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A permanência de Paulo Guedes no cargo de ministro da Economia deixou de ser o suficiente para fazer o mercado financeiro acreditar que a situação fiscal do país está sob controle. Nem mesmo a Selic a 7,75% ao ano, refletindo a preocupação do Banco Central com a inflação e o rumo das contas públicas, foi capaz de aliviar o nervosismo dos investidores.
A maior pedra no sapato segue sendo a PEC dos precatórios, que mais uma vez teve a sua votação adiada para a próxima semana. Embora a pauta siga sendo empurrada para frente, o governo tem pressa.
É que caso o espaço no orçamento não seja liberado a tempo, a solução para o Auxílio Brasil pode ser decretar estado de calamidade para justificar os gastos - algo semelhante a um cheque em branco.
A instabilidade foi a tônica da sessão de hoje, mesmo com as bolsas americanas mostrando mais um dia de apetite por risco. O Ibovespa chegou a operar no azul em alguns momentos, mas a forte disparada dos juros futuros e a pressão no câmbio impediram que o índice se firmasse no campo positivo.
Para alguns, a atuação do Banco Central na decisão de ontem poderia ter sido mais dura diante dos riscos fiscais enfrentados pelo país. Para outros, os novos ruídos em torno da possibilidade de uma extensão do auxílio emergencial, sem sinal de um desfecho para a PEC dos precatórios, seguem aumentando a bola de neve que se tornaram os gastos públicos.
O resultado disso foi o dólar subindo mais 1,26%, aos R$ 5,6253 e alguns contratos de DI mais uma vez atingindo a oscilação máxima diária permitida. Para a próxima reunião do Copom, os investidores já começam a precificar uma atuação ainda mais forte do Banco Central, com alta de 1,75 ponto percentual na Selic. Já o Ibovespa fechou o dia em queda de 0,62%, aos 105.704 pontos.
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Veja tudo o que movimentou os mercados nesta quinta-feira, incluindo os principais destaques do noticiário corporativo e as ações com o melhor e o pior desempenho do Ibovespa.
JUROS EM ALTA
Rumo aos 6% + IPCA? Taxas do Tesouro Direto sobem forte após Copom, e títulos atrelados à inflação já pagam mais de 5,5% a.a. de juro real. Com alta da Selic para 7,75%, juros futuros dispararam nesta quinta, fazendo taxas do Tesouro Direto subirem ainda mais.
ÀS VÉSPERAS DO BALANÇO
Pode lucrar, mas não tanto: Petrobras despenca em NY com falas de Bolsonaro. Além de criticar os ganhos da estatal, o presidente também fez uma nova ameaça de intervenção na política de preços dos combustíveis.
UM BRINDE
A Ambev (ABEV3) nunca vendeu tanta cerveja como no 3º trimestre. E as ações dispararam na bolsa. A gigante de bebidas registrou lucro líquido de R$ 3,6 bilhões no terceiro trimestre, alta de 50% e acima do esperado pelo mercado. Hora de comprar a ação?
RECLAMAÇÕES EM ALTA
Prestes a fazer IPO, Nubank lidera entre as piores ouvidorias dos dez maiores bancos brasileiros; veja o ranking do Banco Central. As instituições são avaliadas a partir das reclamações registradas pelos cidadãos nos canais de atendimento do BC e, quanto menor a pontuação, pior a classificação da ouvidoria.
DEBAIXO DO TAPETE
Cadê o teto que estava aqui? Sumário das contas públicas do Tesouro exclui avaliações sobre cenário fiscal após drible na regra. O documento já foi usado como instrumento para recados duros em outros momentos delicados, em que houve grande pressão para abrir a porteira dos gastos.
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A expectativa é de que o Copom mantenha a Selic inalterada, mas seja mais flexível na comunicação. Nos EUA, a coletiva de Jerome Powell deve dar o tom dos próximos passos do Fed.
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