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FECHAMENTO DO DIA

Ibovespa derrete 4,4% na semana e atinge a menor pontuação em mais de um mês; dólar dispara para R$ 4,80

Um dos fatores por trás do tombo é o novo episódio da interminável queda de braço entre o presidente Bolsonaro e o STF

B3 Ibovespa Geleira Derretendo Dólar
Imagem: Shutterstock, com intervenção de Andrei Morais

Os investidores já sabiam que esta semana não seria fácil para o Ibovespa. Com a liquidez reduzida por mais um feriado e o ambiente externo desafiador, a sexta-feira (22) não era favorável a ganhos elevados.

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O que eles não imaginavam, porém, é que a volta do feriado traria uma deterioração ainda maior para o cenário global e marcaria o retorno triunfal de um velho conhecido dos brasileiros: o risco político.

Falas de importantes autoridades monetárias, incluindo os presidentes dos bancos centrais dos Estados Unidos e Europa, voltaram a acender o alerta para os riscos da inflação. Com isso, as bolsas norte-americanas encerraram o dia em quedas de 2,5% a 2,8%.

Por aqui, o presidente Jair Bolsonaro deu mais combustível para a aversão ao risco do mercado ao voltar a elevar a temperatura de sua interminável queda de braço com o Supremo Tribunal Federal (STF).

O resultado da combinação entre os temores globais e locais foi uma queda de 2,86% do Ibovespa. O principal índice acionário da B3 por pouco não encerrou a sessão abaixo da linha dos 111 mil, terminando o dia em 111.077 pontos, menor nível desde 16 de março. O tombo chega a 4,39% na semana.

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Já o dólar, que se alimenta do ambiente caótico, deu um salto que só não foi maior graças ao freio do Banco Central. A instituição vendeu US$ 571 milhões em um leilão para conter a alta. Ainda assim, a moeda norte-americana subiu 4%, cotada em R$ 4,8051.

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Sobe e desce

Com a queda brusca do índice, apenas uma ação registrou alta hoje. A sobrevivente foi a Copel (CPL6), que subiu 1,22%, aos R$ 7,44.

Já na ponta negativa do Ibovespa a competição foi grande, mas os destaques foram as empresas ligadas a commodities e tecnologia. Veja abaixo:

CÓDIGONOMEPREÇOVARIAÇÃO
CSNA3SID NACIONAL ONR$ 22,03−7.59%
LWSA3LOCAWEB ON R$ 7,91−6.17%
VALE3VALE ONR$ 80,15−6.15%
IGTI11IGUATEMI UNT R$ 20,17−5.57%
COGN3COGNA ONR$ 2,52−5.26%

[captacao]

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Previsões sombrias

A tempestade econômica que levou ao tombo do Ibovespa e disparada do dólar hoje começou a se formar ontem, durante o feriado de Tiradentes no Brasil. E os primeiros raios surgiram logo após o discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell.

O líder do Fed afirmou que o conflito entre Rússia e Ucrânia seguirá pressionando a inflação. Para Powell, nesse cenário é apropriado que o Fed aja em ritmo "um pouco mais rápido".

Em outras palavras, o presidente do BC americano reconheceu que o aumento de juros de 50 pontos-base é uma opção na reunião de política monetária do BC americano em maio.

Calma, tem como piorar

Como se não bastasse a cautela gerada pelas falas de Powell, duas autoridades monetárias de peso nos EUA e na Europa engrossaram hoje o coro da inflação e alertaram para a alta dos preços global.

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Em entrevista conjunta à CNBC, a secretária do Tesouro norte-americano, Janet Yellen, e a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, falaram sobre as preocupações com o cenário mundial.

Com a guerra entre Rússia e Ucrânia ameaçando a recuperação da zona do Euro, Lagarde admitiu que há uma “chance forte” de que o bloco econômico eleve os juros ainda neste ano.

Já Yellen reconheceu que as preocupações com a inflação não sairão de cena tão cedo nos EUA. A secretária do Tesouro norte-americano declarou que a alta dos preços “seguirá conosco por mais um tempo”.

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O perdão que custou caro ao Ibovespa

Por aqui, o risco político, um velho conhecido do mercado, voltou a dar as caras graças a um novo ato polêmico do presidente Jair Bolsonaro.

Tudo começou na quarta-feira (20), quando o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) a oito anos e nove meses de prisão por incitar agressões a ministro da corte e por atacar a ordem democrática. 

Mas Silveira, que ainda nem começou a cumprir a sentença, foi “perdoado” por Bolsonaro apenas um dia após a condenação. O presidente concedeu indulto presidencial ao deputado, elevando a temperatura de sua interminável queda de braço com o STF.

Juristas consultados pelo jornal O Estado de S. Paulo consideram o indulto ilegal. Além disso, o ato presidencial viola a separação entre os poderes e as prerrogativas constitucionais do Judiciário.

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E, como já era previsto pelos analistas políticos e de mercado, o perdão não demorou a tornar-se alvo de contestações judiciais. O partido Rede Sustentabilidade e o senador Renan Calheiros (MDB-AL) protocolaram na manhã de hoje um pedido para que a Corte anule o indulto.

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