Itaú baixa preço-alvo do Nubank (NU) e reduz estimativas para a empresa; analistas chegaram a ficar ‘tentados’ com preço da ação, mas querem ver resultado primeiro
Queda recente no preço do papel e valorização do real levaram analistas do Itaú BBA a avaliarem a possibilidade de melhorar o prognóstico para o Nubank, mas por ora crescimento da inadimplência e dos custos de captação preocupam

Os analistas do Itaú BBA abriram seu relatório sobre Nubank (NU, na Nyse, e NUBR33, na B3) desta segunda-feira (25) com uma confissão: chegaram a ficar tentados a mudar alguma coisa na sua avaliação sobre o banco digital depois da queda recente nas ações e da valorização do real ante o dólar, mas preferiram manter a visão cautelosa, ao menos até a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2022.
Mais que isso, o banco acabou não apenas mantendo a sua recomendação "underperform" para as ações do Nubank (NU), como também reduzindo suas estimativas para o banco digital no ano fiscal de 2022 e o próprio preço-alvo da ação, que foi cortado de US$ 7 para US$ 6,60, um potencial de queda de 1,2% ante o último fechamento.
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"A incerteza a respeito da qualidade do crédito só aumenta, ao mesmo tempo em que os custos de captação estão pressionando as margens financeiras", diz o relatório do Itaú BBA, assinado pelos analistas Pedro Leduc, Mateus Raffaelli e William Barranjard.
No ano, a ação do Nubank, negociada na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse), acumula perda da ordem de 26%. Em relação ao preço do IPO (US$ 9), trata-se de uma queda de 23%.
Já o BDR NUBR33, negociado na bolsa brasileira, recua quase 36% no ano, uma baixa de 33% em relação ao preço do IPO (R$ 8,38).
Resultados do primeiro trimestre devem ser mistos
O Itaú espera resultados mistos para o Nubank no primeiro trimestre de 2022. Pelo lado positivo, o banco digital deve continuar aumentando a base de clientes, com a adição de 5 milhões novos usuários, totalizando 59 milhões.
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Também deve continuar expandindo o crédito ao consumidor a uma taxa trimestral "impressionante" de 15%, para R$ 42 bilhões.
Segundo os analistas, empréstimos pessoais devem ser o carro-chefe, e as receitas de serviços devem crescer 9%, com as despesas operacionais contidas.
Pelo lado negativo, porém, o Itaú BBA espera que as provisões aumentem devido à velocidade do crescimento da concessão de crédito, e que haja um aumento de 60 pontos percentuais na inadimplência superior a 90 dias, para 4,1%. Para o ano, o banco revisou para cima esta métrica, de 5,3% para 5,5%.
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Os analistas observam que, de qualquer forma, a inadimplência do Nubank deve permanecer abaixo da média da indústria, especialmente quando considerados outros bancos digitais.
Mesmo assim, alertam que essa alta, que deve continuar por alguns trimestres, pode levar o Nubank a puxar o freio da originação, reduzindo a velocidade da monetização. "Tal cenário afeta o desafio estrutural de gerar lucros a partir de tantos clientes no longo prazo", diz o relatório.
O Itaú espera ainda que as margens sejam afetadas por maiores custos de captação, o que deve levar a um prejuízo líquido de R$ 176 milhões no primeiro trimestre. Para o ano, a estimativa do banco é de perdas líquidas no valor de R$ 1,137 bilhão, ante uma previsão anterior de R$ 862 milhões.
Com tais projeções, o Itaú entende que é melhor esperar para mudar a avaliação do Nubank para uma visão mais otimista.
Itaú se diz menos preocupado que a média com o fim do lock up das ações do Nubank
O relatório do Itaú BBA lembra que o período de lock up para grandes investidores e funcionários do Nubank - durante o qual esses acionistas não podem vender seus papéis comprados no IPO da empresa - termina no dia 7 de junho.
Com isso, há preocupações de que pode haver um volume grande de vendas de ações do Nubank ao término desse prazo. Mas os analistas do Itaú BBA dizem que estão menos preocupados que a média com essa possibilidade.
Isso porque o Brasil deve continuar recebendo atenção especial de investidores internacionais, especialmente os que desejam manter investimentos em países de emergentes, podendo ser uma das primeiras economias do mundo a cortar juros. O cenário geopolítico também anda favorável para o país.
"Eventualmente, juros menores, os níveis de inflação e uma maior criação de empregos poderiam ajudar a solucionar os ventos contrários que estão atingindo o Nubank", dizem.
Os analistas também acreditam que muitos grandes investidores podem estar dispostos a ignorar o mau momento no curto prazo de olho nas melhorias no horizonte da empresa previstas para 2023.
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