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Victor Aguiar

Victor Aguiar

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.

Ações para ficar de olho

Quer investir em Itaú e XP? A Itaúsa (ITSA4) te dá exposição indireta — e está com preço descontado na bolsa

A Itaúsa (ITSA4) é uma holding de investimentos com posições relevantes no Itaú e na XP, mas que também tem fatias da Alpargatas e da Dexco

Victor Aguiar
Victor Aguiar
18 de novembro de 2021
6:12 - atualizado às 6:17

Se você deseja ser acionista da XP e acredita que suas ações têm espaço para continuar crescendo, há dois caminhos tradicionais: abrir uma conta numa corretora estrangeira e comprar os papéis negociados na Nasdaq ou adquirir os BDRs que são negociados na B3. Mas, se nenhuma dessas alternativas te agrada, há uma terceira saída — as ações PN da Itaúsa (ITSA4). No vídeo abaixo, nós explicamos um pouco mais sobre a tese de investimento nessa empresa:

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A holding de investimentos, afinal, é dona de 559 milhões de ações da XP, o que equivale a 15,1% do capital social da empresa fundada por Guilherme Benchimol — uma fatia que, sozinha, vale mais de R$ 18 bilhões. Assim, comprar os papéis da Itaúsa oferece uma exposição indireta à XP e a muitas outras companhias.

E isso porque a Itaúsa possui participações relevantes em muitos outros negócios. O mais conhecido, naturalmente, é o Itaú (ITUB4) — ela é dona de 37,3% do banco. Mas a holding também possui investimentos relevantes em empresas como Dexco (DXCO3), Alpargatas (ALPA4) e Aegea Saneamento, apenas para citar alguns.

É um negócio semelhante ao que Warren Buffett conduz na Berkshire Hathaway: uma empresa que adquire participação em outras empresas, e vai administrando o seu portfólio de investimentos ao longo do tempo. Vendas de posição, compras de novas fatias, operações de fusão e aquisição — o sucesso depende da habilidade dos administradores para montar posição em empreendimentos bem-sucedidos.

E, de fato, as escolhas da Itaúsa têm sido certeiras. XP, Itaú, Alpargatas e Dexco tiveram resultados bastante fortes no terceiro trimestre deste ano, mostrando bastante resiliência num ambiente econômico turbulento; entre as empresas privadas, a Aegea destaca-se pelo rápido avanço no setor de saneamento.

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Essas são as sete empresas cujo investimento da Itaúsa é mais relevante; Itaú e XP são, de longe, as mais pesadas em termos de valor de mercado

Itaúsa (ITSA4): investindo numa holding

Se somarmos o valor de mercado de todos os investimentos da Itaúsa ao fim do terceiro trimestre, chegamos à cifra de R$ 118,4 bilhões. O valor de mercado da empresa ao fim de setembro, no entanto, era menor: cerca de R$ 93,6 bilhões. Por que ela não corresponde à soma das partes?

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É o chamado desconto de holding: como é necessário ter toda uma estrutura operacional e administrativa para gerenciar esse tipo de negócio, suas ações e seu valor de mercado passam por uma correção negativa. Questões tributárias que incidem sobre a empresa também provocam esse efeito.

Outro ponto relevante do desconto é o risco associado a esse tipo de negócio. Holdings investem em várias empresas, e é de se esperar que alguns dos empreendimentos tenham desempenhos melhores que outros — no caso da Itaúsa, a NTS teve um trimestre particularmente fraco. Assim, o risco de que algum dos investimentos não vá tão bem acaba desencadeando um desconto adicional.

Comparando o valor de mercado da Itaúsa com a soma dos valores de suas participações, chegamos a uma taxa de desconto de 20,9% — quanto menor essa porcentagem, mais próximos estão os dois dados. A Itaúsa considera que essa taxa é excessivamente alta, embora ela estivesse ainda mais elevada no passado recente; ao fim do segundo trimestre, ela era de 23,9%.

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ITSA4: ações descontadas

Dito isso, o desempenho das ações PN da Itaúsa (ITSA4) está bastante fraco: queda de 12,5% desde o começo do ano, abaixo do próprio Ibovespa, que recua pouco mais de 11%. O comportamento chama ainda mais a atenção porque Itaú PN (ITUB4), Alpargatas PN (ALPA4), Dexco ON (DEXC3) e XP estão todos com desempenhos melhores — ou possuem baixas menos intensas, ou acumulam ganhos em 2021.

Esse mau desempenho de ITSA4 é apontado por muitos analistas como um potencial ponto de entrada, dado o bom momento vivido pelas empresas em que ela tem investimento — seu lucro líquido cresceu 32,4% em um ano, chegando a R$ 2,4 bilhões ao fim do terceiro trimestre.

Em termos de valuation, ITSA4 é negociada abaixo de sua média de três anos, de acordo com dados do TradeMap:

  • Preço/lucro: 6,7x atualmente, 8,7x projetado para 2022 (média de três anos de 10,9x);
  • EV/Ebitda: 6,1x atualmente (média de três anos de 9,4x).

Ainda de acordo com o TradeMap, ITSA4 possui 8 recomendações de compra e 3 neutras, com preço-alvo médio de R$ 13,66 — o que representa um potencial de alta de 35% em relação às cotações atuais.

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Para saber com mais detalhes sobre a tese de investimento em Itaúsa e a dinâmica de suas participações em outras empresas, basta dar play no vídeo abaixo:

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