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Fechou bem o ano

Petrobras tem lucro de quase R$ 60 bi no 4º trimestre e anuncia R$ 10 bi em dividendos

Alta extraordinária de 635% no lucro teve influência de itens não recorrentes de peso, mas mesmo o lucro recorrente totalizou R$ 28 bilhões, alta de 120% na comparação anual; em 2020, estatal lucrou R$ 7,1 bilhões, queda de 82% em relação a 2019

Petrobras
Plataforma da Petrobras. - Imagem: Geraldo Falcão/Agência Petrobras

A Petrobras teve um lucro líquido de R$ 59,9 bilhões no quarto trimestre de 2020, uma alta de quase 635% ante o mesmo período de 2019, devido, sobretudo, a dois itens não recorrentes de grande peso. Entretanto, considerando-se apenas o lucro líquido recorrente, o resultado ainda foi positivo e bastante superior aos cerca de R$ 5 bilhões esperados pelo mercado, totalizando R$ 28 bilhões, alta de 120% na comparação anual.

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Os dois itens não recorrentes que impulsionaram o lucro no trimestre foram uma reversão de impairment (registro contábil de deterioração de ativos) no valor de R$ 31 bilhões e a reversão de gastos passados do plano AMS, no valor de R$ 13,1 bilhões, decorrente da revisão de obrigações futuras da empresa. A Petrobras registrou, ainda, ganhos cambiais no valor de R$ 20 bilhões.

A receita de vendas totalizou R$ 75 bilhões no trimestre, queda de 8,3% em comparação ao mesmo período do ano anterior, mas ficou ligeiramente acima da média das projeções dos analistas, segundo a Bloomberg.

O Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) totalizou R$ 47 bilhões no período, alta de 28,8% ante o quarto trimestre de 2019, e o Ebitda ajustado recorrente somou R$ 35 bilhões, queda de 5,8% na comparação anual. A média das projeções do mercado era de R$ 30 bilhões.

O fluxo de caixa operacional totalizou R$ 37,7 bilhões no trimestre, alta de 22,8% em comparação com mesmo período do ano anterior. Em 2020, o FCO somou R$ 148,1 bilhões, alta de 45,5% na comparação anual.

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Queda do barril de petróleo e câmbio pesaram no resultado anual

No ano de 2020, a Petrobras registrou um lucro líquido de R$ 7,1 bilhões, 82% a menos que em 2019. Já o lucro líquido recorrente foi de R$ 13,2 bilhões, queda de 64,2% ante o ano anterior.

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Segundo a companhia, a queda no lucro anual se deveu à redução de 35% no preço do petróleo tipo Brent em dólares, maior impairment, menores ganhos com desinvestimentos e desvalorização de 31% do real em relação ao dólar.

"Por outro lado, as iniciativas que aumentaram a resiliência e eficiência e a continuidade do trabalho de redução do endividamento contribuíram para compensar parcialmente os impactos da crise", diz o relatório de resultados, que cita como exemplos ganhos tributários, redução de despesas e juros menores sobre as dívidas.

A receita líquida somou R$ 272 bilhões em 2020, 10% a menos que em 2019. O Ebitda ajustado foi de R$ 143 bilhões em 2020, alta de 10,6% em relação a 2019. Já o Ebitda ajustado recorrente totalizou R$ 127 bilhões, queda de 5,7% ante o ano anterior.

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Redução no endividamento

A Petrobras conseguiu reduzir bastante seu endividamento, segundo a companhia, em razão de suas "sólidas iniciativas de geração de caixa e resiliência".

A dívida bruta da companhia atingiu US$ 75,5 bilhões, 13% inferior à meta de US$ 87 bilhões para 2020. O prazo médio da dívida aumentou de 11,19 anos para 11,17 anos.

A dívida bruta também reduziu 5,1% na comparação trimestral, em relação a 30 de setembro de 2020, principalmente em função de recompras no mercado de capitais e pré-pagamentos no mercado bancário.

Assim, a relação entre a dívida bruta e o Ebitda ajustado da companhia reduziu de 2,80 vezes em 30 de setembro de 2020 para 2,66 vezes em 30 de dezembro de 2020.

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A dívida líquida viu uma queda de 4,6% no trimestre, atingindo 63,2 bilhões. A relação dívida líquida/Ebitda ajustado diminuiu de 2,33 vezes em 30 de setembro de 2020 para 2,22 vezes em 30 de dezembro de 2020.

Vem dividendo por aí

A Petrobras anunciou, agora à noite, que seu Conselho de Administração aprovou, em reunião realizada hoje, a distribuição de dividendos aos acionistas no valor de R$ 10,3 bilhões, referentes aos resultados de 2020.

Cada investidor receberá o equivalente a R$ 0,787446 por ação ordinária e preferencial em circulação. O pagamento será feito no dia 29 de abril de 2021 para quem tiver posição acionária na B3 no dia 14 de abril de 2021 ou posição em ADRs na bolsa de Nova York no dia 16 de abril de 2021. Todos os valores serão atualizados pela variação da taxa Selic de 31 de dezembro até a data do pagamento.

Do valor a ser pago, R$ 5,7 bilhões são referentes à destinação do resultado do exercício de 2020, e R$ 4,6 bilhões são oriundos da conta de reserva de retenção de lucros.

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"O dividendo proposto, superior ao mínimo obrigatório, foi possibilitado pela forte geração de caixa alcançada pela companhia em 2020 e está alinhado ao compromisso de geração de valor para os acionistas", diz comunicado ao mercado divulgado pela estatal.

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