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No exterior, as bolsas tiveram dias de ganho expressivo, com os mercados repercutindo de forma positiva a aprovação do pacote de estímulos americano e uma nova opção de vacina
O saldo do dia poderia ter sido bem diferente se Brasília tivesse dado uma trégua e permitisse que o cenário internacional desse as cartas nesta segunda-feira (01).
“Poderia”. Porque na última hora de pregão o principal índice da bolsa brasileira quase zerou os ganhos do dia com a notícia que o governo pode fazer o setor financeiro pagar a conta do aumento dos combustíveis.
De tão frequentes, as reviravoltas no mercado financeiro com base em ruídos que surgem na capital federal quase nem surpreendem mais. Ao invés da alta de cerca de 2% que se desenhava ao longo do dia (e que foi a norma no exterior), o Ibovespa fechou a sessão com avanço de apenas 0,27%, aos 110.334 pontos.
Mesmo no melhor momento da bolsa, o câmbio custou a acompanhar o movimento de alívio com o mesmo fôlego, pesando mais as incertezas locais. No fim do dia, a moeda americana ficou praticamente estável, com leve recuo de 0,09%, cotada a R$ 5,6006. O dólar futuro disparou e se aproximou dos R$ 5,63.
Com o cenário internacional favorável, o mercado de juros brasileiro chegou a apresentar uma alta menos acentuada no meio da tarde, mas o que prevaleceu foi a cautela. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para 2025 fechou o dia no maior patamar desde o fim de abril de 2020. Confira as taxas de fechamento:
A notícia que chacoalhou o mercado na reta final e fez com que o Ibovespa colocasse o pé no freio foi a de que o governo estuda aumentar a Contribuição Social sobre o Lucro líquido (CSLL) dos bancos como uma forma de compensar a desoneração do diesel e do combustível que foi prometida aos caminhoneiros, com a alíquota subindo de 20% para 23%
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O mercado reagiu de forma negativa ao que pode ser vista como mais uma intervenção do governo para financiar medidas populistas e jogou para o primeiro plano outras preocupações que já dificultavam o ambiente de negócios brasileiro.
O primeiro setor afetado é o financeiro - o índice que mede o desempenho do segmento (IFNC) recuou 1,32% hoje - já que a medida deve afetar diretamente o lucro dos bancos, com queda de cerca de R$ 3 bilhões. Mas o impacto não deve se limitar somente a essas empresas.
“Se não fosse esse cenário de incerteza, mesmo com a queda do setor financeiro hoje poderíamos ter caminhado para uma alta melhor”, afirma o analista técnico da Ativa Investimentos, Marcio Lórega, já que o setor de commodities sustentavam o Ibovespa na tarde de hoje.
Mas as pontas soltas em Brasília seguem soltas e de certo mesmo não temos quase nada. O que se arrasta semana após semana são as dúvidas com relação à recuperação da economia, a deterioração do cenário fiscal e o prosseguimento da agenda econômica.
É bom lembrar que o setor financeiro tem sido um dos últimos a tentar emplacar uma recuperação pós-crise e esse novo baque pega as companhias ainda fragilizadas. As ações de Bradesco e Itaú recuaram cerca de 3% nesta tarde, enquanto o Santander recuou 1,20%.
As outras preocupações são velhas conhecidas. A PEC Emergencial, que está marcada para ser votada na próxima quarta-feira (3) e que é o caminho mais rápido para liberar uma nova rodada do auxílio emergencial, vem sofrendo sucessivos desgastes no meio do caminho e começa a se ventilar mais um adiamento, o que amplia as incertezas com relação ao cenário fiscal brasileiro. O texto provocou polêmica ao propor a desvinculação de gastos mínimos para saúde e educação. O presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) já se declarou a favor da desvinculação total dos gastos.
Uma nova baixa na equipe de Paulo Guedes também aumentou a tensão no mercado doméstico. Na manhã desta segunda-feira, o secretário de coordenação e governança das empresas estatais (Sest) do Ministério da Economia, Amaro Gomes, pediu para deixar o cargo. A saída ocorre em um momento pouco oportuno para a agenda liberal, já que o governo tenta a todo custo segurar o valor do combustível - que hoje sofreu um novo reajuste por parte da Petrobras.
Em Nova York, o dia começou com alta forte e assim seguiu até o fim do dia. A alta dos retornos dos títulos americanos, que provoca uma fuga de recursos da bolsa, segue, mas hoje teve um efeito mais limitado sobre as negociações. Eles chegaram a cair no início das negociações, mas retomaram a trajetória positiva logo em seguida e assim seguiram até o fim do dia. O T-note de 2 anos avançou 0,121%, o de 10 anos teve alta de 1,429% e o T-bond de 30 anos subiu mais de 2,210%.
Ainda assim, as novidades com relação a aprovação de uma vacina contra o coronavírus em dose única e o otimismo com a aprovação do pacote fiscal de US$ 1,9 trilhão na Câmara americana falaram mais alto. O grande destaque ficou com o Nasdaq, que subiu mais de 3% hoje. O S&P 500 e o Dow Jones também tiveram um dia de forte alta, subindo respectivamente 2,38% e 1,95%.
Nos últimos dias, o segmento de tecnologia é um dos que mais tem sofrido com a alta dos retornos dos títulos americanos - que acompanham o aumento dos juros futuros dos EUA, o que torna esse tipo de investimento muito atraente para os investidores de todo o mundo. Assim, os recursos que antes iam para ativos de maior risco, como as bolsas, passam a ir para os de menor risco.
O temor é que a aprovação dos pacotes de estímulos levem a um superaquecimento da economia americana, puxando a inflação e obrigando o Federal Reserve a alterar sua política de juros antes do esperado.
Hoje, no entanto, essa foi uma preocupação secundária no exterior e o foco foram os aspectos positivos da aprovação do pacote, ainda que tenha influenciado sobre os mercados emergentes, como o brasileiro. A pauta agora segue para o Senado e deve sofrer alterações na cláusula de aumento do salário mínimo, ponto que prejudica o apoio dos republicanos ao projeto. Segundo a proposta original, o salário mínimo sairia de US$ 7,25 por hora para US$ 15 por hora.
O mercado também recebeu positivamente a notícia de aprovação da vacina da Johnson & Johnson contra a covid-19, que permite a imunização contra a doença com apenas uma dose, diferente das outras opções disponíveis até agora. Tivemos também novidades positivas sobre a retomada da economia americana, com o índice de gerentes de compras do país (PMI) veio acima das expectativas dos analistas, subindo 60,7 em janeiro. A projeção era de uma alta de 58,9.
Refletindo esse cenário, as bolsas da Ásia também tiveram alta expressiva, ainda que o índice de atividade industrial chinês tenha caído ao menor nível dos últimos nove meses. Na Europa, o dia também foi de alta generalizada, com os investidores de olho no bom desempenho do PMI da Zona do Euro.
Durante a maior parte do dia, as operadoras de saúde Hapvida (HAPV3) e Notre Dame Intermédica (GNDI3) lideraram as altas do dia após as companhias anunciarem detalhes do acordo para a combinação dos negócios, no que deve criar a maior operadora de saúde do país.
As companhias chegaram a subir mais de 10%, mas, na reta final, as ações do setor de commodities voltaram a falar mais alto, com a PetroRio assumindo a ponta da tabela e a Klabin sendo mais uma vez impulsionada pela perspectiva de alta do preço da celulose no mercado internacional.
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| PRIO3 | PetroRio ON | R$ 88,23 | 5,53% |
| HAPV3 | Hapvida ON | R$ 16,32 | 5,29% |
| KLBN11 | Klabin units | R$ 30,76 | 4,38% |
| VALE3 | Vale ON | R$ 98,57 | 4,28% |
| JBSS3 | JBS ON | R$ 26,83 | 3,91% |
O Grupo Pão de Açúcar foi o grande destaque negativo do dia. Com a cisão do seu braço de atacado, o Assaí (ASAI3), as ações do GPA passaram por uma correção de valor. Enquanto os papéis tiveram queda de mais de 60%, a “novata” Assaí fez uma estreia estrondosa, com ganhos superiores a 360% fora fo Ibovespa. Confira também as principais quedas do dia:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| PCAR3 | GPA ON | R$ 23,33 | -65,84% |
| CIEL3 | Cielo ON | R$ 3,38 | -6,11% |
| YDUQ3 | Yduqs ON | R$ 28,73 | -4,61% |
| HYPE3 | Hypera ON | R$ 31,45 | -4,06% |
| SBSP3 | Sabesp ON | R$ 35,43 | -3,72% |
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