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Aversão ao risco no exterior e cena política agitada recomendam cautela
Pode parecer estranho dizer isso, mas a semana começa hoje na bolsa brasileira. E não, não é por causa de nenhum feriado sobre o qual você não ficou sabendo em meio a tantos que foram antecipados por causa da pandemia. A semana de negócios até começou ontem, é verdade, mas o pregão foi morno por aqui, com o Ibovespa e o dólar andando de lado durante praticamente toda a segunda-feira.
Um dos motivos de a bolsa e a taxa de câmbio terem fechado ontem próximos da estabilidade depois de terem passado o dia oscilando dentro de margens bastante estreitas foi a expectativa diante da carregada agenda de indicadores desta semana, que manteve muita gente fora. Mas o que evitou realmente um resultado ruim foram as ações ligadas a commodities, que sustentaram o índice.
Se faltou driver para dar um rumo mais interessante à sessão de ontem, a partir de hoje e até sexta-feira os investidores terão a seu dispor indicadores econômicos e balanços corporativos para todos os gostos e preferências.
Mas nada de passar o carro na frente dos bois. Falemos do que o mercado reserva para esta terça-feira.
Do exterior, a sinalização é negativa. As bolsas de valores asiáticas fecharam em forte queda, os principais índices de ações da Europa recuam, os futuros de Nova York sobem e as taxas das Treasuries operam acima do nível psicológico de 1,60%.
No cenário político local, a CPI da pandemia e a repercussão do escândalo do orçamento secreto do governo para a compra de apoio no Congresso também pesam. E nós ainda nem falamos de indicadores...
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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) divulgará às 8h a ata da reunião da semana passada, na qual elevou a taxa Selic em 75 pontos-base, para 3,50% ao ano. No documento, os investidores estarão em busca de sinais mais claros sobre quais serão os próximos passos da autoridade monetária.
No comunicado divulgado junto com a decisão, na semana passada, o Copom sinalizou a intenção de dar continuidade ao ritmo do aperto monetário na reunião de junho. Caso isto se confirme, a Selic chegará aos 4,25% ao ano em meados do mês que vem. O Copom também explicou que considera apropriado no momento elevar a taxa a um nível que preserve o incentivo à atividade econômica, mas ressalvou que “não há compromisso com essa posição”.
De acordo com a autoridade monetária, a condução da taxa Selic poderá ser ajustada em breve para “assegurar o cumprimento da meta de inflação”. E isto porque o BC jura de pés juntos que a pressão inflacionária é passageira.
O fato é que um pouco depois da ata, às 9h, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) divulgará o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) Amplo referente a abril. Em março, a inflação oficial atingiu 6,1% no acumulado em 12 meses, consideravelmente acima do teto da meta de inflação do BC para 2021, de 5,25%. Entre os analistas, o consenso é de que a inflação em 12 meses se acelerará em abril.
Para além da ata e do IPCA, componentes e setores do Ibovespa seguem sob impacto dos resultados trimestrais das empresas listas no índice.
Antes da abertura do pregão, o calendário de balanços corporativos prevê as divulgações do Banco BTG Pactual e da Klabin.
Para depois do fechamento são esperados os resultados do Banco Inter, recém-promovido à Série A do mercado brasileiro de ações, da BR Distribuidora, do Carrefour, da Marfrig, da NotreDame Intermédica e da Raia Drogasil. O resultado da SulAmérica também é aguardado para hoje.
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