sachs. Em relatório, os analistas Michael Ng, Tito Labarta, Tiago Binsfeld e Katherine Campagna avaliam que a plataforma digital do Nubank e sua participação de mercado relativamente baixa podem permitir que o banco cresça de maneira contra cíclica, ao mesmo tempo em que mantém a qualidade dos ativos sob controle.
Embora veja uma valorização implícita menos intensa, o UBS BB também mostra otimismo em relação às ações do Nubank (NU). E boa parte dessa visão construtiva se deve à comparação com outros bancos digitais do mundo: numa comparação entre valor de mercado e base de clientes, os brasileiros estão num nível de preço mais barato.
"Apesar de reconhecermos que ainda há uma longa estrada adiante, cheia de riscos regulatórios e de execução, acreditamos que a combinação entre a grande base de clientes e cultura centrada nos usuários providencia vantagens competitivas na indústria bancária da América Latina", escrevem os analistas Thiago Batista, Olavo Arthuzo e Rayna Kumar.
Em termos de base de clientes, o UBS BB projeta que o Nubank poderá chegar aos 100 milhões de usuários em 2026 — cerca de 80 milhões no Brasil, 15 milhões no México e 5 milhões na Colômbia.
Abaixo, veja uma tabela com as recomendações e preços-alvo de diversas instituições financeiras que iniciaram suas coberturas para o Nubank (NU) nesta segunda-feira; vale lembrar que, ainda em dezembro, o BTG Pactual já tinha dado recomendação neutra para as ações, com preço-alvo de US$ 10,00.
| Instituição | Recomendação | Preço-alvo (US$) | Potencial de alta |
| Morgan Stanley | Compra | 16,00 | +70,6% |
| Goldman Sachs | Compra | 15,00 | +59,9% |
| Susquehanna | Compra | 14,00 | +49,3% |
| Wolfe | Compra | 13,00 | +38,6% |
| UBS BB | Compra | 12,50 | +33,3% |
| KeyBanc | Compra | 12,00 | +27,9% |
| HSBC | Neutro | 10,00 | +6,6% |
A onda de recomendações positivas surtiu efeito em Wall Street: as ações do Nubank (NU) sobem mais de 5% no primeiro pregão do ano, sendo negociadas a US$ 9,86 — um ganho acumulado de pouco menos de 10% em relação aos níveis do IPO.
Na B3, os BDRs do Nubank (NUBR33) também reagem positivamente, avançando quase 4% e rompendo a casa dos R$ 9,00 — por aqui, os papéis estrearam a R$ 8,38.

A plataforma registrou lucro líquido de US$ 559 milhões, abaixo das expectativas do mercado e 12,5% menor do que o mesmo período de 2024. No entanto, frete gratis impulsionou vendas no Brasil, diante das preocupações do mercado, mas fantasma não foi embora
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