Via (VIIA3) despenca mais de 10% com balanço fraco e provisão bilionária; Credit Suisse rebaixa a ação para venda
A Via (VIIA3), dona das Casas Bahia e do Ponto Frio, viu sua receita líquida encolher e ainda lançou provisões de R$ 1,2 bilhão no balanço

A sessão começou complicada para as ações ON da Via (VIIA3): os papéis da dona das Casas Bahia e do Ponto Frio chegaram a cair 18% nesta manhã de quinta-feira (11), indo a R$ 5,80 na mínima, com o mercado mostrando-se bastante frustrado com os resultados trimestrais da companhia.
Receita, Ebitda e lucro ficaram bem abaixo das projeções dos analistas; além disso, a empresa aumentou em R$ 1,2 bilhão o saldo de provisões relacionadas a processos trabalhistas — um efeito que, embora não recorrente, não estava no radar e caiu mal no mercado.
Para se ter uma ideia da decepção, o Credit Suisse promoveu um rebaixamento duplo em sua recomendação para os papéis, saindo de compra direto para venda; o Itaú BBA colocou seu modelo para as ações da Via em revisão, afirmando que "estimativas e preço-alvo antigos não refletem mais nossa visão".
Ao longo do pregão, as ações VIIA3 diminuíram bastante o ritmo de perdas, mas ainda tiveram um desempenho amplamente negativo: fecharam em baixa de 12,48%, a R$ 6,17. É, de longe, a maior queda do Ibovespa, que teve um dia bastante positivo e subiu 1,54%.

Via: o que houve?
À primeira vista, o balanço trimestral da Via (VIIA3) dava a entender que viria recheado de boas notícias: o valor bruto de mercadorias comercializadas (GMV, na sigla em inglês) subiu 5,7% em um ano, para R$ 11,1 bilhões; além disso, as vendas pelos canais digitais saltaram 33% e chegaram a 60% do total. Um sinal de que o e-commerce da companhia está se fortalecendo — há um ano, o e-commerce respondia por 47% do GMV.
Ao olharmos com lupa o desempenho das plataformas digitais da Via, também encontramos boas notícias. Tanto o 1P (o e-commerce tradicional) quanto o 3P (o marketplace) mostraram um crescimento robusto e que, em linhas gerais, até ficou acima do esperado pelos analistas:
Leia Também
- 1P: R$ 3,9 bilhões (alta de 9,6%)
- 3P: R$ 2 bilhões (alta de 133%)
Chama a atenção o desempenho do marketplace da Via, que já responde por 30% das vendas através de canais digitais. Desde o começo do ano, a empresa mostrou-se empenhada em atrair mais vendedores e desenvolver rapidamente esse canal — tanto é que, há alguns meses, a empresa anunciou de maneira bastante enfática a marca de 100 mil sellers, atingindo a meta para 2021 com bastante antecedência.
As boas notícias, no entanto, param por aí.
Se é verdade que o e-commerce da Via tem tido um bom desempenho, o mesmo não pode ser dito das lojas físicas, cujo GMV caiu 14,3%, a R$ 5,2 bilhões — vale lembrar que o terceiro trimestre de 2020 ainda era marcado pelas restrições geradas pela pandemia. Ou seja: o volume caiu, mesmo com uma base de comparação fraca.
O resultado desse mix é que, por mais que o GMV total tenha aumentado, a receita líquida da Via caiu 5,9% na comparação anual, a R$ 7,35 bilhões. É um dado que acende um sinal amarelo entre os analistas, que já especulam quanto aos efeitos da inflação mais elevada sobre a demanda do varejo como um todo.
Provisões inesperadas
Além disso, houve também um aumento relevante no volume de provisões relacionadas a processos trabalhistas: A Via, que já reservava cerca de R$ 1,3 bilhão para esses fins, aumentou essa cifra em mais R$ 1,2 bilhão — uma novidade negativa e que pegou o mercado despreparado.
Esse provisionamento se deve ao forte aumento nas ações judiciais movidas por ex-empregados contra a empresa; segundo a Via, o total de processos no primeiro semestre de 2021 foi 82% maior que o visto na primeira metade do ano passado. Considerando essa surpresa, a companhia já prevê que mais impactos serão sentidos nos próximos anos:
- 2022: de R$ 900 milhões a R$ 1 bilhão;
- 2023: de R$ 600 milhões a R$ 700 milhões;
- 2024: de R$ 300 milhões a R$ 400 milhões.
Mais cedo, durante a teleconferência com analistas e investidores, os executivos da Via argumentaram que esse efeito negativo vai ser compensado no futuro com a conversão de créditos tributários de cerca de R$ 1,8 bilhão ao ano, de 2022 em diante. Ainda assim, fato é que os efeitos desse provisionamento são sentidos no presente.
Veja o Ebitda da Via, por exemplo: as provisões extras impactaram o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização em R$ 1 bilhão no terceiro trimestre; como consequência, a linha ficou negativa em R$ 923 milhões. Ao final do balanço, a dona das Casas Bahia e do Ponto Frio reportou prejuízo líquido de R$ 638 milhões.
Desconsiderando o efeito das provisões judiciais e outros itens não recorrentes, o Ebitda da Via no trimestre foi de R$ 669 milhões, alta de 6,7% na base anual — a margem Ebitda subiu 1,1 ponto, indo a 9,1%. Em termos ajustados, a companhia teve lucro de R$ 101 milhões, praticamente estável em relação ao mesmo período de 2020.
Analistas descontentes com a Via
Em relatório, o Credit Suisse promoveu um raro 'duplo downgrade' em VIIA3, passando de compra para venda; além disso, o preço-alvo para os papéis foi cortado de R$ 9,50 para R$ 5,50 — o que representa um potencial de baixa de 10% em relação às cotações atuais, mesmo com toda a baixa vista hoje na bolsa.
"Nós reconhecemos o grande trabalho que a administração entregou desde a metade de 2019, que pode claramente ser visto nos resultados recentes", escrevem os analistas Victor Saragiotto e Pedro Pinto. "No entanto, acreditamos que as provisões trabalhistas persistentemente altas vão ofuscar essas grandes conquistas, o que justifica nossa visão menos construtiva para as ações".
Quanto às questões trabalhistas, o Credit Suisse destaca a imprevisibilidade desse fator: como a empresa já tinha feito uma provisão elevada no fim de 2019, o mercado esperava que todos os problemas nesse front estivessem solucionados, sem novas surpresas; o novo anúncio, assim, muda essa visão.
O Itaú BBA também se mostrou bastante frustrado com a Via: em relatório, o banco informou que sua modelagem para os papéis VIIA3 estavam 'sob revisão', retirando o preço-alvo de circulação — a provisão extra acabou ofuscando qualquer boa notícia vinda do balanço e do fortalecimento do e-commerce da companhia.
Dada a relevância dessa notícia, acreditamos que nossas estimativas atuais e nosso preço-alvo não refletem mais nossa visão.
Itaú BBA, em relatório
VIIA3: ações em baixa, competição animada
A queda forte de VIIA3 mexeu com todo o setor de e-commerce na B3. A provisão inesperada, a má reação dos analistas e o desempenho fraco das lojas físicas desencadearam um movimento de rotação na carteira dos investidores, que optaram por vender os papéis da empresa e comprar ações de outros players.
Magazine Luiza ON (MGLU3), por exemplo, subiu 4,84% nesta quinta-feira, aparecendo como um destino óbvio para quem se mostrou decepcionado com o balanço da Via. Americanas ON (AMER3), em alta de 2,67%, e Lojas Americanas PN (LAME4), com ganho de 1,96%, também avançaram — as duas companhias reportam seus números trimestrais nesta noite.
Outro ponto que reduz a confiança do mercado em VIIA3 é a competição acirrada no e-commerce brasileiro. Por mais que a dona das Casas Bahia e do Ponto Frio tenha crescido nas vendas digitais, há inúmeros players domésticos e externos disputando a atenção do consumidor local: além do Magalu e das Americanas, há ainda Mercado Livre, Amazon, Aliexpress e Shopee, apenas para citar algumas.
O Mercado Livre, aliás, reportou um forte crescimento no mercado brasileiro no terceiro trimestre, um sinal de que as empresas estrangeiras estão com o apetite alto — e a Via, tendo que lidar com as questões trabalhistas recorrentes, pode ficar para trás.
O OUTRO LADO DA MOEDA
R$ 4,50 ou R$ 5,80? O gatilho que vai definir o preço do dólar depois das eleições
23 de setembro de 2026 - 18:33RADAR DE FIIS
Fundo imobiliário leva calote de inquilino em recuperação judicial; entenda o impacto no bolso dos cotistas
23 de setembro de 2026 - 13:01SD ENTREVISTA
Tubarões saem e varejo entra: sinal de alerta para os FIIs? LAREAL revela o que os institucionais estão vendo
23 de setembro de 2026 - 6:01AS MAIS SAUDÁVEIS
Dasa (DASA3) é compra para o UBS BB, mas banco revela outras 2 favoritas — uma delas para dividendos
22 de setembro de 2026 - 19:50EM DESACELERAÇÃO
FIIs de shoppings sob pressão: é hora de separar o joio do trigo — e o BTG Pactual já escolheu os ativos favoritos
21 de setembro de 2026 - 20:01EM ESPERA...
Nubank, BTG Pactual e Banco do Brasil: os gringos já escolheram onde investir, agora só falta o gatilho certo para apertar compra
21 de setembro de 2026 - 17:19DIRETO PELA B3
IA, Ibovespa e até farmacêuticas gringas: Itaú BBA diz como investir em 800 ações com retorno de 23% ao ano sem dor de cabeça
18 de setembro de 2026 - 19:20EM TOM DE CAUTELA
Lula turbina Bolsa Família em 15% e faz o Ibovespa perder 3 mil pontos. Por que o mercado torceu o nariz?
17 de setembro de 2026 - 13:00DEU RUIM
Ação da Marcopolo (POMO4) despenca 26% no ano e XP rebaixou para neutra; mas há 2 fatores que podem impulsionar a ação
17 de setembro de 2026 - 12:46ONDE APOSTAR NA BOLSA
Lula ou Flávio? Você não deve esperar as eleições para se posicionar nestas ações, segundo a Kinea
17 de setembro de 2026 - 9:01VISÃO DO GESTOR
Multimercados não morreram, mas o jogo mudou: XP Asset aposta em nova estratégia e até mudança nas taxas para voltar a dar retorno
17 de setembro de 2026 - 6:14FECHAMENTO DOS MERCADOS
Os 30 minutos que selaram o destino da bolsa em Nova York — e do Ibovespa — após a alta dos juros nos EUA
16 de setembro de 2026 - 17:15CONSOLIDAÇÃO DA CARTEIRA
Fundo imobiliário que rende IPCA+ 10%? Patria quer unir FIIs e criar gigante de crédito de R$ 4,5 bilhões
16 de setembro de 2026 - 13:01LATAM RETAIL SHOW 2026
FIIs são o ‘match perfeito’ para o setor de shopping centers, segundo gestores; saiba onde estão as melhores oportunidades
15 de setembro de 2026 - 21:19ESTRATÉGIA DOS ESTRANGEIROS
Os gringos estão de olho no Ibovespa, mas as eleições assustam; veja o que diz pesquisa com gestores que reúnem US$ 90 bi
15 de setembro de 2026 - 18:45RECOMENDAÇÃO DE COMPRA
Cyrela (CYRE3), Porto (PSSA3) e RD Saúde (RADL3): o que elas têm em comum e como podem saltar até 55%?
15 de setembro de 2026 - 16:40EM BUSCA DA ESTABILIDADE
Da Petrobras (PETR4) ao BTG (BPAC11) e Embraer (EMBJ3): as ações que o Citi escolheu para enfrentar a montanha-russa das eleições
15 de setembro de 2026 - 11:17INVESTIMENTO ESG
Energia limpa na Bolsa: novo ETF da Galapagos amplia aposta em empresas brasileiras e tem apoio do BNDES
14 de setembro de 2026 - 19:47PARA ONDE VAI A BOLSA
BofA está otimista e tem nova projeção para a Selic; banco já elegeu suas ações preferidas para investir em cenário mais positivo para juros
14 de setembro de 2026 - 19:07DÍVIDA NA CARTEIRA