Menu
2021-03-17T15:03:34-03:00
Kaype Abreu
Kaype Abreu
Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Colaborou com Estadão, Gazeta do Povo, entre outros.
decisão do copom

Pressionado pela inflação e no auge da pandemia, BC deve aumentar a Selic pela primeira vez em seis anos

Na avaliação do mercado, as expectativas de inflação e o risco fiscal devem pesar sobre decisão do Copom, anunciada no fechamento do pregão desta quarta

17 de março de 2021
6:02 - atualizado às 15:03
juros selic alta
Imagem: Shutterstock

O Comitê de Política Monetária (Copom) deve anunciar nesta quarta-feira (17) o primeiro aumento da taxa básica de juros, a Selic, em quase seis anos. A expectativa é majoritária entre agentes do mercado financeiro, sendo que a maioria espera ajuste de 50 pontos-base, para 2,50% ao ano.

A elevação da Selic já era esperada conforme a crise provocada pela pandemia arrefecesse, tendo em vista que a taxa básica está hoje no menor patamar da história, em 2% ao ano.

O problema é que o BC provavelmente dará início a um processo de aperto monetário no pior momento da pandemia da covid-19, que obriga a economia a fechar novamente em vários Estados.

O impacto da decisão do Copom sobre a economia real não é imediato. Por isso, deve pesar para o BC a contínua aceleração nas expectativas de inflação, na avaliação do mercado.

Na edição mais recente do Boletim Focus, do BC, as instituições financeiras projetam o IPCA a 4,60% ao final deste ano, acima do centro da meta de inflação estabelecida para 2021, que é de 3,75% — com o teto em 5,25%. Mas há também agentes no mercado projetando o indicador estourando o teto da meta e perigosamente acima do centro no ano que vem.

O principal instrumento da autoridade monetária para perseguir a meta de inflação é taxa de juros. A alta da Selic desestimula o crédito e o consumo, o que impacta a alta dos preços. Hoje, as instituições acreditam que o BC vai aumentar a Selic até chegar 4,50% no final do ano, segundo o Focus.

O economista-chefe da Quantitas, Ivo Chermont, diz que essa precificação do ajuste na taxa e nas expectativas de inflação já é motivo para alta da Selic. “Não é desejável criar uma curva excessiva [de juros, uma diferença muito grande entre o patamar atual e a expectativa futura]”, diz.

Chermont acrescenta que o risco fiscal aumentou nos últimos meses e lembra de episódios envolvendo o governo que despertaram desconfiança do mercado, entre eles a interferência na Petrobras e o tramite da PEC emergencial, em que se considerou deixar o Bolsa Família fora do teto de gastos. A gestora espera que a Selic aumente em 0,75 pontos nesta quarta.

Já o Banco BV está no grupo majoritário que projeta uma alta de 0,50 pontos hoje. Mas o economista-chefe da instituição, Roberto Padovani, segue a mesma linha de Chermont ao dizer que há uma "desconfiança aguda" em relação à gestão sanitária, ambiental e fiscal por parte do governo.

Em uma espécie de contrapeso ao governo, o BC tentará mostrar que tem responsabilidade. "A postura pode ser bem vista e melhorar os índices de confiança", diz Padovani. O economista afirma que o ajuste não seria um aperto monetário e que, em termos reais, a Selic continuará baixa.

A última vez que o BC subiu a taxa básica de juros foi em 29 de julho de 2015, ainda no governo de Dilma Rousseff, quando foi de 13,75% para 14,25%. A queda começou em 19 de outubro do ano seguinte, a 14%.

Contra a maré

Do lado minoritário de quem defende a taxa de juros no atual patamar, a gestora Persevera afirma que a inflação não está próxima do descontrole e que a atividade econômica "não está nem perto de voltar", segundo Guilherme Abbud, sócio da gestora.

"A gente teve uma puxada [da inflação] por causa do auxílio emergencial, mas a rigor mas não tem nada de recorrente", diz. Para ele, o BC deveria manter a taxa de juros no mesmo nível e esperar por mais dois meses "para ter um ponto de vista melhor".

Mesmo acreditando nisso, Abbud prevê o Copom já aumentando a Selic nesta quarta-feira, tendo em vista ainda o passado inflacionário do Brasil, que "deixou muitas cicatrizes".

Para o mercado, a reação imediata da provável alta da Selic deve ser de uma curva de juros menos inclinada e uma queda do dólar, com mais especuladores estrangeiros chegando no país e aumentando a oferta da moeda norte-americana.

O movimento de apreciação do real também tende a arrefecer a inflação no longo prazo, pois a alta do dólar está hoje disseminada pela economia, no preço da gasolina e dos alimentos, por exemplo.

Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

seu dinheiro na sua noite

Ação da Moura Dubeux caiu 50% desde o IPO. Ficou barata?

O ano de 2020 começou promissor para a economia brasileira e com boas perspectivas para a chegada de novas empresas à bolsa. A temporada de IPOs se iniciou nos primeiros dias de fevereiro, com a estreia da construtora Mitre, seguida da empresa de tecnologia Locaweb. Mais para meados do mês, vimos a abertura de capital […]

ampliação de sortimentos

Lojas Americanas compra Imaginarium e prevê aumentar marcas próprias

Companhia anunciou aquisição do Grupo Uni.co, mas não revelou valores; com negócio, Americanas avança sobre varejo especializado em franquias

FECHAMENTO

Mercado olha desconfiado para Orçamento e Ibovespa acompanha queda do exterior; dólar fica estável

Com a agenda de indicadores esvaziada e a véspera de feriado, os investidores acabaram optando pela cautela

Prioridade na Casa

Câmara aprova requerimento de urgência sobre projeto de privatização dos Correios

A medida permite que a proposta “fure” a fila de votação de projetos e pode agilizar o processo de desestatização

produção em baixa

Netflix decepciona em novos assinantes, mas nega impacto da concorrência

Papéis da empresa negociados na Nasdaq caíam mais de 10% no after market; pandemia impactou em novas produções, com reflexo no balanço da companhia

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies