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Ricardo Gozzi

É jornalista e escritor. Passou quase 20 anos na editoria internacional da Agência Estado antes de se aventurar por outras paragens. Escreveu junto com Sócrates o livro 'Democracia Corintiana: a utopia em jogo'. Também é coautor da biografia de Kid Vinil.

CARONA DE VOLTA

Didi, dona da 99, anuncia saída da bolsa de Nova York com empresas chinesas na mira da SEC

Decisão foi tomada depois de a CVM dos EUA ter avançado na implementação de uma lei que permite a ela remover empresas estrangeiras que não atendam a pedidos de informação

Ricardo Gozzi
3 de dezembro de 2021
6:46 - atualizado às 9:07
Imagem: Shutterstock

A gigante chinesa Didi anunciou hoje o início dos procedimentos para deixar a bolsa de valores de Nova York (Nyse) e pegar uma carona de volta pra casa, possivelmente para Hong Kong.

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O anúncio ocorre menos de seis meses depois de a gigante tecnológica chinesa, proprietária do maior aplicativo da China - e consequentemente um dos maiores do mundo -, ter estreado no mercado de ações dos EUA.

Desde a abertura do capital em Nova York, em 30 de junho, as ações da Didi, que no Brasil é dona do aplicativo 99, caíram 44%. Na quinta-feira, o papel chegou ao fim da sessão na Nyse cotado a US$ 7,80.

Decisão 'criteriosa'

A Didi informou que a decisão foi adotada depois de uma análise "criteriosa" de sua situação.

O preço das ações da empresa começou a cair mais acentuadamente na semana passada, mas o papel já enfrentava dificuldades desde poucos dias depois de seu badalado IPO.

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No início de julho, o governo chinês proibiu novos downloads do aplicativo de caronas da Didi no país, o que fez com que as ações desabassem e não se recuperassem mais.

Leia Também

A legislação da discórdia

A situação complicada do papel, porém, está longe de ser o único motivo

O anúncio de hoje veio à tona horas depois de a SEC, equivalente norte-americano da CVM, ter avançado na implementação de uma lei que permite a ela remover empresas estrangeiras que não atendam aos pedidos de informação de autoridades dos EUA.

A lei em questão foi aprovada no ano passado depois de autoridades reguladoras chinesas terem se negado a atender a pedidos de seus pares norte-americanos para supervisionar as auditorias das empresas do país asiático listadas em Nova York.

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Ao mesmo tempo, as autoridades chinesas temem que os reguladores chineses requisitem dados pessoais usuários e seus deslocamentos pelo aplicativo.

US$ 1,1 trilhão em risco

A saída de empresas chinesas dos mercados de ações dos EUA pode colocar em risco US$ 1,1 trilhão aplicado por investidores. Segundo o Asia Financial, estima-se que cerca de 250 empresas chinesas listadas em bolsas americanas serão obrigadas a deixar o país nos próximos três anos.

Juntas, essas empresas têm US$ 2,1 trilhões em valor de mercado. Desse total, os investidores americanos possuem US$ 1,1 trilhão em ações chinesas e mais US$ 100 bilhões em ativos de dívida.

O fechamento do capital da Didi coloca em risco, por exemplo, as enormes participações detidas pela SoftBank e pela Uber, que juntas possuem mais de 30% da Didi, de acordo com a FactSet.

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*Com informações da CNBC e do Asia Financial.

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