Esquenta dos mercados: Bolsas no exterior aguardam com expectativa Livro Bege; Ibovespa acompanha debates sobre ICMS, combustíveis e Petrobras (PETR4)
Os investidores ainda esperam pela divulgação da atividade econômica medida pelo PMI de países como EUA e Brasil

Os investidores não se assustaram com as ameaças de “fatiamento” da privatização da Petrobras (PETR4) e a bolsa brasileira conseguiu reagir no final do pregão e encerrar o dia em alta. No acumulado de maio, o Ibovespa subiu mais de 3% e se consolidou como o melhor investimento do mês.
Na outra ponta, porém, está o bitcoin (BTC), que acumula perdas de mais de 40% desde o início do ano. Mas o dia está cheio o bastante para os investidores terem outras preocupações.
O primeiro dia do mês também marca o início do reajuste de carteiras, o que deve injetar alta volatilidade no cenário doméstico. Os debates envolvendo a cobrança do teto do ICMS também permanecem no radar após os estados proporem “dividir a conta” do limite de 17% com a União.
Lá fora, o destaque do dia é a publicação do Livro Bege, que traz as estimativas do Federal Reserve, o Banco Central americano, para a economia dos Estados Unidos. Dessa maneira, as bolsas amanheceram sem uma única direção hoje.
Confira o que movimenta as bolsas, o dólar e o Ibovespa nesta quarta-feira (1º):
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Um olho nas bolsas, outro na China
Os índices da Ásia e Pacífico fecharam sem uma direção definida. Pesou do lado negativo o fechamento no vermelho de Nova York e o índice do gerente de compras (PMI) industrial da China ainda indicando que a atividade está em contração.
Do outro lado da balança, o fato que animou os investidores nas últimas sessões é a reabertura de Xangai e uma série de medidas para estimular a economia na região.
Ainda, o presidente dos EUA, Joe Biden, reafirmou o compromisso com a independência do BC, apesar da reunião de ontem (31) levantar suspeitas sobre interferência do chefe da Casa Branca na autoridade monetária.
Demais bolsas pelo mundo
Os índices da Europa também operam sem um único sinal nas primeiras horas da manhã de hoje. Além do Livro Bege, os investidores também aguardam a participação da presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, em evento do BIS hoje.
De modo semelhante, os futuros de Wall Street também aguardam a divulgação do Livro Bege, após os investidores acompanharem o encontro de Joe Biden com o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell.
Biden e Powell: o saldo da reunião
O convite de Biden ao presidente do Fed veio como tema principal do encontro a inflação descontrolada. Os EUA enfrentam a maior inflação em mais de 40 anos e alguns analistas afirmam que o BC americano está “atrás da curva” para conter o avanço dos preços apenas com a elevação dos juros e redução do balanço patrimonial.
O medo de interferência, no entanto, se dissipou antes das portas do salão oval da Casa Branca se fecharem. Biden reafirmou que abaixar a inflação depende apenas de uma premissa: “respeitem o Fed”.
Esse fato deve aliviar os mercados hoje, que esperavam pressão do presidente americano para uma alta mais intensa dos juros. O Federal Reserve já informou que deve realizar o aperto monetário ao passo de 50 pontos-base por reunião — e deixou, por enquanto, o aumento de 75 pontos-base nos juros de lado.
Por aqui, combustíveis, ICMS e política mexem com Ibovespa
De volta às terras locais, a proposta de teto de 17% de cobrança do ICMS dos estados para energia e combustíveis é a pedra no sapato do Senado.
Para compensar a arrecadação, os secretários de Fazenda dos estados propuseram a taxação de empresas de petróleo, uma medida que envolveria um montante de até R$ 66 bilhões.
A ideia seria a criação de um fundo para garantir R$ 34 bilhões ainda este ano, que funcionaria fora do Orçamento e seria formado com até 40% das receitas vindas dos dividendos pagos pela Petrobras.
No outro lado, a perda de recursos da União seria compensada pela Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL), que passaria de 9% para 20% — de maneira temporária.
Petrobras, é com você
E mais um dia, uma das maiores estatais brasileiras e uma das maiores empresas da bolsa brasileira, é foco dos investidores.
Uma proposta tramita na Câmara para tornar a política de preços da Petrobras mais transparente. O texto ainda não tem data para ser votado, mas o conteúdo é apoiado pelo presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL) e inclui mudanças na política de paridade internacional dos preços da estatal.
Entretanto, essa última parte da proposta deve ficar de fora, tendo em vista o impacto da mudança para os investidores minoritários.
Em números
De acordo com a própria Petrobras, os preços na bomba de combustível são compostos por diversos impostos e taxas, além da realização de lucro da empresa.
Levando em conta o litro do combustível a R$ 7,25 — preço médio dos estados e do distrito federal —, a maior parte vai para realização da empresa (R$ 2,81) e a segunda maior parcela fica para a cobrança do ICMS (R$ 1,75).
As demais taxações se dividem entre o custo do etanol hidratado (R$ 1,04), distribuição e revenda (R$ 0,96) e impostos federais, como Cide, PIS/Pasep, etc (R$ 0,69).
Agenda do dia
- FGV: IPC-S de maio (8h)
- Banco Central: Presidente do BC, Roberto Campos Neto, palestra na BIS Green Swan 2022 Global Conference, em painel com Christine Lagarde e Villeroy de Galhau (BCE), Agustín Carstens (BIS) e YI Gang (PBoC) (8h)
- Fundo Monetário Internacional: Diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, discursa sobre riscos climáticos em evento do próprio Fundo (8h35)
- Brasil: PMI industrial de maio, medido pela S&P Global (10h)
- Estados Unidos: PMI industrial de maio, medido pela S&P Global (10h45)
- Estados Unidos: PMI industrial de maio, medido pela ISM (11h)
- Estados Unidos: Relatório Jolts de empregos em abril (11h)
- Estados Unidos: PMI industrial de maio, medido pela S&P Global/JPMorgan (12h)
- Estados Unidos: Fed divulga o Livro Bege (15h)
- Estados Unidos: Estoques de petróleo (17h30)
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