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O preço da incerteza no mercado financeiro

10 de setembro de 2021
19:28 - atualizado às 13:57
Homem de contas em montagem com pontos de interrogação em volta

Existem muitas expressões clássicas entre os agentes financeiros, mas nenhuma vem sendo tão repetida quanto “o mercado odeia incertezas”.

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E é bem fácil entender o porquê. Desde junho, quando a bolsa alcançou os 130 mil pontos, o Ibovespa perdeu mais de 16 mil pontos, mesmo com os índices americanos acumulando altas expressivas no ano e renovando máximas por meses seguidos, e uma temporada de balanços que mostrou que a maior parte das empresas brasileiras engrenaram em uma recuperação robusta pós-pandemia. 

A triste marca coincide com a elevação dos ruídos políticos em Brasília. Nesse meio tempo, entre outras coisas, tivemos uma reforma do imposto de renda que mais desagradou do que ajudou, problemas com o teto de gastos e troca de ofensas entre membros dos Três Poderes.

O ápice da tensão foi o 7 de setembro, que causou apreensão e cautela antes, durante e promete repercutir por um bom tempo depois da data. Em semana mais curta, o Ibovespa recuou 2,2% e o dólar subiu 1,59%.

Com a bolsa brasileira descontada perante os seus pares internacionais, mas apresentando bons fundamentos, o aceno de paz de Bolsonaro ontem permitiu que em pouco mais de 15 minutos o principal índice da B3 saísse do vermelho para fechar o dia em uma alta de quase 2%. 

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A sexta-feira começou com a mesma força alucinante da véspera, ainda que o mercado já tivesse sinalizado que era muito cedo para comprar uma trégua definitiva entre Executivo, Legislativo e Judiciário. Os temores não demoraram a se confirmar. 

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Enquanto o vice-presidente Hamilton Mourão pregava o diálogo entre os Poderes, Bolsonaro minimizou as palavras divulgadas ontem. Ao contrário do que mostrou a carta, hoje o presidente disse não ter cometido erros e que o 7 de setembro “não foi em vão”. 

Em outro momento, o chefe do Executivo justificou o aceno de paz ao apontar que “falar para cima” faz o dólar disparar e pressiona o preço dos combustíveis. A resposta veio no tradicional “cercadinho do Alvorada”, após parte da base aliada do governo ficar desconfortável com o tom de recuo do documento orquestrado com a ajuda de Michel Temer.

Como lá fora as bolsas cederam com o peso das preocupações do ritmo de recuperação econômica diante da variante delta, o Ibovespa abandonou o campo positivo para renovar mínimas ao longo de todo o dia, até fechar no nível mais baixo do pregão, em queda de 0,93%, aos 114.285 pontos. Nem mesmo a elevação das vendas no varejo acima do esperado serviu de bálsamo.

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O dólar à vista também foi pressionado, fechando próximo da máxima, em alta de 0,78%, a R$ 5,2671. Os juros futuros tiveram mais resistência aos novos ruídos, mas também seguiram o mesmo roteiro e acabaram voltando a apresentar alta.

Confira os destaques do noticiário corporativo desta sexta-feira:

  • UBS vê potencial para que as ações da Raízen se valorizem 50%;
  • O Bank of America estima que as units do Banco Inter, que já subiram 240% em 12 meses, podem subir ainda mais;
  • A CSN comprou ativos da Holeim no Brasil por mais de R$ 1 bilhão.

Veja tudo o que movimentou os mercados nesta sexta-feira, incluindo os principais destaques do noticiário corporativo e as ações com o melhor e o pior desempenho na semana.

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