STF forma maioria para manter sigilo das informações do programa de repatriação
A análise tem origem em uma ação proposta pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) em 2017.

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para manter o sigilo das informações de quem aderiu ao Regime Especial de Regularização Cambial e Tributária (RERCT) - o chamado 'programa de repatriação'.
Leia também:
- Varejo cresce 3%, ativado pelo setor de construção e supermercados
- Fundo Verde se protege no câmbio e diz que governo “falhou miseravelmente” em comprar vacinas
- MRV fecha 2020 com recorde de vendas, mas lucro cai 20,3%
O julgamento foi iniciado no plenário virtual, ferramenta que permite aos ministros analisarem os processos e incluírem os votos no sistema online sem necessidade de reunião física ou por videoconferência, e deve ser encerrado nesta sexta-feira, 5.
A análise tem origem em uma ação proposta pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) em 2017.
A sigla pedia que fossem declarados inconstitucionais os dispositivos da Lei de Repatriação (Lei nº 13.254/2016) que impedem o compartilhamento de informações dos contribuintes do programa com órgãos de controle, como Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e Tribunal de Contas. Na avaliação do partido, o 'sigilo ilimitado' dos dados dificulta a fiscalização tributária e o combate ao branqueamento de capitais.
Leia Também
Ao Supremo, o partido usou como exemplos investigados na Operação Lava Jato que teriam usado o programa para regularizar dinheiro de propina recebido no exterior, como o ex-gerente da Petrobrás Márcio Almeida Ferreira, segundo acusou o Ministério Público Federal (MPF).
Criado no governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), o programa de repatriação foi pensado para aumentar a arrecadação durante a crise econômica e fiscal e, ao mesmo tempo, regularizar a situação fiscal dos brasileiros com dinheiro e bens não declarados no exterior. Em suas duas fases de adesão, rendeu mais de R$ 48 bilhões aos cofres da União.
Entre os requisitos para aderir ao programa estavam o pagamento de 15% de imposto e 15% de multa sobre os valores declarados e a origem lícita do dinheiro. Em troca, o contribuinte era liberado de responder por crimes como sonegação, evasão de divisas e lavagem.
O ministro Luís Roberto Barroso, relator da ação, abriu os votos e se manifestou pela manutenção do sigilo. Na avaliação do ministro, as garantias oferecidas aos contribuintes que aderiram ao programa devem ser mantidas.
"Enquanto 'regras do jogo', devem ser, tanto quanto possível, mantidas e observadas, a fim de assegurar a expectativa legítima do aderente e proporcionar segurança jurídica na transação", escreveu.
Para o ministro, o programa de repatriação não diminui a transparência no combate à corrupção. "A adesão ao programa envolve a prestação de informações sensíveis que merecem proteção e não há qualquer limitação a que sejam fornecidas por determinação judicial, se for o caso", observou.
Em seu voto, Barroso defendeu ainda que o 'a mera circunstância de algumas pessoas se utilizarem do programa imbuídos de má-fé não o inquina de inconstitucionalidade'.
"A utilização de meios lícitos para o cometimento de delitos não é razão para proibi-los: pessoas usam o sistema bancário para lavar dinheiro, celebram contratos para praticar estelionato, valem-se de computadores para a prática de crimes cibernéticos etc. Nem por isso se pretenderá proibir a celebração de contratos ou o uso do sistema bancário ou de computadores", defendeu.
Até o momento, o relator foi seguido pelos colegas Cármen Lúcia, Edson Fachin, Gilmar Mendes, Rosa Weber e Dias Toffoli.
Apenas o ministro Ricardo Lewandowski abriu divergência. Ele apresentou uma proposta de ressalva ao sigilo: em caso de 'fundadas suspeitas' de origem ilícita as informações poderiam ser compartilhadas.
Para o advogado criminalista Marcelo Bessa, como as pessoas que aderiram ao regime já estavam contando com o sigilo, previsto na legislação, uma mudança de entendimento a essa altura poderia gerar instabilidade.
"Haveria uma quebra da previsibilidade da norma (caso a tese do PSB fosse aceita) e, a partir de agora, também geraria uma grande desconfiança em relação a qualquer norma que venha a ser editada pelo estado brasileiro. Isso seria péssimo para a imagem do país", explica.
"Felizmente o Supremo optou por manter a previsibilidade e a segurança jurídica para os contribuintes que decidiram regularizar sua situação. O sigilo era uma condição prevista no programa, até para atrair os contribuintes a participar e a corte reconheceu que essa situação excepcional foi necessária naquele momento", acrescenta Bessa, que é membro do Instituto de Garantias Penais.
SÍMBOLOS NACIONAIS
Dia da Independência do Brasil: a introdução desconhecida do Hino Nacional e a canção composta por D. Pedro I
7 de setembro de 2026 - 17:00Conteúdo Market Makers
Seus investimentos e patrimônio estão preparados para as Eleições 2026?
6 de setembro de 2026 - 9:00ELEIÇÕES 2026
Lula ironiza ingerência de Trump, Flávio acena a Tarcísio para 2030 e Caiado defende reforma no STF; confira o dia dos candidatos
4 de setembro de 2026 - 19:48ELEIÇÕES 2026
Datafolha: Lula lidera 1º turno e vence cenários de 2º turno, mas vê vantagem sobre Flávio Bolsonaro encurtar
3 de setembro de 2026 - 19:38O DIA NA POLÍTICA
Caso Master-Moraes segue reverberando nas eleições, a cautela de Lula e a batalha pelo voto feminino
3 de setembro de 2026 - 19:03ELEIÇÕES 2026
Ruído no STF traz volatilidade, mas UBS BB vê corrida presidencial aberta e polarização intacta
3 de setembro de 2026 - 13:41ELEIÇÕES 2026
Caso Master segue assombrando corrida eleitoral; acompanhe o dia dos presidenciáveis
2 de setembro de 2026 - 19:46ELEIÇÕES 2026
O dia na política: caso Moraes-Vorcaro incendeia a corrida eleitoral; TSE libera campanha de Renan Santos
1 de setembro de 2026 - 19:41BTG PACTUAL MACRO DAY 2026
Chega de aumentar impostos? Ministro da Fazenda conta os próximos passos do governo Lula para apertar o cinto dos gastos e frear juros
31 de agosto de 2026 - 13:00DISPUTA PRESIDENCIAL
Lula e Flávio Bolsonaro lideram nas eleições, mas Augusto Cury ganha terreno e chega ao 3º lugar, mostra pesquisa BTG Pactual/Nexus
31 de agosto de 2026 - 8:49DECISÕES EM BRASÍLIA
‘Taxa das blusinhas’ e escala 6×1 serão decididas nesta semana, a tempo de entrar na campanha eleitoral
30 de agosto de 2026 - 17:55ELEIÇÕES 2026
Cada vez mais acirrado: Lula e Flávio empatam no segundo turno, mas ainda são os candidatos à presidência mais rejeitados, mostra BTG/Nexus
24 de agosto de 2026 - 9:36ELEIÇÕES 2026
Primeiro Datafolha após início da campanha mostra empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro; confira os números
21 de agosto de 2026 - 19:05PERGUNTAS E RESPOSTAS
Eleições 2026: tudo o que você precisa saber sobre a votação, os candidatos e as pesquisas
20 de agosto de 2026 - 12:51DISPUTA PRESIDENCIAL
De olho nas eleições: maioria dos eleitores se considera mais ou menos antenada e deve acompanhar debates, mostra BTG/Nexus
17 de agosto de 2026 - 10:01GUIA DO ELEITOR
A campanha eleitoral começou: veja as regras, o que esperar até as eleições e a estreia dos candidatos nas ruas
16 de agosto de 2026 - 13:59Conteúdo Empiricus
Eleições 2026: disputa pode abrir espaço para buscar ganhos de até 586%; entenda
13 de agosto de 2026 - 14:00ELEIÇÕES 2026
Visão sobre economia piora, Lula descola de Flávio, mas empate ainda ronda disputa eleitoral, mostra BTG Pactual/Nexus
10 de agosto de 2026 - 9:16ELEIÇÕES NO RADAR
Flávio Bolsonaro promete regra fiscal para cortar despesas e rebate críticas sobre tarifaço de Trump
3 de agosto de 2026 - 12:31ELEIÇÕES 2026