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A Petrobras (PETR4 e PETR3) superou a expectativa dos analistas e atingiu uma das metas de endividamento, mas a tensão política segue no ar
Uma série de turbulências ronda a Petrobras (PETR3 e PETR4): das críticas em relação à política de preços às falas do governo quanto a uma eventual privatização no futuro, o contexto externo para a estatal é, no mínimo, conturbado. Mas, da porta para dentro, a empresa mostra que está tudo nos trinques — e o balanço do terceiro trimestre comprova o bom momento operacional e financeiro.
Veja a receita líquida da Petrobras: R$ 121,6 bilhões entre julho e setembro deste ano, alta de 72% em relação ao mesmo período do ano passado; a média das projeções de casas de análise consultadas pelo Seu Dinheiro apontava para uma receita menor, de R$ 116,8 bilhões.
O destaque, no entanto, fica com o lucro líquido de R$ 31,1 bilhões, quase 90% maior que o esperado pelo mercado — no terceiro trimestre de 2020, a Petrobras teve prejuízo de R$ 1,5 bilhão. O Ebitda de R$ 60,7 bilhões (+82% em um ano) ficou em linha com as estimativas.
É verdade que esse lucro reportado pela Petrobras teve alguns empurrõezinhos: houve uma reversão de provisões da ordem de R$ 16,4 bilhões, ligadas à revisão da curva de preços do petróleo em alguns campos — com a commodity mais cara, os ativos da estatal se valorizam. Ganhos tributários também turbinaram o resultado.
Mas, mesmo que esses efeitos não-recorrentes sejam excluídos do balanço, o lucro líquido da Petrobras ainda ficaria em R$ 17,4 bilhões, acima das expectativas dos analistas, de R$ 16,4 bilhões. Um sinal de que, de fato, a estatal trabalhou bem no trimestre.
Tanto é que a Petrobras conseguiu atingir uma de suas metas com mais de um ano de antecedência: com a receita líquida em alta e o fluxo de caixa de quase R$ 50 bilhões, ela fechou o trimestre com uma dívida bruta de US$ 59,6 bilhões; o objetivo era ficar abaixo de US$ 60 bilhões até o fim de 2022.
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Considerando os resultados fortes e o anúncio de pagamento de mais R$ 31,8 bilhões em dividendos — ou R$ 2,44 por ação —, é de se imaginar que o mercado teria uma reação positiva ao balanço. No entanto, em meio às ameaças do presidente Jair Bolsonaro, que constantemente dá a entender que deseja interferir na política de preços da estatal, os investidores seguem com um pé atrás.
Tanto é que, no after market de Nova York, os ADRs da Petrobras (PBR) apenas exibiam uma ligeira alta de 0,19% às 19h40 (horário de Brasília), a US$ 10,58. O balanço, assim, apenas neutraliza o dano causado mais cedo pelas declarações de Bolsonaro.
Mas analisemos os resultados da Petrobras (PETR3 e PETR4). A dinâmica do balanço foi influenciada, em grande parte, por dois fatores: o preço do petróleo e a cotação do dólar.
Como todos sabem, a commodity tem passado por um movimento de valorização no exterior — em relação ao segundo trimestre, por exemplo, o Brent subiu 5% —, o que puxa para cima o preço dos produtos vendidos pela empresa. E é nesse contexto que a receita líquida saltou 72% em um ano, chegando a R$ 121,6 bilhões.
"A receita com derivados no mercado interno foi 18,1% superior ao segundo trimestre, com destaque para as vendas de diesel, gasolina e combustível de aviação", destaca a Petrobras. Vale ressaltar que essa alta no mercado doméstico foi capaz de ofuscar a queda nas exportações da estatal.
Por outro lado, a forte alta do dólar impactou fortemente o resultado financeiro da empresa. Ao longo do terceiro trimestre, as variações cambiais e monetárias trouxeram uma perda de R$ 20,4 bilhões à Petrobras — a valorização da moeda americana faz com que a parcela dolarizada da dívida fique maior ao ser convertida para reais.
Mas, independente das dinâmicas externas, a Petrobras (PETR3 e PETR4) mostrou que segue perseguindo métricas operacionais eficientes. Os custos de exploração de petróleo na região do pré-sal — a especialidade da empresa — ficaram praticamente estáveis na comparação com o segundo trimestre e permaneceram abaixo da linha de US$ 3 por barril equivalente (boe).
Levando em conta a receita mais elevada e os custos operacionais sob controle, a Petrobras reportou um fluxo de caixa livre de R$ 47,2 bilhões — um dinheiro que foi usado pela estatal para antecipar o pagamento de dívidas e amortizar juros.
E, aqui, vem um detalhe importante do balanço: a Petrobras fechou o trimestre com uma dívida bruta de US$ 59,6 bilhões. Assim, a empresa cumpre uma de suas metas — a de atingir um endividamento bruto inferior a US$ 60 bilhões até o fim de 2022 — com mais de um ano de antecedência.
Em termos de dívida líquida, a Petrobras terminou o mês de setembro com US$ 48,1 bilhões, baixa de 9,6% em relação aos níveis vistos em junho; a alavancagem, medida pela relação entre endividamento líquido e Ebitda nos últimos 12 meses, recuou a 1,17 vez.
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