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Renan Sousa

Renan Sousa

É repórter do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pela Editora Globo e SpaceMoney.

DE OLHO NA BOLSA

Esquenta dos mercados: Bolsas no exterior perdem força com queda do petróleo; Ibovespa reage às pesquisas eleitorais e prévia da inflação

A manutenção da distância entre o ex-presidente Lula e o atual presidente Jair Bolsonaro na corrida pelo Palácio do Planalto foi vista com maus olhos pelo mercado

Renan Sousa
Renan Sousa
25 de outubro de 2022
7:56 - atualizado às 8:10
Barris de petróleo com gráficos ao fundo governo interfere nos preços
Confira o que movimenta a bolsa, o dólar e o Ibovespa esta semana. -

Na mitologia, Hércules não era apenas conhecido por sua força descomunal, mas também pela estamina — a qualidade de aguentar muitas horas de esforço contínuo. Manter as bolsas em alta contínua é um esforço hercúleo que os investidores não conseguiram segurar nesta terça-feira (25). 

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Os índices norte-americanos fecharam o pregão da véspera em alta, mas os futuros de Nova York abriram em queda hoje. Já na Europa, a sessão é mista, de olho no início da temporada de balanços de grandes bancos. 

Por aqui, o Ibovespa sentiu o olhar petrificante de uma Medusa e recuou  3,27%, aos 116.012 pontos. Isso porque dois eventos relacionados às eleições de 2022 marcaram o primeiro pregão da semana.

O primeiro deles aconteceu no domingo (23): Roberto Jefferson trocou tiros com a Polícia Federal durante a prisão do ex-parlamentar, notório apoiador do presidente da República e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL)

Já o segundo fato é a visão do mercado sobre a nova rodada de pesquisas eleitorais. A menos de sete dias do pleito, a distância entre Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manteve praticamente estável em 7 pontos percentuais.

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Representantes do mercado entendem que a recondução de Bolsonaro ao Palácio do Planalto daria margem para uma agenda liberal mais abrangente. Essa expectativa com a virada fez com que a bolsa subisse alguns dias seguidos — mas a estamina, ela de novo, não sustentou o índice. 

Leia Também

Para o pregão de hoje, o Ibovespa deve acompanhar o novo levantamento eleitoral da Abrapel/Ipespe e a prévia da inflação oficial. Vale destacar ainda que hoje começa a reunião do Copom, que deve anunciar a decisão de juros na próxima quarta-feira (26), o que deve injetar cautela extra na bolsa. 

Confira o que movimenta as bolsas, o dólar e o Ibovespa nesta terça-feira:

Além das eleições: prévia da inflação movimenta o Ibovespa 

Às 9h de hoje, o IBGE publica os dados do IPCA-15 de outubro, considerado uma prévia da inflação oficial. A parcial não deve influenciar na decisão de juros do BC de amanhã, mas pode dar novas pistas de como a autoridade monetária reagirá no futuro. 

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O índice de preços deve avançar 0,09% na comparação mensal da mediana das projeções de especialistas do Broadcast. Na base anual, a prévia da inflação deve permanecer em 6,78%, de acordo com o mesmo levantamento. 

Arrecadação e balanços mexem com a bolsa local

Além disso, a Receita Federal deve publicar os números da arrecadação federal em setembro, que deve cair de R$ 172,314 bilhões (leitura de agosto) para R$ 160 bilhões, na mediana das projeções. 

Por último, mas não menos importante, a temporada de balanços começa a ganhar tração. Veja o calendário completo dos balanços locais. 

Resultado da Petrobras

O mercado brasileiro deve reagir ao resultado da produção da Petrobras (PETR3;PETR4), divulgado na manhã de hoje

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A Petrobras encerrou o terceiro trimestre de 2022 com produção média comercial de 2,32 milhões de barris de óleo equivalente (boe, termo que abrange tanto a produção de petróleo quanto a de gás natural) por dia. Trata-se de uma queda de 6,9% na comparação com o mesmo período de 2021.

Somado a esse fato, a queda nas cotações do preço do petróleo também deve colocar pressão sobre as ações da estatal. O barril do Brent, utilizado como referência internacional, recua 1,09% pela manhã, cotado a US$ 90,22. 

Bolsas no exterior de olho nos balanços

Enquanto a temporada de resultados engatinha no panorama doméstico, os balanços lá fora já estão a todo vapor. Há uma grande expectativa para a avaliação do impacto da política monetária do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) no desempenho das companhias. 

A semana conta com balanços de grandes empresas de tecnologia, as chamadas big techs. Hoje é a vez do Twitter, Microsoft e Alphabet publicarem seus resultados (veja o calendário mais abaixo).

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Nas terras da rainha…

Somado aos balanços, a notícia que movimenta o exterior é de que o novo primeiro-ministro do Reino Unido, Rishi Sunak, deve ser conduzido ao cargo nesta terça-feira. Sua missão, porém, também não é das mais fáceis, apesar do otimismo que o ex-ministro das Finanças gerou nas bolsas ontem. 

Filho de imigrantes indianos, Sunak substitui Liz Truss, que passou 45 dias à frente do parlamento britânico após um plano econômico mal sucedido. Na avaliação de entidades do mercado, o novo primeiro-ministro deve permanecer mais conservador quanto às suas políticas. 

Bolsa hoje: agenda do dia

  • FGV: Confiança do consumidor (8h)
  • IBGE: IPCA-15 (8h)
  • Receita Federal: Arrecadação federal em setembro (10h30)
  • Ministério da Economia: Ministro da Economia, Paulo Guedes, participa do evento "Perspectivas Econômicas para o Cooperativismo", com o presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas (17h)
  • Primeiro dia da reunião do Copom

Balanços de hoje

Antes da abertura:

  • 3M (EUA)
  • Coca-Cola (EUA)
  • Twitter (EUA)
  • General Motors (EUA)
  • General Electric (EUA)

Após o fechamento:

  • Vivo (Brasil)
  • Microsoft (EUA)
  • Alphabet (EUA)
  • Visa (EUA)

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