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O petróleo é o grande foco dos investidores internacionais nesta terça-feira após a Europa banir exportações russas
Os olhos do planeta se voltam para o petróleo nesta terça-feira (31) e tanto as bolsas no exterior quanto o Ibovespa devem acompanhar de perto os desdobramentos do turbilhão de notícias sobre a principal commodity energética do mundo.
O panorama global ainda é o mais importante: o petróleo disparou depois do início da guerra na Ucrânia, com a perspectiva de que um dos maiores produtores do mundo — a Rússia — viesse a cortar o fornecimento da matéria-prima para o resto do planeta.
Ainda, os sinais de que a retomada da economia das nações mundo afora após a pior fase da covid-19 fez com que demais países exportadores — em especial o cartel da Opep+ — limitassem a produção. Para finalizar, a nova onda de coronavírus na China reforçou essa visão após o país registrar fraqueza em alguns indicadores econômicos da semana passada.
No cenário nacional, com o petróleo já convertido em combustível, a disputa fica entre o presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), e a maior estatal brasileira, a Petrobras (PETR4).
O chefe do executivo voltou a atacar a política de preços com paridade internacional (PPI) e o “lucro excessivo” da estatal. O discurso do presidente ganha força com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que também elegeu a Petrobras como alvo de suas críticas.
Como se não bastasse, Bolsonaro sinalizou que o país pode ficar sem diesel nos próximos meses, o que obrigaria um racionamento de combustível no país. Ele pondera, porém, que esse risco ainda “não se materializou”.
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Ao mesmo tempo, a proposta para limitar o teto do ICMS nos combustíveis e energia elétrica em 17% ganha resistência no Senado. Os secretários estaduais de Fazenda e o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), tentam encontrar um acordo para aliviar o impacto na arrecadação.
No pregão de ontem (30), o Ibovespa encerrou o dia em queda de 0,81%, aos 111.032 pontos, enquanto o dólar à vista fechou a sessão em alta de 0,33%, a R$ R$ 4,7489.
Prepare-se para o dia e saiba o que movimenta a bolsa, o dólar e o Ibovespa hoje:
A notícia não é repetida: o governo federal voltou a sinalizar que apoia a privatização da Petrobras após o presidente da República voltar a questionar a política de preços da estatal.
Adolfo Sachsida, do Ministério das Minas e Energia (MME) enviou ao ministro da Economia, Paulo Guedes, um pedido formal de inclusão da Petrobras no chamado Programa de Parcerias de Investimentos (PPI).
Vale ressaltar que esse programa entregou pouco resultado, tendo em vista que apenas a desestatização da Eletrobras (ELET3) saiu do papel.
A atual gestão passa por uma crise de popularidade, confirmada pelas mais recentes pesquisas eleitorais. Os combustíveis caros e a inflação alta minam o sentimento da população, que elegerá o próximo presidente em outubro deste ano.
Para tentar engordar o currículo de propostas aprovadas pelo governo, a privatização da Petrobras teria que sair “a toque de caixa”.
Entretanto, o próprio presidente da Câmara já afirmou que a privatização não tem apoio da Casa e seria praticamente impossível a proposta ser aprovada. Os deputados também buscam evitar pautas polêmicas em virtude das eleições.
Ainda hoje o IBGE deve divulgar a Pnad Contínua do trimestre até abril. De acordo com a mediana das projeções dos especialistas ouvidos pelo Broadcast, o desemprego deve ficar em 11% no período e encerrar 2022 em 10,4%.
Por último, o Banco Central deve divulgar os dados de abril do setor público, com superávit primário de R$ 32,6 bilhões nas contas do Governo Central, estados, municípios e empresas estatais (excluindo Petrobras e Eletrobras).
Fora dos nossos problemas locais e partindo diretamente para o Velho Continente, 27 Estados-membros da União Europeia chegaram a um acordo para banir as exportações do petróleo da Rússia para o bloco.
O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, afirmou que isso representa dois terços das exportações de petróleo da Rússia, “cortando uma fonte imensa de financiamento para sua máquina de guerra", nas palavras dele.
O resultado disso foi a disparada do petróleo mais uma vez: o barril do Brent, usado como referência internacional de preços, era negociado a US$ 119,45, uma alta de 1,57% por volta das 7h30 desta terça-feira.
Mesmo que o petróleo seja o foco do dia, os europeus têm outros problemas para lidar. Mais cedo, a inflação da zona do euro atingiu nova alta anual recorde, de 8,1% em maio. Somado a isso, o PIB da França caiu, enquanto o mesmo índice de atividade econômica da Itália teve alta marginal.
Dessa forma, as bolsas por lá registram perdas e devem reagir à volta do pregão em Nova York.
Na volta do feriado, Wall Street perdeu fôlego nas primeiras horas da manhã e os futuros de Nova York apontam para uma abertura no vermelho.
O encontro do presidente dos EUA, Joe Biden, com o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, está marcado para esta tarde, o que deve mexer com os mercados por lá.
A inflação descontrolada é o ponto central do debate entre ambos e Biden deve tentar influenciar na decisão de juros do Fed — o que, diga-se de passagem, pode não ser uma boa ideia.
O Banco Central americano já afirmou que deve acelerar os juros em 50 pontos-base nas próximas reuniões, abaixo dos 75 pontos-base que assustariam ainda mais os mercados.
A última leitura do PCE, o índice de inflação norte-americana preferido do Fed, veio em linha com o esperado pelo mercado, o que pode exigir um aperto menos intenso por parte da autoridade monetária.
Porém, se a inflação continuar alta, Biden pode encontrar dificuldades com seu eleitorado e, inclusive, perder espaço nas Casas Legislativas dos Estados Unidos. Em outras palavras, se o presidente americano tiver mais influência no Banco Central, os investidores podem precisar calibrar suas expectativas com os juros, de acordo com informações do Market Watch.
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