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Jasmine Olga

Jasmine Olga

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

FECHAMENTO DO DIA

Ibovespa se salva apoiado em Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4), mas só se pensa em inflação; dólar sobe

A inflação no Brasil e nos Estados Unidos segue dando sinais de persistência, o que pesa sobre o Ibovespa e demais índices globais

Jasmine Olga
Jasmine Olga
11 de maio de 2022
18:42 - atualizado às 19:07
Desenho de quatro homens tentando segurar um maço de dinheiro, que tenta "voar", em referência à inflação.
Imagem: Shutterstock

Tenho duas notícias para dar. Assim como na vida real, as novidades do mercado costumam aparecer em pares – então é uma boa e uma má. 

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A boa é que após algumas semanas de intensa restrição de mobilidade, a China parece estar conseguindo controlar os surtos de covid-19 que vinham ameaçando a atividade econômica do país (e do mundo). 

Como o crescimento da segunda maior economia do mundo é sinônimo de uma manutenção da demanda por commodities, o petróleo e o minério de ferro tiveram altas robustas. 

A má notícia é que os indicadores de inflação no Brasil e nos Estados Unidos seguem salgados e exibem características que levam o mercado a crer que o problema deve persistir por mais um bom tempo. Em um dia como esses, a alta das commodities só eleva ainda mais a cautela dos investidores.
A primeira notícia animou o Ibovespa, já que as empresas de maior peso no índice – como Petrobras e Vale – tiveram um dia de recuperação expressiva. A alta de 1,25%, aos 104.326 pontos, foi puxada pelas produtoras de commodities. 

Nova York não teve a mesma sorte. Wall Street até tentou esboçar uma reação, mas a surpresa negativa com a inflação se somou aos temores de que o Federal Reserve deve seguir subindo o tom para combater a elevação dos preços. 

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O Nasdaq, que concentra a maior fatia das empresas de tecnologia, voltou a cair mais de 3%, contaminando os demais índices. No Brasil, o dólar à vista chegou a operar no campo negativo, mas encerrou a sessão em alta de 0,21%, a R$ 5,1446, acompanhando a inclinação da curva de juros.

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Surpresa em dose dupla

Os números de inflação divulgados no Brasil e nos Estados Unidos surpreenderam o mercado em dose dupla. 

Logo pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Índice de preços ao consumidor amplo (IPCA), principal indicador de inflação, avançou 1,06%, desacelerando ante março, mas ainda assim sendo o maior nível para o mês desde 1996. Embora o número tenha vindo próximo da mediana das expectativas do mercado, ele não deixou de ser uma surpresa. 

Para Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital, a inflação brasileira segue apresentando os mesmos traços preocupantes de disseminação vistos nas últimas leituras e mais alguns componentes que agravam ainda mais a situação como:

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  • Impacto menor do que o esperado da redução da tarifa de energia elétrica;
  • Persistência inflacionária em itens antes de características sazonais; 
  • Retroalimentação inflacionária entre setor de consumo e serviços; 
  • Entre outros. 

Com o número salgado e a sinalização do Banco Central de que os próximos rumos da política monetária serão tomados de acordo com a evolução dos indicadores macroeconômicos, a economista aponta que uma Selic de 14% ao ano fica cada vez mais provável de se tornar realidade. 

Em uma magnitude bem menor que a vista no Brasil, a inflação americana também deu um susto nos investidores – e por lá, não teve alta de commodities que salvassem os índices. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês), avançou 0,3% no período, acima do esperado. 

Somado aos dados recentes que mostram que o consumo das famílias americanas segue forte – o que deve impactar o índice nos próximos meses – a preocupação com o futuro da política monetária norte-americana voltou a ganhar força após um dia de pausa, mas pode ter uma trajetória menos brusca amanhã. 

Perto do fechamento do mercado James Bullard, dirigente do Fed conhecido por defender uma política monetária mais dura, disse que o seu cenário-base não é de uma elevação de 0,75 ponto-percentual, o que pode acalmar o mercado. 

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A alta da inflação e o empurrãozinho extra das commodities levaram a curva de juros brasileira a se inclinar ainda mais. Confira:

CÓDIGONOMEULT FEC 
DI1F23DI jan/2313,33%13,26%
DI1F25DI Jan/2512,44%12,29%
DI1F26DI Jan/2612,28%12,15%
DI1F27DI Jan/2712,30%12,18%

Sobe e desce do Ibovespa

As boas notícias vindas da China e as novas sanções em torno da guerra na Ucrânia permitiram ao petróleo e ao minério de ferro uma sessão de recuperação.

Com isso, as empresas produtoras sustentaram a alta do Ibovespa ao longo de toda a sessão. Confira as maiores altas do dia:

CÓDIGONOMEVALORVAR
PETR3Petrobras ONR$ 36,445,04%
PRIO3PetroRio ONR$ 25,495,03%
VALE3Vale ONR$ 78,694,17%
BRAP4Bradespar PNR$ 26,604,11%
BRKM5Braskem PNAR$ 40,824,11%

Na ponta contrária, o setor de saúde protagonizou alguns dos piores desempenhos do dia. O balanço da Qualicorp (QUAL3), divulgado na noite de ontem, mostrou que a empresa segue com dificuldades para crescer e que o crescimento da inadimplência é um problema relevante, levando a um maior número de cancelamentos e dificuldades nos repasses de preços. A Rede D’Or, maior acionista da companhia, também registrou forte queda: 

CÓDIGONOMEVALORVAR
QUAL3Qualicorp ONR$ 10,49-12,80%
HAPV3Hapvida ONR$ 7,56-5,97%
LWSA3Locaweb ONR$ 5,12-5,71%
CVCB3CVC ONR$ 11,24-5,47%
RDOR3Rede D'Or ONR$ 31,85-5,38%

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