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Renan Sousa

Renan Sousa

É repórter do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pela Editora Globo e SpaceMoney.

De olho na bolsa

Esquenta dos mercados: Cenário doméstico foca nos desdobramentos da PEC dos precatórios, enquanto inflação global e petróleo pressionam bolsas

O panorama local não é dos melhores, com a piora das projeções para a economia nacional e exterior sem tração por mais um dia

Renan Sousa
Renan Sousa
18 de novembro de 2021
7:51 - atualizado às 7:53
Paulo Guedes com um gráfico no fundo
O ex-ministro da Economia, Paulo Guedes - Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

A bolsa brasileira registrou mais um dia de perdas e acumula três pregões seguidos de queda. Ontem (17), o Ibovespa recuou 1,39%, aos 102.948 pontos, o menor nível desde 12 de novembro de 2020. O dólar à vista, usado como proteção em momentos de crise, avançou 0,45%, a R$ 5,5242. O mercado de juros futuros também foi pressionado. 

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O cenário doméstico conturbado é um velho conhecido dos brasileiros. A PEC dos precatórios foi aprovada na Câmara, com uma margem pequena de votos, e as perspectivas não são das melhores para um aval do Senado, que encaminha uma alternativa à proposta de emenda. 

O uso político desse espaço de cerca de R$ 91 bilhões no Orçamento para 2022 também é mal visto pelos investidores, que esperavam uma maior responsabilidade fiscal do ministério da Economia, encabeçado por Paulo Guedes

Saindo do Brasil e partindo diretamente para os Estados Unidos, voltam os temores envolvendo um shutdown do governo americano, momento em que a máquina pública é paralisada por falta de recursos. Os democratas precisam costurar um acordo com a oposição nas Casas Legislativas em pouco menos de um mês, o que não deve ser uma tarefa fácil depois da aprovação de um pacote de estímulos de US$ 1 trilhão

Confira o que deve ser destaque no pregão desta quinta-feira (18):

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PEC dos precatórios

Senadores do PSDB, Podemos e Cidadania apresentaram para o governo na última quarta-feira (17) uma alternativa à PEC dos Precatórios. O texto mantém a correção do teto de gastos com o modelo atual, mas retira os R$ 89 bilhões em dívidas judiciais de seu alcance no ano de 2022. 

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Entretanto, do total, cerca de R$ 64 bilhões seriam “carimbados” para turbinar o Auxílio Brasil até o final de 2022

Hoje, a PEC dos precatórios abre cerca de R$ 91,6 bilhões no Orçamento de 2022, dos quais R$ 83,6 bilhões são efetivamente livres para o Executivo destinar a suas ações. Desse valor, cerca de R$ 24 bilhões irão para a correção de benefícios atrelados ao salário mínimo, devido à inflação maior, e R$ 51 bilhões para o Auxílio Brasil.

O ponto mais importante da proposta se refere às emendas de relator, que seriam extintas e benefícios como reajuste de servidores, aumento do fundo eleitoral e desoneração da folha teriam de ser financiadas por meio de cortes de despesas, o que deve desagradar a ala política do governo e reduzir o apoio de parlamentares. 

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A nova proposta será enviada à equipe econômica e precisa ser aprovada em dois turnos no Senado Federal ainda este ano para poder valer em 2022.

Doméstico

A FGV deve divulgar a segunda leitura do IGP-M de novembro agora pela manhã, enquanto as falas de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, e do ministro da Economia, Paulo Guedes, em eventos separados, movimentam o dia. 

De olho nos Estados Unidos

A temporada de balanços acabou por lá há quase um mês, mas os resultados acima do esperado pelo mercado surpreenderam os analistas e impulsionaram os índices para as máximas históricas. Entretanto, os investidores permanecem de olho na inflação crescente do país, ainda mais após a aprovação do pacote de US$ 1 trilhão para infraestrutura do presidente americano Joe Biden

O plano BBB (Build Back Better, “construir de novo e melhor”, em tradução livre), inclui recursos para assistência da covid-19, serviços sociais, assistência social e infraestrutura. Os analistas afirmam que o montante destinado para essas áreas não deve afetar a inflação, que já ronda as máximas em 30 anos, mas a cautela prevalece.

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E o possível shutdown do governo dos EUA continua no radar. A nova data limite para que os Estados Unidos não consigam manter o funcionamento da máquina pública ficou para 15 de dezembro, pouco menos de um mês, e deve pressionar os índices pelo mundo.

Exterior

O investidor internacional deve permanecer de olho nas falas de dirigentes do Federal Reserve hoje, que podem dar maiores detalhes sobre a retirada dos estímulos da economia americana, o chamado tapering. Além disso, os números de novos pedidos de auxílio desemprego devem movimentar os negócios hoje. 

E uma medida do governo americano deve pressionar as empresas ligadas à commodities hoje. Um pedido de uso dos estoques de petróleo para baixar o preço internacional da mais utilizada matéria-prima energética do mundo pressiona as ações do setor na Europa, Estados Unidos e pode refletir no pregão brasileiro.

Bolsas pelo mundo

O mercado de ações da Ásia encerrou a sessão desta quinta-feira no campo negativo, com as ações de incorporadoras chinesas no radar. Os dados do setor em outubro vieram abaixo do esperado pelos analistas.

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Já os índices da Europa amanheceram sem sinal único, com o setor de commodities sendo pressionado pela notícia de que os Estados Unidos articulam o uso dos estoques de petróleo para conter a alta nos preços da commodity

Por fim, os futuros de Nova York buscam uma recuperação hoje, após as quedas recentes. Vale lembrar que as bolsas europeias e americanas rondam as máximas históricas e movimentos de ajustes são comuns nesse período. 

Agenda do dia

  • FGV: Segunda prévia do IGP-M de novembro (8h)
  • França: PIB da OCDE no terceiro trimestre (8h)
  • Caixa: Entrevista do presidente da Caixa, Pedro Guimarães, sobre dados do 3º trimestre (10h)
  • Estados Unidos: Pedidos de auxílio-desemprego (10h30)
  • Ministério da Economia: Ministro da Economia, Paulo Guedes, participa da comemoração dos 29 anos da Secretaria de Política Econômica (SPE) (17h30)
  • Banco Central: Presidente do BC, Roberto Campos Neto, e diretores participam da reunião do Comitê de Estabilidade Financeira, o Comef (sem horário)
  • Estados Unidos: Presidente dos EUA, Joe Biden, se encontra com presidente do México, Andrés Obrador, primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau (sem horário)

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