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O que fez a curva de juros norte-americana empinar tanto nos últimos meses e de uma maneira tão vigorosa nos últimos dias?
Nos últimos dias, forças externas mexeram com os mercados globais e nosso querido Brasil não ficou alheio a este ataque.
Quem diria, os juros americanos voltaram a dar as caras e mexer com as alocações de investimentos ao redor do mundo.
Para quem está por fora do assunto, os juros norte-americanos de 10 anos, considerados como a principal referência de um título público sem risco de calote, subiram expressivamente nas últimas semanas e romperam o patamar de 1,5% ao ano, nível que não atingiam desde o início da pandemia em março de 2020.
A grande preocupação com uma recessão econômica global e a grande incerteza em relação a uma retomada da atividade produtiva fizeram com que esta taxa, conhecida também como Treasuries de 10 anos, chegasse a 0,50% ao ano em agosto de 2020, um dos menores pontos na sua história.
Mas então o que fez esta curva empinar tanto nos últimos meses e de uma maneira tão vigorosa nos últimos dias?
Dados melhores de varejo nos EUA divulgados recentemente e uma retomada consistente do mercado de trabalho norte-americano contribuíram para uma maior expectativa dos agentes de mercado quanto à inflação dos EUA.
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Neste contexto, somado a uma liquidez sem precedentes proporcionada pelo Fed (banco central americano), estímulos fiscais que vêm sendo aprovados nos EUA e mais um plano de US$ 1,9 trilhão que Biden está tentando aprovar junto ao Congresso, é normal esperar uma inflação mais alta mesmo nos próximos meses.
E para o Fed, tudo bem, já que ele mantém a visão da necessidade de aumento dos juros básicos somente em 2023. O banco central americano sabe que a inflação será mais alta, mas que estará sob controle. Provavelmente, o equilíbrio sustentável das taxas de juros de longo prazo deve permanecer mais próximo de 2% ao longo de 2022. Mas, até lá, os juros ficarão baixos em comparação ao seu histórico.
É importante pensar sob outro prisma. Juros mais altos são um sinal de que a economia está se recuperando, a confiança está sendo restabelecida e empregos voltaram a ser gerados. E isto é muito bom. Queremos logo virar a página desta pandemia e normalizar as nossas vidas.
Portanto, penso que não devemos nos preocupar tanto e que este estresse nos juros americanos seja algo pontual. Por outro lado, é fato que esta alta significativa causou impactos relevantes nas bolsas mundiais.
Com juros mais altos, há uma migração da renda variável para a renda fixa, principalmente nos EUA, onde os dividendos atuais das empresas listadas geram uma taxa média anual de 1,5%, mesmo patamar dos juros de 10 anos norte-americanos.
Quem tomou o maior tombo nesta nova dinâmica foram as ações da Nasdaq, bolsa onde estão listadas as principais companhias de tecnologia do mundo. Aqui no Brasil, o impacto maior se deu nos juros de longo prazo, nas ações do setor imobiliário e nas empresas tech que fizeram IPO recentemente.
Estes dois segmentos da economia são muito sensíveis ao aumento da taxa de juros de longo prazo.
Acompanhe o meu raciocínio.
Para a ampla maioria dos brasileiros, a compra de um imóvel depende de acesso ao crédito imobiliário. Trata-se de uma das decisões mais importantes da vida de uma pessoa, pois envolve o comprometimento de uma boa parte da renda por um longo período, que pode durar mais de 20 anos.
Por isso, a confiança de que a prestação de um imóvel continuará cabendo no bolso é determinante para a tomada de decisão de compra de um apartamento ou de uma casa. O que impacta a prestação do imóvel? Os juros cobrados pela instituição financeira.
Se os juros de longo prazo lá fora sobem, fazendo com que os juros de longo prazo aqui acompanhem esta alta, há a expectativa de que essa prestação possa ficar mais cara nos próximos anos.
Isso pode afetar a decisão de compra no presente, logo as ações das construtoras perdem valor. Vimos o setor imobiliário ser dizimado na Bolsa brasileira nas últimas semanas, apesar de eu achar que o movimento foi um tanto exagerado.
Este movimento revelou boas oportunidades pontuais no setor, como as ações de Cury (CURY3), Mitre (MTRE3), Direcional (DIRR3) e Cyrela (CYRE3).
Com relação às empresas tech, os juros também as pegaram em cheio, mas por outro motivo.
Empresas de tecnologia são conhecidas como negócios atrelados a um grande crescimento nos anos adiante. Assim, a maior parte do fluxo de caixa futuro de uma tech está no longo prazo, já que no presente ela ainda investe muito em marketing e inovação para aumentar suas receitas, não tendo tanta geração de caixa nesse momento.
Se as taxas de juros de longo prazo sobem, quer dizer que este fluxo de caixa futuro vale menos hoje, pois ele será trazido a valor presente a uma taxa maior. Em outras palavras, reduz-se o valor justo de uma empresa de tecnologia.
Por este motivo, vimos o índice Nasdaq cair mais de 6%, enquanto o S&P 500 ficou próximo da estabilidade no último mês.
Aqui no Brasil, o movimento foi semelhante. As ações de tecnologia, principalmente as que fizeram os seus IPOs nos últimos meses, também sofreram bem com a alta dos juros. Vimos Neogrid (NGRD3), Sinqia (SQIA3), Méliuz (CASH3), Enjoei (ENJU3) e Mosaico (MOSI3) registrar quedas acentuadas, superiores à retração do Ibovespa no mesmo período.
Costumo dizer que dos exageros surgem as grandes oportunidades e, com base no cenário de que este estresse nos juros seja algo momentâneo, entendemos que as ações de tecnologia e do setor imobiliário guardam grande potencial de valorização nos níveis atuais.
Fiquem calmos, pois o meteoro é passageiro e ficará mais fraco com o tempo. Aproveite para aumentar posição nestes ativos em que os investidores erraram a mão na realização. Tem barganha aí.
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