Construtoras apresentam prévias operacionais fortes, apesar de restrições por causa da pandemia
Apesar dos lançamentos fracos, Cyrela viu crescimento nas vendas líquidas em comparação ao mesmo período do ano anterior; Direcional e Moura Dubeux bateram recordes de vendas

As prévias operacionais das construtoras no primeiro trimestre têm vindo fortes e vêm agradando os analistas, apesar da piora na pandemia de covid-19 em março.
O aumento das medidas de distanciamento social, notadamente no estado de São Paulo, chegaram a pesar sobre os lançamentos, mas os demais números conseguiram apresentar um bom crescimento, chegando a bater recordes, em alguns casos.
Na noite de ontem, Cyrela (CYRE3), Direcional (DIRR3) e Moura Dubeux (MDNE3) divulgaram as suas prévias, que foram bem avaliadas por analistas e chegaram a fazer as ações subirem pela manhã. Confira os principais números e a recepção do mercado:
Cyrela
O Valor Geral de Vendas (VGV) de lançamentos totalizou R$ 421 milhões no trimestre, queda de 60% ante o primeiro trimestre de 2020 e de 85% ante o quarto trimestre, muito em função do impacto do aumento das restrições por causa da pandemia. Foram lançados apenas seis empreendimentos no trimestre, contra 14 no mesmo período do ano passado.
As vendas líquidas contratadas, porém, totalizaram R$ 1,031 bilhão. Apesar de representar uma queda de 45% ante o quarto trimestre, o número representa um crescimento de 22% ante o primeiro trimestre do ano passado.
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A velocidade de vendas medida pelo indicador Vendas sobre Oferta (VSO) de lançamentos foi de 40,7%. O VSO relativo às vendas totais em 12 meses foi de 52,8%, maior do que os 51,1% do primeiro trimestre de 2020 e os 48,4% do quarto trimestre.
As ações da Cyrela (CYRE3) começaram o dia hoje em baixa, mas viraram para alta pouco depois da abertura, subindo 1,56% na máxima do dia. Porém, fecharam em queda de 0,47%, a R$ 25,51.
O que pensam os analistas
O Credit Suisse e o BTG Pactual consideraram as prévias sólidas/fortes, enquanto o Bank of America (BofA) as classificou como mistas, em razão dos lançamentos fracos. Mesmo assim, todos os analistas destacaram as boas vendas apesar do recrudescimento das medidas de distanciamento social.
O BTG considerou a velocidade de vendas “sólida” e que os lançamentos venderam “extremamente bem”, com 41% dos lançamentos do primeiro trimestre já vendidos. Mas lembrou que o VGV de lançamentos ficou 30% abaixo de sua estimativa inicial para o trimestre.
O BofA também observou que os lançamentos vieram abaixo das suas estimativas, mas disse esperar que ao menos parte dos lançamentos planejados para março sejam rolados para o segundo trimestre.
As três instituições financeiras recomendam compra para a ação da Cyrela. No caso do Credit Suisse, o papel é top pick (preferida) do setor de construção e tem preço-alvo de R$ 35.
O BTG destaca que as vendas líquidas vieram em linha com o esperado pelo banco e considera que a companhia combina um valuation atrativo, sendo negociada a 10 vezes o preço sobre o lucro projetado para 2021 e dividend yield de 8%, com tendência positiva e de alta nos lucros. O preço-alvo para o papel é de R$ 37.
Já o BofA diz que a demanda forte por moradia deve estimular o crescimento dos lucros, mas que se as medidas de restrição à circulação de pessoas se mantiverem por muito tempo, os números do segundo trimestre podem ser afetados. O banco considera que o valuation da Cyrela permanece atrativo, sendo a ação negociada a 9,7 vezes o preço sobre lucro projetado para 2022, versus um indicador P/L histórico de 15 vezes antes da pandemia para construtoras do segmento de alta renda, como é o caso da Cyrela.
Direcional
O Valor Geral de Vendas (VGV) dos lançamentos totalizou R$ 575 milhões no trimestre, crescimento de 311% ante o primeiro trimestre do ano passado, mas queda de 17% ante o quarto trimestre. Foram lançados oito empreendimentos no primeiro tri.
As vendas líquidas totalizaram R$ 515 milhões, alta de 73% na comparação anual e queda de apenas 1% em relação ao quarto trimestre de 2020. Segundo a companhia, trata-se de um recorde de vendas para um primeiro trimestre, mesmo com todas as restrições impostas pelos estados.
A velocidade de vendas medida pelo indicador Vendas sobre Oferta (VSO) foi de 17% no trimestre. A geração de caixa totalizou R$ 15 milhões no período, chegando a R$ 172 milhões em 12 meses.
A Direcional destacou ainda que seu programa de recompra de ações atingiu volume acumulado de R$ 45 milhões ao final do primeiro trimestre, e lembrou que, neste início de ano, a agência de classificação de risco S&P elevou seu rating doméstico para brAAA, nível mais alto da agência.
A controlada Riva apresentou crescimento de 141% nas vendas líquidas na comparação anual e de 29% ante o quarto trimestre, com VSO de 20% no trimestre, maior patamar da história do segmento. A empresa respondeu por 24% das vendas do grupo Direcional no primeiro trimestre.
As ações da Direcional (DIRR3) começaram o dia em alta e chegaram a subir 3,26% na máxima do dia. Porém, fecharam em queda de 1,29%, a R$ 13.
O que pensam os analistas
Tanto o Credit Suisse quanto o BTG consideraram as prévias operacionais da Direcional fortes, destacando os resultados da Riva. A estratégia de impulsionar os resultados da controlada foi considerada acertada pelos analistas. “O segmento de média renda Riva continua a nos impressionar, com vendas líquidas de R$ 122 milhões”, diz o relatório do BTG.
Os analistas do BTG destacaram ainda o VSO de 17% no trimestre, superior ao de 12% um ano antes, e a geração de caixa. Lembraram também que o VGV de lançamentos veio 36% acima das expectativas do banco.
Ambos os bancos mantêm recomendação de compra para a ação da Direcional (DIRR3), com preço-alvo de R$ 20 (Credit) e R$ 18 (BTG).
“Os resultados do trimestre vieram sólidos e acima das nossas expectativas, impulsionados principalmente pela aceleração das operações da Riva (as vendas estão crescendo a cada trimestre numa velocidade alta). O segmento Casa Verde Amarela permanece resiliente, com lançamentos sólidos também. Acreditamos que os números do primeiro trimestre mostram um ótimo início de ano e que a Direcional pode crescer bastante em 2021, enquanto aumenta sua lucratividade” - Relatório do BTG sobre a Direcional.
Moura Dubeux
O Valor Geral de Vendas (VGV) dos lançamentos brutos totalizaram R$ 109 milhões, queda de 79% ante o trimestre anterior, e os lançamentos líquidos totalizaram R$ 90 milhões, recuo de 80% na comparação trimestral. Foram lançados dois empreendimentos neste primeiro tri.
As vendas brutas chegaram a R$ 269 milhões, crescimento de 248% ante o primeiro trimestre de 2020, mas queda de 15% em relação ao quarto trimestre. Segundo a companhia, foi o melhor primeiro trimestre dos últimos seis anos em vendas e adesões brutas.
Já as vendas líquidas chegaram a R$ 244 milhões, alta de 273% na comparação anual, mas recuo de 15,7% frente ao trimestre anterior.
A velocidade sobre vendas no trimestre, medida pelo indicador Vendas sobre Oferta (VSO), foi de 63,3% para os lançamentos. Já o VSO líquido ajustado foi de 21%. O VSO líquido ajustado em 12 meses foi de 45,5%.
A geração de caixa da Moura Dubeux foi de R$ 14 milhões no trimestre, totalizando R$ 118 milhões nos últimos 12 meses, o que resultou numa dívida líquida negativa pela primeira vez desde o IPO.
As ações da Moura Dubeux (MDNE3) começaram o dia em alta, chegando a subir 4,92% na máxima do dia. No entanto, fechou em queda de 1,20%, a R$ 9,03.
O que pensam os analistas
O Credit Suisse considerou os números operacionais bons, com ligeira queda da velocidade de vendas no trimestre para 21%, mas ainda se mantendo em um nível elevado. “Começando 2021 com o pé direito, a empresa continua num ritmo consistente e com números saudáveis. As cifras também demonstram que a demanda no Nordeste continua forte, apoiando nossa visão positiva para a ação”, diz o relatório do banco. A recomendação é de compra, com preço-alvo de R$ 15.
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