🔴 RENDA MÉDIA DE R$ 21 MIL POR MÊS COM 3 CLIQUES – SAIBA COMO

Cotações por TradingView
Ricardo Gozzi
Os ricos também choram

O que está por trás da ofensiva do governo da China contra os bilionários e detentores de grandes fortunas

Aperto regulatório, medidas contra a formação de monopólios e estímulo à filantropia estão entre as ações adotadas por Pequim para mitigar as desigualdades no país

Ricardo Gozzi
29 de outubro de 2021
7:10 - atualizado às 13:39
banco do povo da china
A pressão ocorre no contexto da implementação da doutrina da prosperidade comum pelo presidente Xi Jinping - Imagem: Shutterstock

Xu Jiyain já foi o homem mais rico da China. A fortuna do fundador da Evergrande ainda causa muita inveja por aí, mas pode estar com os dias contados.

Isso porque o governo chinês tem pressionado Xu, também conhecido como Hui Ka Yan em cantonês, a usar sua fortuna pessoal para aliviar a crise do conglomerado.

Com mais de US$ 300 bilhões (quantia equivalente a quase R$ 1,7 trilhão) em dívidas, a Evergrande é considerada a incorporadora mais endividada do mundo.

Prosperidade comum

A pressão do governo chinês ocorre no contexto da implementação da doutrina da prosperidade comum pelo presidente Xi Jinping.

No Ocidente, estamos habituados a ver os bilionários e suas grandes corporações acumularem não apenas inimagináveis fortunas, como também imenso capital político.

Já Pequim tenta fazer frente àquela que é vista como uma das grandes contradições de seu “socialismo com características chinesas”: a desigualdade que torna a China o segundo país com maior número de bilionários no mundo.

Ao mesmo tempo, o governo tenta evitar a formação de grupos de pressão que eventualmente possam vir a interferir nos objetivos traçados em seus minuciosos planos quinquenais.

Não é só com Xu

Xu não é o único - nem foi o primeiro - bilionário a entrar na mira do governo chinês. Jack Ma que o diga.

Ma fez fortuna à frente da Alibaba, um conglomerado de tecnologia que rapidamente cresceu dentro da China e se expandiu para outros países.

Transformado em uma espécie de magnata-celebridade, Jack Ma foi aos poucos colocando as asinhas de fora, especialmente com críticas à legislação chinesa em relação a temas financeiros.

Cortando as asas de Jack Ma

Os comentários não tardaram a ser recebidos como uma indesejada tentativa de interferência nos planos de Pequim. Na primeira oportunidade, o governo não hesitou em cortar as asas de Ma.

No início de novembro de 2020, o IPO do Ant Group na bolsa de valores de Xangai era aguardado com expectativa no mundo dos negócios.

Dedicada à prestação de serviços financeiros digitais, a fintech tem em Jack Ma seu principal sócio.

IPO cancelado e aposentadoria do bilionário

Teria sido a maior oferta pública inicial de ações da história. Se tivesse acontecido. Menos de 48 horas antes do IPO, a autoridade reguladora do mercado de capitais da China cancelou o lançamento das ações na bolsa.

Desde então, as ações do Grupo Alibaba perderam mais de 40% de seu valor. Ainda assim, Jack Ma figura como o quarto homem mais rico da China. Sua fortuna atual é estimada em US$ 42,3 bilhões.

Na esteira do revés financeiro, Jack Ma baixou o tom e sumiu dos holofotes, o que de tempos em tempos alimenta especulações sobre sua situação legal. Na verdade, ele anunciou sua aposentadoria em 2019, quando completou 55 anos.

O bilionário ressurgiu há cerca de duas semanas em Hong Kong e em seguida embarcou numa viagem em família que o levou para a Europa. Confira as imagens no vídeo abaixo:

Segundo país com mais bilionários no mundo

Governada pelo Partido Comunista desde 1949, a China saiu da condição de sociedade predominantemente rural a potência industrial e tecnológica a partir de um projeto de Estado colocado em marcha em 1980.

De 1980 a 2020, 653 milhões de chineses trocaram o campo pelas áreas urbanas e 850 milhões deixaram para trás a linha da pobreza.

Ainda que o processo tenha transcorrido sem que houvesse uma favelização das grandes cidades chinesas, ele não ocorreu sem gerar desigualdades.

A China é o segundo país com mais bilionários no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, com 724 na mais recente lista da Forbes, divulgada no início de outubro.

Mesmo em meio à pandemia, o número de bilionários chineses passou de 456 para 698, segundo a Forbes. Trata-se de um aumento de 53%.

Aperto regulatório

É neste contexto que o governo chinês tem atuado para restringir o poder e a influência da parcela mais rica de sua sociedade.

Entre as medidas, Pequim tem promovido apertos regulatório e monetário sobre diversos setores da economia para evitar a formação de monopólios ou oligopólios privados.

Além de incorporadoras como a Evergrande e empresas de tecnologia como a Alibaba, esses apertos abrangem setores como os de educação e serviços de saúde.

Ao mesmo tempo em que essas medidas assustam o público externo, o governo afirma ter a situação sob controle.

É preciso ainda levar em conta que a China é um país de 1,4 bilhão de habitantes. Certamente, situações que estimulem ampla insatisfação social não fazem parte de nenhum plano quinquenal elaborado por lá.

Surto filantrópico dos bilionários

Mais recentemente, um surto de filantropia parece ter acometido os ultra-ricos chineses.

Wang Xing, fundador da empresa de entrega de alimentos Meituan, doou o equivalente a US$ 2,7 bilhões em ações para fins de pesquisa científica e educação.

Colin Huang, fundador da gigante do comércio eletrônico Pinduoduo, doou US$ 1,85 bilhão a um fundo educacional.

He Xiangjian, do império de eletrodomésticos Midea, e o próprio Xu Jiayin, da Evergrande, desembolsaram respectivamente US$ 975 milhões e US$ 370 milhões para ações de mitigação da pobreza, assistência médica e programas culturais.

A lista de doações de bilionários a ações filantrópicas não para neles, mas tem por trás a articulação do governo chinês. O encorajamento às doações está inscrito inclusive no plano quinquenal vigente.

Diante da intenção de estabelecer um estado de bem-estar público na China, o governo do país asiático desenvolveu mecanismos para estimular os bilionários a devolverem parte de suas fortunas à mesma sociedade que os enriqueceu.

E, pelo nível e pela frequência das doações, o plano parece estar funcionando.

Compartilhe

CORRIDA DOS CARROS ELÉTRICOS

Elon Musk e Warren Buffett na mira do Alibaba: Saiba como a chinesa quer brigar com a Tesla e a BYD

2 de agosto de 2022 - 12:35

As companhias asiáticas anunciaram nesta manhã o lançamento de um centro de computação para treinar o software para automóveis autônomos

UM GIGANTE AINDA MAIOR?

Alibaba (BABA34) tem plano de listagem primária de ações em Hong Kong

26 de julho de 2022 - 9:55

Segundo o Alibaba, processo deve ser concluído até o fim deste ano e o plano é manter os papéis listados tanto na China quanto nos EUA

EFEITO MANADA

Jack Ma foi preso? Ação da Alibaba despenca com notícia de prisão de um Ma – e não era o Jack

3 de maio de 2022 - 7:17

Posterior esclarecimento de que a pessoa presa não era Jack Ma levou à recuperação das ações da Alibaba na bolsa de Hong Kong

MORDE-ASSOPRA

É a hora do Alibaba (BABA34)? Governo da China quer estimular a economia local e as big techs chinesas

29 de abril de 2022 - 15:16

Com crescimento mais lento da economia em três décadas, autoridades chinesas decidem reduzir a repressão e oferecer estímulos financeiros para o setor de tecnologia

AGORA VAI?

A Alibaba aumentou seu programa de recompra de novo – e as ações dispararam em Hong Kong

22 de março de 2022 - 7:28

Depois de ver suas ações atingirem a mínima histórica em 11 de março, a Alibaba elevou seu programa de recompra pela segunda vez em menos de um ano

RADIOCASH

Investidor superestima a China no curto prazo e subestima no longo prazo, diz Rodrigo Zeidan, professor da New York University Shangai

19 de janeiro de 2022 - 17:08

Em bate-papo com Jojo Washman, sócio-fundador da Vitreo, e com a jornalista Roberta Scrivano, ele também classifica a China como capitalista e fala do poder das fintechs no país

PROVENTO INUSITADO

Tencent e JD.com anunciam separação, mas vão continuar amigas: Gigante da tecnologia oferece mais de R$ 90 bi em ações da empresa de e-commerce como dividendo e cede controle

23 de dezembro de 2021 - 12:57

Os acionistas da Tencent ganharão uma ação da JD.com para cada 21 ações que detiverem na carteira; Wal-Mart passará a deter a maior fatia

EFEITO DOMINÓ?

Crise das big techs chinesas atinge em cheio o SoftBank

6 de dezembro de 2021 - 9:19

Ações do grupo japonês de tecnologia caíram mais de 8% hoje, afetadas pelo noticiário envolvendo a Alibaba e a Didi

Queima de estoque

Governo de cidade chinesa assume o controle do estádio do Guangzhou Evergrande, estimado em mais de R$ 10 bilhões

26 de novembro de 2021 - 12:31

Arena começou a ser construída em abril do ano passado, mas crise da Evergrande levou à paralisação da obra

Nike e outras

Os 5 BDRs que têm tudo para voar alto com o consumo cada vez mais forte na China

27 de junho de 2021 - 16:02

As vendas no varejo na China sobem forte desde o começo do ano. Veja algumas empresas com forte exposição ao mercado chinês e com BDRs na B3

Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies