Esquenta dos mercados: Sem Nova York hoje, bolsas sentem falta de liquidez antes de dados do emprego nos EUA; Ibovespa acompanha furo do teto de gastos
Ainda nesta semana, o IBGE divulga os dados de produção industrial de maio e inflação de junho

As bolsas começam a primeira semana completa de julho com baixa liquidez e medo da covid-19. O feriado nos Estados Unidos mantém os índices de Nova York fechados nesta segunda-feira (04), enquanto a China decretou novos lockdowns em províncias que vivem surtos de coronavírus.
Os próximos dias também não terão grandes novidades para os investidores, que devem acompanhar o noticiário relacionado à desaceleração econômica. Além da ata da mais recente reunião do Federal Reserve na quarta-feira (06) e dos dados do payroll na sexta-feira (08), a semana não conta com maiores eventos de impacto nas bolsas.
Já o noticiário doméstico também está mais frio nesta primeira semana do mês. Ainda hoje, o ministro da Economia, Paulo Guedes, participa de evento, enquanto na terça-feira (05) serão divulgados os dados de produção industrial de maio. O indicador mais importante dos próximos dias vai para o IPCA de junho, na sexta-feira.
Se o campo dos indicadores dá alívio, o cenário político antes das eleições está quente como nunca após a aprovação da PEC dos Combustíveis — também chamada de PEC Kamikaze.
O teto de gastos veio a baixo e diversas despesas fora do limite imposto pela lei — tanto que limita os gastos públicos quanto a eleitoral — foram aprovadas pelo Congresso, o que pode desbalancear as contas públicas nos próximos anos.
Na última sexta-feira (1º), a bolsa brasileira encerrou o dia em alta de 0,42%, a 98.953 pontos. Na semana, o ganho foi de 0,29%. O dólar à vista refletiu o desconforto do mercado e disparou, fechando o dia em alta de 1,65%, a R$ 5,3212. Na semana, o avanço foi de 1,30%.
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Confira o que movimenta o dólar, a bolsa e o Ibovespa nos próximos dias:
[captacao]
Alta volatilidade para as bolsas hoje
Os mercados acionários da Ásia e Pacífico fecharam sem direção única após a China decretar o lockdowns de uma região com mais de 1,7 milhão de habitantes. A província de Anhui vive um novo surto de covid-19 e as medidas tomadas estão em linha com a política de “covid zero” de Pequim.
O gigante asiático já havia anunciado um relaxamento das políticas de “covid zero”, que deixou Xangai cerca de dois meses fechada. Essa paralisação das atividades em grandes regiões começou a refletir no desempenho econômico, o que fez o governo repensar as medidas de contenção.
Na Europa, a falta de liquidez é um limitante do dia, mas as bolsas sobem em virtude da desaceleração do índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês). Vale destacar que na semana passada, a inflação ao consumidor bateu recorde em junho, o que aumentou as apostas de um aperto monetário mais agressivo por parte do Banco Central Europeu (BCE).
Ibovespa e as eleições de outubro
Além de lidar com os eventos do exterior, a bolsa local ainda acompanha o cabo de guerra eleitoral antes do pleito no segundo semestre.
O principal ponto que ergue as sobrancelhas dos investidores e analistas e deixa um sinal de interrogação na testa é a revogação do teto de gastos. A PEC dos Combustíveis foi aprovada com uma série de benefícios extra-teto, contrariando, inclusive, a lei eleitoral.
Foi necessário que o governo decretasse estado de emergência na proposta para poder aumentar as políticas públicas de distribuição de renda, como o Auxílio Brasil de R$400 para R$ 600 e o bolsa-caminhoneiro de R$ 1 mil.
Deixa para depois
No entanto, os analistas estão preocupados que a gastança deste ano eleitoral por parte do governo federal acabe gerando uma bomba fiscal para o próximo mandatário do Palácio do Planalto.
Esse descontrole das contas públicas aumenta o chamado “custo Brasil” por injetar ainda mais incertezas na saúde financeira do país. Em outras palavras, fica mais perigoso e caro colocar dinheiro aqui.
De todos os lados
A aprovação da PEC tenta reverter a tendência negativa do posicionamento do presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), nas pesquisas eleitorais. O atual comandante do Planalto está atrás do seu principal opositor, o ex-presidente Luiz Ignácio Lula da Silva (PT) por uma distância considerável, segundo o Datafolha.
Mas engana-se quem acredita que o teto voltará caso qualquer um dos dois seja eleito. O ex-presidente já se declarou contrário ao teto e prometeu sua revisão — e até mesmo revogação — caso assuma a presidência da República.
Dessa maneira, o investidor permanece de olho nos desdobramentos dos debates políticos em meio ao caos global de tentativa de retomada econômica.
Agenda da semana
Segunda-feira (04)
- Ministério da Economia: Ministro Paulo Guedes participa da Câmara Árabe (10h)
- China: PMI composto e de serviços em junho (22h45)
- Feriado da independência mantém os mercados fechados hoje
Terça-feira (05)
- OCDE: Índice de preços ao consumidor em maio (7h)
- IBGE: Produção industrial em maio (9h)
- Brasil: PMI composto e de serviços (10h)
Quarta-feira (06)
- Estados Unidos: Presidente do Fed de Nova York, John Williams, fala em série sobre cultura do Fed de NY (10h)
- Estados Unidos: PMI composto e de serviços em junho (10h45)
- Reino Unido: Premiê britânico Boris Johnson é questionado em comitê na Câmara dos Comuns (11h)
- Estados Unidos: PMI global, de serviços e compostos em junho (11h)
- Estados Unidos: Fed publica ata da mais recente reunião de política monetária (15h)
Quinta-feira (07)
- FGV: IGP-DI de junho (8h)
- Alemanha: Ata da mais recente reunião de política monetária (8h30)
- Estados Unidos: Pedidos de auxílio-desemprego (9h30)
- Estados Unidos: Balança comercial de maio (9h30)
Sexta-feira (08)
- IBGE: IPCA de junho e produção industrial de maio (9h)
- Estados Unidos: Payroll de junho (9h30)
FUTURO NEBULOSO
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