Esquenta dos mercados: Bolsas operam no vermelho na volta do feriado nos EUA e greve dos servidores públicos liga alerta para risco fiscal
O balanço de grandes bancos dos EUA, como o Bank of America e o Goldman Sachs, permanece no radar do investidor internacional hoje

A semana começou com a falta de liquidez dos mercados globais, sem a presença de Nova York para sustentar os ânimos das bolsas pelo mundo. Mas na volta da pequena pausa de início de semana, os investidores locais devem permanecer atentos aos riscos fiscais desta terça-feira (18).
As ameaças de greve dos servidores começam a preocupar. Sem auditores fiscais para liberar mercadorias, diversos produtos devem ficar retidos nos portos e aeroportos do país por tempo indeterminado.
E a solução não é fácil. Os policiais federais exigem a promessa do presidente de reajuste, enquanto os demais servidores também querem a compensação pela inflação nas alturas.
De fora dos nossos problemas locais, o exterior permanece atento aos balanços de grandes bancos dos Estados Unidos, como o Bank of America (BofA) e o Goldman Sachs.
Além disso, o petróleo atingiu o maior patamar em quase sete anos, o que irá movimentar as ações do setor hoje.
No último pregão, Ibovespa fechou em baixa de 0,52%, aos 106.373 pontos, depois de passar o dia todo no vermelho, e o dólar à vista terminou o pregão em alta de 0,24%, a R$ 5,5266, após passar boa parte do dia operando próximo da estabilidade.
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Paralisação dos servidores
A paralisação de parte dos funcionários públicos começa a ganhar corpo, com ao menos 40 categorias que devem aderir à suspensão das atividades por algumas horas hoje.
De início, os servidores do Banco Central e da Receita Federal encabeçaram a mobilização, seguidos pelos funcionários do Tesouro Nacional, professores, e entidades ligadas ao Legislativo e Judiciário.
A adesão já paralisou as operações do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) e de fiscalização aduaneira, o que pode gerar problemas na cadeia de abastecimento. Além de hoje, os servidores já marcaram atos para o dia 25 e 26 (terça e quarta-feira, respectivamente) deste mês.
Histórico
Tudo começou quando o presidente da República, Jair Bolsonaro, buscou beneficiar os policiais federais, sua base de apoio eleitoral, antes do pleito de 2022. Isso gerou uma reação dos demais setores do funcionalismo, incluindo servidores do Banco Central.
De acordo com o texto, o presidente abriu no Orçamento um espaço de R$ 1,7 bilhão destinado ao aumento de salário da categoria. Por outro lado, outros setores do funcionalismo estão sem reajuste desde 2017 e exigem compensação pelas perdas inflacionárias.
Bolsonaro tem até sexta-feira (21) para sancionar a proposta.
Na ponta do lápis
Os funcionários do fisco pedem reajuste de 19,9% para repor a inflação dos últimos anos de governo. Contudo, de acordo com cálculos do diretor executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), cada 1% de reajuste linear para servidores impacta os cofres públicos em R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões.
Cruzando os braços
Os policiais federais não devem aderir à paralisação de hoje, otimistas com a perspectiva de que o presidente não irá voltar atrás em sua proposta. Entretanto, se forem “traídos” por Bolsonaro, não descartam aderir às greves no futuro.
Petróleo nas alturas
O barril de petróleo Brent, utilizado como referência pela Petrobras (PETR3 e PETR4) atingiu o maior valor desde 2014 aos US$ 88,13 o barril durante a madrugada no Brasil.
De acordo com a Bloomberg, o avanço dos preços da principal commodity energética do mundo ainda deve continuar por mais algum tempo. O Goldman Sachs prevê que entre 2022 e 2023, o petróleo pode atingir os US$ 100 por barril.
As tensões no Oriente Médio auxiliaram na alta dos preços, mas a retomada da economia também tem sua parcela de culpa.
A volta das viagens de avião e a demanda pelo crescimento da atividade dos países colocará ainda mais pressão sobre o petróleo. Por um lado, empresas do setor devem se beneficiar desse cenário.
Por outro lado, o preço dos combustíveis também deve acelerar nos próximos meses se a previsão se confirmar.
De olho no exterior
Além da volta das bolsas americanas, que não abriram ontem em virtude do feriado local, os balanços do dia são o grande destaque desta segunda.
Ainda hoje, Bank of America e Goldman Sachs divulgam seus resultados do último trimestre do ano. No campo dos indicadores, o índice de atividade Empire State permanece no radar.
Bolsas pelo mundo
A perspectiva de que o Federal Reserve eleve os juros da economia americana ainda em março voltou a pressionar os índices da ásia, o que fez as bolsas por lá fecharem majoritariamente em baixa nesta terça-feira.
De maneira semelhante, as principais praças da Europa também seguem pressionadas pelos mesmos motivos.
Já os futuros de Nova York caem na volta do feriado de Martin Luther King.
Agenda do dia
- FGV: IPC-S Capitais (8h)
- Estados Unidos: Índice de atividade industrial Empire State de janeiro (10h30)
- Suíça: Diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, e primeiro-ministro do Japão, Kishida Fumio, falam na reunião anual do Fórum Econômico Mundial (sem horário)
Balanços
Estados Unidos:
- Bank of America (antes da abertura)
- Goldman Sachs (antes da abertura)
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