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Renato Carvalho

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Lucrativas, mas em baixa: Por que ações de Ultrapar, Via, B3, Inter, MRV e JBS caem após balanços?

Empresas apresentam crescimento em praticamente todos os indicadores de resultados, mas apresentam as maiores quedas do Ibovespa nesta quinta

Renato Carvalho
12 de agosto de 2021
13:27 - atualizado às 9:17
Bolsas aguardam balanços do dia
Imagem: Shutterstock

Esta quinta-feira, 12 de agosto, pode servir como exemplo da complexidade do mercado de ações, pelo menos no Brasil. Muitas das empresas que apresentaram seus (bons) resultados do segundo trimestre na noite de ontem apresentam fortes quedas hoje.

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Por ordem de desempenho negativo, estão nesta lista Ultrapar (UGPA3), Via (VVAR3), B3 (B3SA3), Banco Inter (BIDI11), MRV (MRVE3) e JBS (JBSS3).

Mas o que pode provocar este tipo de reação? Os lucros estão em trajetória ascendente, os resultados operacionais também são sólidos, tudo isso segundo os analistas. Além de um comportamento, em geral, mais cauteloso do mercado, alguns pontos podem ajudar a desvendar essa aparente contradição.

Ultrapar

O pior desempenho do Ibovespa é também o mais fácil de ser explicado. Além dos números considerados fracos no segundo trimestre, a Ultrapar, que tem como fonte principal de resultados a rede de postos de combustíveis Ipiranga, parece não dar sinais de que vai mudar o cenário nos próximos balanços. Perto das 13 horas, a ação (UGPA3) caía mais de 12%.

O Ebitda ajustado da holding ficou 25% abaixo das expectativas do mercado, segundo ressalta o UBS em relatório. Mas o problema está principalmente nas perspectivas. “A Ultrapar ainda não apresenta sinais de que possa se aproveitar do maior foco em distribuição de combustíveis, depois da venda da Extrafarma e das conversas para se desfazer da Oxiteno”.

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Ainda segundo o banco, a rede Ipiranga tem registrado margens piores que seus concorrentes, “e quando se faz uma comparação, não vemos um caminho na direção da lucratividade, como acontece com outras distribuidoras”.

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Via

A XP classifica os números da Via, dona das redes Casas Bahia e Ponto (antiga Ponto Frio), como “mistos”. Isso porque houve uma forte melhora nos números do marketplace, antes considerado o ponto fraco em relação aos concorrentes, mas as despesas operacionais pressionaram o Ebitda. A ação (VVAR3) cai cerca de 7%.

Mas mesmo a melhora no marketplace ainda fica abaixo do ritmo de alguns concorrentes. A XP ressalta que o volume bruto de mercadorias vendidas online (GMV, na sigla em inglês) cresceu 20% em um ano, ante 44% de aumento do Mercado Livre.

A recuperação da economia e o ambiente de e-commerce cada vez mais competitivo também podem impactar a ação da Via no curto prazo, dizem os analistas da XP.

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Veja neste vídeo cinco ações para ficar de olho e que podem impulsionar sua carteira:

Banco Inter

O Inter, segundo os analistas, tem um fator importante. Os investidores antecipam boa parte do balanço logo após a divulgação das prévias operacionais. E quando vemos a trajetória da Unit BIDI11, essa teoria se confirma.

Há exatamente um mês, quando divulgou números como base de clientes e carteira de crédito, a Unit do Inter teve alta de 3,5%. Menos de 10 dias depois, no dia 21 de julho, atingiu um pico histórico, fechando muito perto de R$ 85.

Hoje, com a queda de mais de 6%, o papel vale pouco mais de R$ 67. Mas por que essa reação tão negativa?

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Um ponto de preocupação levantado pelos analistas do UBS é a chamada ARPU, ou receita por cliente. Houve queda de 3% neste indicador em relação ao primeiro trimestre, número que não aparece na prévia.

“As receitas sobre os ativos totais caíram de 9,5% para 8,6% em três meses. O faturamento com marketplace teve sólido crescimento de 36% no período, mas a alta foi impulsionada por intensas promoções de cashback, que ficaram em 7,8%, em média”, ressalta o UBS.

B3

Outra que também divulga prévias regularmente é a B3. Assim, números como receitas e lucro dificilmente surpreendem o mercado, que logo após a divulgação dos resultados, procuram por outros indicadores que podem fazer diferença nos próximos trimestres.

E no caso da operadora da Bolsa brasileira, há um movimento claro: a empresa revisou para cima sua projeção de custos operacionais para 2021, de um intervalo entre R$ 1,225 bilhão e R$ 1,275 bilhão para um valor de R$ 1,295 bilhão até R$ 1,345 bilhão.

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No segundo trimestre, as despesas ficaram acima do esperado pelo BTG Pactual. Os analistas ressaltam que a revisão no guidance tem como base os investimentos na expansão dos negócios pela B3.

No entanto, o banco reforça a recomendação de compra da ação, que hoje cai cerca de 4%, exatamente por conta do preço, considerado barato pelos analistas.

MRV

A ação da MRV (MRVE3) cai cerca de 3% hoje, continuando a tendência das últimas semanas, já que o papel cai quase 20% em um mês.

Além do aumento nas taxas de juros, que pressiona o setor de construção como um todo, os resultados da MRV mostram quedas nas margens, causadas pelo aumento dos preços dos insumos, como explica a Ativa Investimentos.

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Os analistas destacam que a demanda ainda alta por imóveis faz com que a construtora mantenha um forte crescimento nas vendas, enquanto busca alternativas para compensar o maior preço de materiais, principalmente do aço.

JBS

Outra que apresentou crescimento no lucro, mas a ação também recua mais de 3%. O foco dos investidores no balanço da JBS parece ter ficado principalmente nas margens pressionadas das operações brasileiras.

No entanto, a visão dos analistas para o futuro é positiva. O Credit Suisse admite que as margens das unidades Seara e JBS Brasil estão baixas, pressionadas pelos custos dos insumos. Mas acreditam que o real depreciado pode ajudar a aliviar o impacto destas despesas, e a recuperação da economia também deve ajudar.

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