Ibovespa desacelera queda, mas permanece abaixo dos 102 mil pontos com dia negativo em NY; dólar avança
Bolsas americanas recuam após fala de um dirigente do Fed sobre a alta nos juros em março e apostas de que possa haver quatro aumentos das taxas em 2022

A segunda semana do ano se inicia com a piora do sentimento dos investidores, após uma entrevista do presidente da distrital do Federal Reserve de Richmond, Thomas Barkin, publicada no jornal The Wall Street Journal desta segunda-feira (10).
À publicação, o dirigente do Fed disse apoiar o tom mais agressivo do banco central americano contra a inflação e afirmou "ser concebível" uma alta da taxa básica de juros já na reunião de março.
Ao longo do ano, é esperado que o Fed eleve os juros ao menos três vezes, mas os analistas do Goldman Sachs já esperam quatro aumentos na taxa até o fim de 2022, posição que já tinha sido adotada pelo Citi na semana passada. As apostas de que a primeira alta já ocorra em março crescem no mercado.
Com isso, as bolsas americanas têm dia negativo, ao mesmo tempo em que os juros dos Treasuries, os títulos do Tesouro americano, operam em alta.
O clima pesado lá fora contamina o Ibovespa, que perdeu os 102 mil pontos e chegou a cair mais de 1% mais cedo. Com a desaceleração da alta dos juros nos Estados Unidos, o principal índice da B3 desacelerou a queda, mas continua no vermelho. Às 16h40, recuava 0,81%, aos 101.888 pontos. Já o dólar à vista opera em alta de 0,78%, a R$ 5,6753.
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A alta global do dólar e a disparada nas taxas dos títulos públicos americanos também pressionou os juros futuros por aqui. Hoje, os principais contratos de DI fecharam em alta. Veja o desempenho dos principais vencimentos:
- Janeiro/2023: de 11,987%, para 12,07%;
- Janeiro/2025: de 11,433%, para 11,505%;
- Janeiro/2027: de 11,317%, para 11,39%
Lá fora, o Dow Jones recua 0,88%, o S&P 500 tem baixa de 0,84%, e o Nasdaq cai 0,87%. As bolsas europeias fecharam em forte queda, acompanhando Wall Street. O índice pan-europeu Stoxx 600, que reúne as principais empresas do continente, terminou o pregão com perda de 1,48%.
Local segue ruim
O clima de tensão político-fiscal segue como pano de fundo do cenário doméstico brasileiro, o que aumenta a aversão ao risco e deve pressionar a bolsa nos próximos dias. A divulgação da inflação pelo IBGE na próxima terça-feira (11) deve colocar os investidores em certo compasso de espera.
De acordo com as projeções do Boletim Focus desta semana, a inflação deve encerrar 2022 na casa dos 5,03%, o que deve fazer a Selic fechar 2022 na casa dos 11,75% — um aumento em relação às estimativas da semana passada, que giravam em torno de 11,50%.
Plano fiscal
Já no que diz respeito às contas públicas, o programa de refinanciamento para micro e pequenas empresas (o chamado Refis) tem dado o que falar. Na semana passada, Bolsonaro vetou integralmente o projeto de lei que abriria mão de R$ 50 bilhões em dívidas do Simples Nacional e MEIs.
Além disso, a desoneração da folha de pagamento dos 17 setores que mais empregam na economia e o reajuste de apenas uma parcela dos servidores públicos levantaram um sinal de que o presidente estaria desrespeitando a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
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