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Frigorífico fecha ano com lucro líquido recorde e alavancagem historicamente baixa, com China e EUA compensando desempenho no Brasil
Em 23 de março do ano passado, o Seu Dinheiro publicou uma entrevista exclusiva com o então novo CEO da Marfrig (MFRG3), Miguel Gularte, abordando os desafios que a covid-19 poderia trazer para a companhia (você pode ler a matéria clicando aqui).
A conversa ocorreu uma semana após ele assumir o comando de uma das maiores produtoras de proteína animal do mundo e bem no auge da pandemia, com o Brasil tomando as primeiras medidas para conter o vírus, incluindo restrições à circulação de pessoas e o fechamento de comércios, bares e restaurantes.
Na ocasião, sem que ninguém tivesse qualquer ideia do que iria acontecer, Gularte demonstrou calma e certo otimismo, afirmando que a Marfrig estava preparada para qualquer cenário. Uma declaração corajosa para o momento, considerando o ineditismo da situação que o mundo enfrentava. Só que ela não foi baseada em empáfia, mas numa interpretação lúcida e correta do que estava acontecendo e da posição em que a companhia estava.
Ele argumentou na ocasião que a Marfrig, por prestar um serviço essencial, não teria suas atividades paralisadas. E disse que a empresa seguiria com força total, atendendo inclusive a crescente demanda vinda do exterior, priorizando as vendas para a China.
Olhando para os resultados de 2020, vemos que ele foi certeiro em sua avaliação. A Marfrig fechou o ano com lucro líquido recorde de R$ 3,3 bilhões, o que a permitiu retomar a distribuição de dividendos (prevista para ocorrer apenas em 2022), e encerrou com o menor nível de alavancagem financeira de sua história.
“Se você olha o ano, a gente não gostaria de dizer que foi um ano para comemorar, porque neste ambiente de pandemia ninguém consegue fazer uma comemoração 100% efetiva, mas do ponto de vista econômico e operacional, a empresa teve um ano fantástico”, afirmou Gularte em nova entrevista exclusiva ao Seu Dinheiro. “Não tivemos que parar fábrica por conta da covid-19. A gente conseguiu ter sucesso em proteger o nosso trabalhador de uma forma efetiva.”
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Com a manutenção da disciplina de gastos adotada nos últimos anos, a Marfrig projeta mais um ano positivo em 2021, novamente puxada pelo enorme apetite dos chineses e pelas operações nos Estados Unidos. Já no Brasil, a expectativa é de uma lenta recuperação, com a oferta restrita de gado melhorando somente a partir do segundo semestre, proporcionando algum alívio às margens das operações locais.
Por mais que a Marfrig preste um serviço essencial, o que por si só é argumento suficiente para não ter suas operações interrompidas, era preciso garantir que não houvesse surtos de covid-19 nas fábricas, como ocorreu com outras companhias do segmento. Para isso, a companhia intensificou os cuidados com a higiene nos locais e estabeleceu um protocolo rígido de conduta no Brasil. “Nosso protocolo começou com dez, 12 páginas, e terminou com 72”, contou o Gularte.
Um fator que ajudou foi o fato de a companhia ter fábricas nos Estados Unidos. A operação americana, segundo o executivo, conseguiu passar pela pandemia sem paralisar totalmente suas atividades, resultando em uma série de ensinamentos que foram replicados por aqui.
“Apesar de ser uma situação inédita, desafiadora e com pouca informação disponível, olhando em retrospectiva, a Marfrig tinha informação bastante acurada do que tinha ocorrido nos Estados Unidos, com nossa operação tendo êxito no contexto da pandemia”, disse.
Ao mesmo tempo que conseguia manter as fábricas funcionando, a Marfrig foi se adaptando à nova realidade, realizando ajustes na produção. No Brasil, ela atua em duas frentes: no chamado food service — a cadeia da alimentação fora do lar — e nas vendas diretas ao varejo, em mercados e lojas.
Por mais que a parte de food service represente um percentual pequeno de seu negócio no país, algo em torno de 7%, a empresa decidiu inicialmente reduzir ainda mais a sua exposição ao setor e direcionar os produtos para o atacado, para as grandes redes de supermercados e varejo, que viram um aumento da demanda, num primeiro momento, pelas pessoas buscando itens essenciais, e depois em função do auxílio emergencial.
Ao longo do tempo, o food service começou a dar alguns sinais de melhora, graças ao aumento da demanda por serviços de delivery. E aqui a Marfrig contou com um pouco de sorte, porque se aproveitou dos investimentos que fez em produtos industrializados nos últimos anos, que têm maior valor agregado e margens na casa dos dois dígitos. A empresa é a maior produtora de hambúrgueres do mundo, com uma capacidade de produzir 240 mil toneladas de hambúrguer por ano, o que resulta em 2,4 bilhões de disquinhos de carne.
“Isso se mostrou um produto de crescimento exponencial durante a pandemia, explicado pelo aumento do delivery. Chega bem, chega com qualidade”, disse Gularte.
“Estávamos no lugar certo na hora certa, graças a investimentos anteriores.”
Apesar de ser uma empresa brasileira, com o país tendo sua importância para as vendas, não foi o mercado interno que levou a Marfrig a registrar os ótimos resultados de 2020. Quem fez isto foi o mercado externo, especificamente China e Estados Unidos.
O gigante asiático aumentou significativamente a importação de carne em 2020, especialmente mais para o final do ano. E com o dólar em condições favoráveis para os exportadores, quem tinha frigorífico habilitado passou a direcionar a proteína para a China.
Os chineses foram responsáveis por fazer a receita das operações da Marfrig na América do Sul alcançar o valor recorde de R$ 5,6 bilhões no quarto trimestre. As exportações representaram 61% da receita da operação, com mais da metade das receitas de exportação vinda da China.
“Nós tínhamos o mundo se recuperando, com a China, maior demandante, voltando a comprar, e a Marfrig com o maior número de plantas habilitadas para a China da América do Sul, 13, sendo sete delas no Brasil, quatro no Uruguai e duas na Argentina”, afirmou Gularte.
“Estávamos totalmente habilitados a captar esta retomada econômica na China, grande importador de 2020, no momento certo.”
A demanda chinesa ajudou a Marfrig a contornar o problema provocado pela falta de animais para abate no país. Essa escassez, junto com o apetite chinês e o pagamento do auxílio emergencial, foi responsável por encarecer o preço da carne ao longo de 2020. A empresa sentiu um aumento de 42% do custo do gado no Brasil no final do ano passado, que pressionou tanto a margem bruta quando a margem do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) do período.
O segundo fator que levou aos bons resultados de 2020 foi a América do Norte, novamente graças a investimentos feitos no passado. Em 2018, a Marfrig comprou uma participação majoritária na National Beef, quarta maior empresa produtora de carne bovina dos Estados Unidos, aumentando essa fatia para quase 82% em 2019.
O resultado não poderia ter sido melhor. Com demanda em alta e ampla oferta de gado, a operação na América do Norte alcançou volume recorde de vendas no quarto trimestre pelo segundo trimestre consecutivo, respondendo por 62% das vendas totais da Marfrig no período e 78% do Ebitda consolidado.
Com exportações da América do Sul e o desempenho da América do Norte, a receita líquida em dólares e outras moedas representou 92% da receita total do frigorífico, um aspecto importante em meio à volatilidade do real.
A Marfrig de fato conseguiu navegar bem os efeitos da pandemia de covid-19, beneficiada pela demanda chinesa e os resultados nos Estados Unidos, além de não ter tido que paralisar suas operações como outros setores.
Mas ela também aproveitou as consequências da adoção de medidas para fortalecer sua posição financeira e rentabilidade. Desde 2018, a administração vem conduzindo um processo de desalavancagem financeira, reorganização de passivos e implementando melhorias operacionais.
Por meio de controle de gastos, investimentos apenas em manutenção, crescimento orgânico e emissão de dívidas com custos mais baixos e recompra de papéis mais caros, a dívida líquida fechou o quarto trimestre em US$ 2,9 bilhões, uma redução de 4,7% em relação à dívida do terceiro trimestre, com o índice de alavancagem proforma em 1,60 vez em dólares e 1,57 vez, os patamares mais baixos da história.
Ela também colheu os efeitos da decisão, tomada em 2019, de descontinuar várias fábricas improdutivas, segundo Gularte. “A gente concentrou em 11 fábricas o que fazíamos em 14 e melhoramos as instalações, levando a uma produção de maior de valor agregado e habilitações”, disse.
Depois de chegar até aqui, acho que a pergunta que está na sua cabeça é: será possível repetir a dose em 2021? Perguntei a mesma coisa para o CEO da Marfrig e parece que teremos um 2021 parecido com o que foi visto em 2020.
A começar pela China, que deve continuar comprando muita carne da América do Sul. “O Brasil é maior exportador de carne para a China. A China importava 400 mil toneladas, passou a importar 800 mil, no ano passado importou 1,6 milhão e nesse ano deve chegar 2 milhões de toneladas. Ela vai seguir sendo um grande player”, disse Gularte.
“Seguramente vamos seguir tendo um cenário de dólar alto frente ao real e nós, como exportadora, vamos continuar aproveitando e capitalizando essa possibilidade.”
O bom momento também deve se manter nos Estados Unidos, segundo ele, considerando ainda o fato de que os americanos estão muito acelerados no processo de vacinação da população contra a covid-19, permitindo a retomada da economia, e os efeitos do pacote de ajuda de US$ 1,9 trilhão aprovado pelo presidente Joe Biden.
E o Brasil? Bem, por aqui a situação é um pouco mais complicada. As margens devem seguir pressionadas neste começo de ano, também por conta da falta de boi. “Quando começou 2021, não tinha mais o auxílio, a arroba do boi seguia corrigindo, não por um problema de uma demanda maior que a oferta, mas porque a oferta se encontrava reduzida por aspectos climáticos”, disse o CEO da Marfrig.
A expectativa é de que esta escassez de gado melhore a partir do segundo semestre, após os produtores terem investido em aumentar o rebanho, segurando animais mais novos e as vacas. Enquanto isso, a empresa vai compensando a situação exportando carne para a China e colhendo os benefícios dos investimentos em produtos processados.
E por mais que esteja em uma situação mais confortável financeiramente, a Marfrig não tem em vista nenhuma aquisição relevante em seu radar. O único investimento grande programado é o início da construção de uma fábrica no Paraguai, um país onde ela não tem operações.
“Estamos priorizando o crescimento orgânico. Seguimos expandindo as fábricas que têm mais capacidade de abate, com um capex muito agressivo na área de industrializados. Queremos seguir crescendo em produtos industrializados porque são produtos com margem maior, de dois dígitos, e porque tem um consumo mais estável - consequentemente, um resultado mais estável”, afirmou Gularte. “Esse é o foco hoje, não temos no pipeline nenhuma aquisição relevante prevista.”
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