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Renan Sousa

Renan Sousa

É repórter do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pela Editora Globo e SpaceMoney.

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Facebook fora do ar? Conheça a rede social que promete pagar em criptomoedas pelos seus posts

A nova rede ganhou os holofotes do mundo cripto na terça-feira (21) com a divulgação do nome do CEO da companhia, até então desconhecido

Renan Sousa
Renan Sousa
10 de outubro de 2021
11:13 - atualizado às 11:35
Logo da BitCloud no centro da imagem realizando diversas conexões entre ícones que representam pessoas e cifrões
A empresa ganhou os holofotes após a identidade do misterioso CEO ser revelada - Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock/Sergey Nivens

O "bug do milênio atrasado" de segunda-feira, que deixou as três principais redes sociais do mundo fora do ar, levantou uma questão importante para os usuários. Como uma única empresa, o Facebook Inc., pode dominar Instagram e Whatsapp e literalmente paralisar a comunicação de todo o mundo?

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Bom, não faltou quem apresentasse soluções mirabolantes. A empresa gigante de tecnologia sofre constantes ameaças de cisão e o debate voltou a tona após o apagão de mais de sete horas. Mas o mundo das criptomoedas já ofereceu uma solução que deu origem ao próprio bitcoin (BTC): a descentralização.

O BitClout promete fazer pelas redes sociais o mesmo que o bitcoin fez do lado dos investimentos. E mais: os usuários ainda são pagos em criptomoedas pelas postagens.

Enquanto o mês de setembro para o bitcoin (BTC) foi de perdas de 9,08%, o token nativo dessa rede, chamada CLOUT, acumulou um retorno de 115,35% no mesmo período.

“O bitcoin é o dinheiro descentralizado. O BitClout é a rede social descentralizada”, afirma a apresentação da empresa.

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Com o aumento do interesse da rede, o CLOUT mudou seu nome para $DESO e hoje possui um valor de mercado estimado em pouco mais de US$ 1 bilhão — contra US$ 1 trilhão do bitcoin.

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O BitClout ganhou os holofotes do mundo cripto no final de setembro, com a divulgação do nome do CEO da companhia. Até então, Nader Al-Naji era conhecido apenas pelo pseudônimo Diamondhands (“Mão de diamante”, em tradução livre).

BitClout, a rede social criptográfica

O BitClout está conectado à blockchain "Decentralized Social" (DeSo) e isso permite que a rede social seja descentralizada. Quando o usuário cria uma conta, ele recebe um número de tokens que crescem conforme a pessoa ganha mais seguidores e podem se valorizar.

Como costuma acontecer no mundo do bitcoin e das criptomoedas, esses tokens podem ser negociados e, conforme a demanda, aumentar ou diminuir de valor.

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Na fase inicial, o usuário converte ganha o equivalente a US$ 13 (R$ 68,90) em $DESO ao se inscrever para negociar na rede. Para conseguir negociar dentro do BitClout, o investidor-usuário deve comprar a criptomoeda nativa da blockchain da DeSo com símbolo “$DESO”.

Para criar uma conta, o usuário precisa apresentar documentos como passaporte, carteira de motorista e outros. Essas informações são necessárias para evitar a criação de perfis falsos (que podem acabar embolsando alguns dólares por conta).

Mas você também vai ter que gastar um dinheirinho se quiser incrementar o seu perfil no Bitclout. Para fazer alterações como colocar uma foto, mudar a descrição ou o nome da conta, é preciso desembolsar alguns centavos de dólares (entre US$ 0,07 e US$ 0,09). 

Para conseguir negociar dentro da rede, o usuário deve comprar criptomoedas, que podem ser negociadas por corretoras, ou usar uma carteira (wallet) nativa da conta. O BitClout não possui anúncios e tem uma cara parecida com o Facebook, onde é possível postar frases, fotos e vídeos.

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Quem é Nader Al-Naji, o até então desconhecido CEO da BitClout

Apesar do nome, Nader Al-Naji nasceu no Texas, Estados Unidos. O fundador da primeira rede social totalmente descentralizada nunca foi um grande fã das mídias tradicionais. Para ele, plataformas centralizadas, como Twitter, Facebook e Instagram, “controlam o discurso público e lucram com o conteúdo que eles nem mesmo criam”.

Foto do perfil de Nader Al-Naji
CEO da BitClout, Nader "Diamndhand" Al-Naji

Al-Naji também fundou uma stablecoin, chamada Basis, que foi encerrada em 2018 por inconsistências regulatórias. À época, o CEO da BitClout devolveu os US$ 133 milhões levantados para o projeto de volta para os investidores. 

Para conseguir levantar o projeto da rede social cripto, “Diamondhands” conseguiu um financiamento de US$ 200 milhões. Entre os investidores que bancaram o negócio estão nomes conhecidos do mercado de startups. Confira a lista:

  • Andreessen Horowitz (a16z)
  • Sequoia
  • Social Capital
  • TQ Ventures
  • Coinbase Ventures
  • Winklevoss Capital
  • Polychain Capital
  • Pantera Capita
  • Arrington Capital
  • Blockchange Ventures
  • Distributed Global
  • Blockchain.com Ventures
  • Hack Ventures
  • Alexis Ohanian (co-fundador do Reddit)

Como o BitClout funciona

Al-Naji deixou uma série de contas “pré-fabricadas” para os famosos que quiserem entrar e já valem algum dinheiro. Entre elas, estão o perfil do bilionário Elon Musk, o cantor Justin Bieber, além do próprio Nader Al-Naji e até do influenciador brasileiro Felipe Neto. Nenhum deles ainda criou perfil no BitCloud,

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O usuário pode seguir e comprar os tokens desses famosos. Essa é uma forma de “recompensar” as pessoas por sua popularidade na rede social. 

A criptomoeda $DESO foi lançada nas corretoras (exchanges) Blockchain.com e AscendEX, apenas com negociações em dólares. Além disso, Al-Najid afirmou que mais de 100 aplicativos foram ou estão sendo construídos na blockchain da DeSo, incluindo uma rede de negociação de NFTs, uma rede social como o Twitter, entre outras. 

Na última sexta-feira, a minha conta, criada no último dia 21 de setembro, indicava um saldo de 0,15 $DESO — o equivalente a US$ 17,65 (ou R$ 97). Mas eu ainda não tenho sido um usuário ativo da rede.

Riscos

Os projetos envolvendo criptomoedas são muito diferentes entre si, mas os riscos acabam sendo mais ou menos parecidos. Assim como a Basis de Al-Naji pode ir por água abaixo, as criptomoedas podem acabar não se sustentar no longo prazo. 

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Além disso, a rede social precisa que os tokens e criptomoedas sejam negociadas constantemente para continuar girando a “economia” do aplicativo. Ou seja, se a pessoa não for tão famosa ou não gerar tanto engajamento, seus tokens não serão negociados e, portanto, passam a não valer muita coisa. 

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