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Assim como uma noite no deserto, o investidor deve ficar atento aos sinais para atravessar um momento de dificuldade
Para atravessar o deserto, os povos da região norte da África costumavam viajar de noite, não apenas por ser menos quente do que o dia, mas porque se guiavam pelas estrelas.
Mesmo quando caminhavam sob o escaldante sol do Saara, sabiam que direção tomar porque conheciam as constelações do noturno céu sem nuvens.
E para atravessar momentos difíceis, como a escalada da inflação dos últimos meses, os investidores devem se apegar a alguns norteadores, que devem ser divulgados hoje.
O Relatório Trimestral da Inflação (RTI) deve ser divulgado nesta quinta-feira (24) e, somado com a última ata do Banco Central, pode indicar os próximos passos da instituição. Apesar de o mercado já projetar uma alta da Selic de 1,0 ponto percentual, o índice de preços ao consumidor não para de subir.
E as projeções não são das melhores, tendo em vista que a crise hídrica pode acarretar em uma alta da conta de luz e, consequentemente, de todos os produtos.
Somado a isso, o aumento da pressão sobre o governo federal deve atrasar o pacote de reformas estruturais e a agenda liberal. Também devem servir de guia aos investidores as falas de representantes do Federal Reserve antes da divulgação dos dados inflacionários dos EUA.
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Confira o que mais mexe com os mercados nesta quinta-feira (24):
Apesar de o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, já ter anunciado que a instituição financeira americana não pretende mudar seus planos de retirada de estímulos e aumentos de juros, os investidores devem ficar de olho nas falas de outros dirigentes e presidentes regionais do BC americano.
Ao longo do dia, eles devem participar de eventos e dar maiores sinais de para onde irá a política monetária da instituição. Nesta sexta-feira (25) devem ser conhecidos os dados da inflação americana (PCE, na sigla em inglês), o que dá um peso extra em qualquer declaração dos dirigentes.
Mas os dados que estão no radar do exterior para o dia de hoje são os pedidos de auxílio desemprego dos EUA, bem como a terceira leitura do PIB do país, e a decisão do Banco da Inglaterra (BoE, em inglês) sobre a taxa de juros.
Os investidores devem ficar atentos ao processo de desmonte do governo. Após a saída de Ricardo Salles, então ministro do Meio Ambiente, que pediu demissão em meio a investigações sobre comércio de madeira ilegal, e o avanço da CPI da Covid sobre a compra de vacinas superfaturadas, o Palácio do Planalto pode ter dificuldades em avançar com sua agenda liberal.
No radar, estão a reforma administrativa e novas privatizações, entretanto, a pressão sobre o governo aumenta, o que pode atrasar ou mesmo barrar a aprovação de novos projetos.
Os principais índices asiáticos encerraram o pregão de maneira mista na manhã desta quinta-feira (24). A fala de um dos dirigentes do Fed, que sugeriu que a instituição poderia aumentar os juros do país em 2022, antes do esperado, colocaram os investidores em compasso de espera.
Além disso, dados do índice de preços ao consumidor (PCE, na sigla em inglês) devem ser divulgados amanhã, o que deve redobrar a cautela dos mercados.
Já as bolsas europeias passaram a avançar, mesmo com a cautela gerada pela inflação americana. Dados locais da Alemanha animaram os índices do Velho Continente, e a aversão ao risco só deve ser sentida mais próxima da divulgação do PCE.
Por fim, os futuros de Nova York apontam para uma abertura positiva, com otimismo em torno de uma movimentação do Federal Reserve para conter a inflação.
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