Petrobras vs preço dos combustíveis: uma polêmica que impacta seu bolso além da conta no posto
Com o anúncio do aumento no limite da janela de reajuste dos preços de derivados de combustíveis, os papéis da Pretrobras têm sofrido forte volatilidade na bolsa e os investidores estão apreensivos.

Você está acompanhando o que está acontecendo com a Petrobras? Nos últimos dias os papéis da companhia têm sofrido forte volatilidade na bolsa depois do anúncio de que ela aumentou o limite da janela de ajuste dos preços de derivados de combustíveis de três meses para um ano.
Para muitos investidores, isso representa uma grande ameaça de controle político sobre a estatal, o que abre possibilidades de prejuízos bilionários nos próximos trimestres.
Mas para entender o medo de uma interferência nos resultados futuros e se ainda vale a pena ter as ações, precisamos voltar alguns anos para entender como isso já afetou os resultados no passado.
Gasolina sobe, aprovação cai
Com exceção dos ricaços que pedem para encher o tanque do carro sem nem saber o preço do combustível, a verdade é que a satisfação da população é bastante sensível à alta nos preços da gasolina e do diesel.
Se o combustível cai um pouco, o comentário é "poxa, mas tinha que cair mesmo, estava caro pra caramba".
Agora, se os preços sobem, a onda de insatisfação cresce muito e pode até custar votos para os políticos em época de eleições.
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Por esse motivo, no início da década passada, a então presidente do país, Dilma Rousseff, estabeleceu que os preços dos derivados vendidos pela Petrobras não mais acompanhariam o petróleo.
Eles ficariam congelados até segunda ordem, independente dos preços no mercado internacional.
Ótimo para os consumidores, que não precisaram pagar mais caro pela gasolina e pelo diesel quando o petróleo subisse.
Ótimo para a presidente, que não precisaria lidar com descontentamento popular e perda de votos.
Péssimo para a Petrobras e seus acionistas, que pagariam dos seus próprios bolsos por essa manobra política.
Não é à toa que a saúde financeira da Petrobras foi arruinada nessa época. A companhia chegou a ter mais de meio trilhão (isso mesmo, TRI-LHÃO) de reais em dívidas. E, para muita gente, não iria mais conseguir sair desse buraco – o que justificava as ações negociarem por menos de R$ 5 um pouco antes do impeachment.
Uma nova política de preços
Com o impeachment de Dilma, uma gestão profissional foi restabelecida na Petrobras.
Logo que assumiu a presidência da estatal, Pedro Parente adotou a política de paridade internacional: ao invés de preços congelados, agora a Petrobras poderia mexer nas cotações todos os dias, de acordo com a variação do petróleo naquele dia.
Quando o petróleo subia, a companhia aumentava os preços. Quando o petróleo caía, ela reduzia também. Tudo para que os preços justos fossem mantidos para ela e para os consumidores.
Em pouco tempo, a Petrobras voltou a gerar resultados positivos e, consequentemente, a se valorizar bastante na bolsa.
Ações da Petrobras (PETR4). Fonte: Google
Mas dizem por aí que alegria de acionista de estatal dura pouco.
Não demorou muito tempo e Michel Temer, então presidente do Brasil, também começou a sofrer pressão popular por causa dos combustíveis. Quem não se lembra da Greve dos Caminhoneiros?
Uma das reivindicações da classe era acabar com os reajustes diários de combustíveis, pois isso trazia muita incerteza para o preço dos fretes. Assim foi feito.
Na teoria, a Petrobras continuaria vendendo combustíveis de acordo com os preços internacionais, mas os reajustes seriam feitos em janelas de mais ou menos trinta dias.
Para os consumidores e para o governo, a mudança evitaria aquela sensação ruim de que os combustíveis estavam subindo todos os dias.
Para a Petrobras e seus acionistas, não haveria impacto no longo prazo já que se ela estivesse vendendo combustíveis abaixo do preço de paridade em um determinado mês, no mês seguinte ela cobraria um pouco mais caro e compensaria esse déficit.
O único problema ficava por conta da redução na transparência, já que os acionistas agora iriam ter de esperar um mês inteiro para verificar se os preços estavam de acordo com aqueles praticados no restante do mundo.
No entanto, apesar do receio inicial, o que se viu foi realmente preços praticados em linha com os do mercado internacional, o que trouxe de volta a confiança dos investidores.
Com isso, acionistas, governo e população viveram felizes para sempre… só que não!
Cachorro mordido por cobra tem medo de linguiça
Lembra aquela história de que alegria de acionista de estatal dura pouco?
No ano passado, por causa da pandemia, o preço do petróleo assumiu uma volatilidade tão grande que mesmo reajustes mensais, dependendo das condições de mercado, poderiam ser grandes demais.
Por esse motivo, a Petrobras informou ao mercado que desde junho de 2020 decidiu aumentar a janela limite de adequação de preços para até doze meses.
Ou seja, dependendo das condições de mercado, ela poderia demorar até um ano inteiro para fazer algum reajuste.
Na teoria, quanto maior a janela, mais a companhia consegue amenizar a volatilidade de preços.
No entanto, a transparência também cai drasticamente, já que fica mais difícil para os acionistas saberem se os preços estão condizentes com o mercado ou se – um ano antes das eleições – o governo estaria utilizando a companhia para ganhar votos mais uma vez.
Sabe como é, cachorro mordido por cobra tem medo de linguiça.
Mais notícia que mudança
Apesar de todas essas notícias, o que temos visto nos últimos meses é justamente a manutenção da política de paridade, como você pode conferir no gráfico abaixo, que compara a valorização da gasolina vendida pela Petrobras na refinaria de Paulínia (SP) com a cotação do Brent no mercado internacional de 2019 até esta semana.
Comparação dos preços normalizados (base 100) da gasolina vendida pela Petrobras na refinaria de Paulínia com o petróleo Brent, ambos em dólar. Fonte: Bloomberg
É verdade que os preços da Petrobras nas refinarias não seguem fielmente os do brent desde que os reajustes deixaram de ser diários.
Mas também não ficam muito longe. Se eventualmente estão mais baratos em um determinado mês, logo se recuperam e ficam um pouco acima no período seguinte, em linha com o que a própria estatal disse na semana passada, ao se defender de acusações de que o governo estaria controlando preços novamente:
"Desse modo, em dado trimestre os preços domésticos podem eventualmente se situar abaixo do preço de paridade de importação desde que essa diferença seja mais do que compensada nos trimestres seguintes."
Antes de encerrar, é bom esclarecer que isso não quer dizer que não haverá interferência.
Já vimos por diversas vezes que o discurso liberal do atual governo não passou de discurso.
Mas, por enquanto, a independência, o ótimo CEO, Roberto Castello Branco, e os bons resultados continuam.
Resultados que vão melhorar ainda mais com o aumento da participação do pré-sal na produção da companhia que, além disso, ainda está bem mais descontada que as principais rivais.
Fonte: Bloomberg
Por isso, apesar dos últimos dias terem sido mais barulhentos do que o normal, a série Melhores Ações da Bolsa ainda enxerga ótimo potencial na Petrobras e mantém as ações na carteira.
Mas a ação de uma outra companhia deixa o Max Bohm ainda mais animado. Tanto que ele tem chamado de "A Ação Número 1 da Bolsa".
Se quiser conferir essa e muitas outras companhias dignas de fazerem parte do hall de Melhores Ações da Bolsa, deixo aqui o convite.
Um grande abraço e até a próxima!
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