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Os bons dias da bolsa brasileira parecem ter ficado para trás e o clima da eleição de 2022 tomou conta das decisões do Congresso
A bolsa brasileira deve sentir a cautela vinda do exterior no pregão desta quinta-feira (19). O Ibovespa hoje deve repercutir os desdobramentos do cenário interno conturbado, com ameaças ao teto de gastos, e repercutir a ata do Fed de ontem.
A eleição de 2022 parece ter finalmente dobrado a esquina. O clima eleitoral de agora deve colocar o teto de gastos e a regra de ouro em segundo plano, com a popularidade do atual governo caindo a cada pesquisa.
A PEC dos precatórios serviria, em tese, para abrir espaço no Orçamento e aliviar as contas do governo. Entretanto, o presidente Jair Bolsonaro quer usar essa folga nas contas para aumentar o valor do Auxílio Brasil, um substituto do Bolsa Família.
Somado a isso, o Congresso Nacional não consegue achar um meio termo para a reforma do Imposto de Renda, em especial a parte que fala do IRPJ. Estados e Municípios entraram na disputa por recursos, afirmando que o texto, como está, afetaria o caixa dos entes da federação.
Os detalhes do que acontece em Brasília você pode conferir aqui: Ruídos de Brasília: o que acontece no Planalto Central e respinga na Bolsa (e no seu bolso)
No pregão de ontem, o principal índice da bolsa fechou o dia em recuo de 1,01%, aos 116.642 pontos, menor nível de fechamento desde abril. O dólar à vista, por sua vez, encerrou a sessão em alta de 1,99%, a R$ 5,3549.
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Confira o que mais deve movimentar o pregão de hoje:
O documento da última reunião do Federal Reserve trouxe dois pontos importantes que colocaram os investidores contra a parede.
Em primeiro lugar, a falta de consenso entre os dirigentes do BC americano sobre a retirada de estímulos da economia dos Estados Unidos, o chamado tapering. Na última reunião, o Fed decidiu por manter a compra de pelo menos US$ 120 bilhões de títulos por mês.
Outro ponto importante foi uma sinalização sobre a retirada de estímulos ainda este ano. A ata indica que quase 60% dos participantes apostam que a primeira redução no ritmo dos estímulos ocorra apenas a partir de janeiro. Os detalhes você confere clicando aqui.
Antes da divulgação da ata, dirigentes do Fed já haviam sinalizado sobre a falta de efetividade da atual política monetária da instituição. Para eles, o processo de compra de ativos não estava interferindo nos números de emprego, mas aumentando a inflação e pressionando a curva de juros.
O exterior segue de olho nas próximas movimentações do BC americano. A aversão ao risco está afetando o desempenho das principais praças do mundo.
A ata do Fed desagradou os investidores asiáticos e os índices da região fecharam em baixa na manhã desta quinta-feira. Os temores envolvendo a variante delta do coronavírus e o avanço regulatório da China sobre empresas de tecnologia também fizeram pressão nos índices.
Na Europa, o documento da última reunião do BC americano também ligou o sinal vermelho dos investidores, que aumentaram a cautela e derrubaram os índices. No Velho Continente, o apetite de risco é limitado pelo avanço da variante delta pelo mundo.
Por fim, os futuros de Nova York também apontam para um pregão de baixa. Os investidores devem ficar de olho nos pedidos de auxílio-desemprego desta manhã.
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