Esquenta dos mercados: Fed pesa nas bolsas internacionais antes da decisão de juros; Ibovespa olha dólar, BC e corrida eleitoral hoje
As atenções dos investidores estão voltadas para a Super Quarta, com a política monetária dos Estados Unidos e do brasil em foco
O primeiro dia da reunião do Copom do Banco Central para decidir sobre a alta da Selic começa com um gosto amargo para o investidor. A bolsa local caiu 10% em abril e, no primeiro pregão de maio, outros 1,15%, encerrando os negócios aos 106.638,64 pontos. Mas a estrela da sessão da última segunda-feira (02) foi o dólar.
A moeda norte-americana disparou com aversão ao risco internacional e atingiu os R$ 5,0727, uma alta de 2,63% só ontem. A pressão sobre o dólar fez o nosso Banco Central anunciar um leilão de swap cambial extra nesta terça-feira (03).
Esse cenário pode ser ainda mais desafiador para que Roberto Campos Neto, presidente do BC, encerre o ciclo de altas da Selic no patamar de 12,75%.
A autoridade monetária já trabalha com a hipótese de um cenário alternativo com a disparada do petróleo em meio à inflação desenfreada — a queda do dólar no último mês chegou a dar certo alívio nas projeções, mas a nova alta dissipou esse otimismo.
Confira o que movimenta a bolsa, o dólar e o Ibovespa nesta terça-feira:
Os riscos políticos da revisão do teto
Durante o final de semana, os dois presidenciáveis à frente das pesquisas eleitorais fizeram comentários sobre o teto de gastos, regra que limita a correção das contas públicas à inflação.
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O primeiro colocado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sempre foi um crítico da medida e prometeu uma revisão do teto. Já Jair Bolsonaro (PL), atual presidente e segundo lugar nas pesquisas eleitorais, pretende vincular o reajuste dos gastos públicos às reformas administrativa e tributária.
De qualquer forma, a regra é considerada positiva pelas entidades do mercado por evitar o descontrole das contas públicas. Uma revisão do teto pode desagradar investidores e aumentar o risco do Brasil frente a outros países.
Dólar e um foguete para lua
A moeda norte-americana à vista voltou ao patamar de R$ 5,00 com a proximidade da reunião de política monetária do Federal Reserve, o BC americano. A cautela internacional gerou uma fuga para ativos de menor risco e manteve os índices no vermelho no pregão de ontem.
Com isso, o Banco Central brasileiro deve fazer um leilão de cerca de 20 mil contratos, ou US$ 1 bilhão de liquidez.
E o nosso Banco Central
Nesta quarta-feira (04) a autoridade monetária brasileira deve elevar a Selic em 100 pontos base, fazendo os juros básicos atingirem a casa dos 12,75% ao ano.
Algumas previsões menos otimistas dão conta de que o ciclo de aperto monetário só deve terminar com a Selic em 13% ao ano — outras ainda mais conservadoras entendem que os juros devem atingir os 15% para conter o avanço de preços.
Fatores como o dólar e petróleo altos e inflação local em ascensão são levados em conta nas reuniões do Copom. Mesmo assim, a autoridade monetária deu a entender que projeta o fim do ciclo de alta em 12,75%, mas deixou em aberto a possibilidade de novas altas.
Não apenas uma quarta: uma Super Quarta
Além do nosso panorama doméstico, o Fomc, o Copom americano, também entra na jogada e deve divulgar uma nova elevação dos juros nos Estados Unidos nesta quarta-feira.
Com a elevação de 50 pontos-base — esperada para a próxima reunião —, a faixa de juros deve ficar entre 0,75% e 1,00%. O Fed também deve dar novos detalhes sobre a redução do seu balanço patrimonial e o fim da “torneira de dinheiro” do BC americano está cada vez mais próximo.
Um turbilhão no exterior
Como se não bastasse a cautela gerada pelo Fed, os recentes lockdowns na China devido a política de “covid zero” de Pequim começam a refletir no desempenho da economia do país.
A desaceleração chinesa pode pegar as economias do mundo no pé contrário e limitar a retomada das atividades após a pior fase da pandemia.
Para completar, a guerra na Ucrânia permanece como um fator de risco global. O petróleo, principal commodity afetada pela tensão na região, vive um dia de alta volatilidade e cai cerca de 1% perto das 7h30 desta terça-feira.
Bolsas no exterior
Nesse cenário complexo, as bolsas asiáticas encerraram um pregão de baixa liquidez, majoritariamente em queda. Sem os índices da China e Japão para dar sustento — fechados devido a feriados locais dos países — as demais praças do Pacífico reagiram negativamente à primeira alta de juros na Austrália em 11 anos.
Na Europa, as atenções se voltam para os balanços, que impulsionam os índices por lá. Mas o avanço é limitado pelas tensões envolvendo a guerra na Ucrânia, arrefecimento da economia chinesa e espera pela decisão de juros do Fed.
O mesmo ocorre nos futuros de Nova York: a abertura por lá deve ser de perdas limitadas envolvendo o compasso de espera pelo anúncio de aperto monetário.
Agenda do dia
- Primeiro dia da reunião do Copom
- FGV: IPC-S Capitais de abril (8h)
- IBGE: Produção industrial de março (9h)
- Estados Unidos: Relatório Jolts de empregos em março (11h)
- Estados Unidos: Estoques de petróleo
- Mercados de Japão e China fechados devido a feriados locais
Balanços de hoje
Temporada de balanços: confira o calendário de resultados desta semana
Antes da abertura:
- BNP Paribas (França)
- Pfizer (EUA)
- Restaurant Brands International (EUA)
Após o fechamento:
- AIG (EUA)
- Raia Drogasil (Brasil)
- XP (Brasil)
Perto da privatização, Copasa (CSMG3) fará parte do Ibovespa a partir de janeiro, enquanto outra ação dá adeus ao índice principal
Terceira prévia mostra que o índice da B3 começará o ano com 82 ativos, de 79 empresas, e com mudanças no “top 5”; saiba mais
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