Risco fiscal e cautela pré-Copom pesam e o Ibovespa recua 1%; Petrobras tem forte queda antes do balanço
A temporada de balanços segue a todo vapor, mas o Ibovespa também fica de olho nos atritos políticos em Brasília e nas contas públicas

O Ibovespa encara uma quarta-feira (04) tensa, com direito a bateria de resultados e a decisão de política monetária do Banco Central brasileiro.
Ao contrário das últimas reuniões, pode ser que venha surpresa por aí. No comunicado de junho, o BC sinalizou uma alta de pelo menos 0,75 ponto percentual em seu processo de normalização da taxa de juros.
Mas com os índices de inflação não mostrando sinais de arrefecimento e a perspectiva de que os preços devem seguir se elevando nos próximos meses, a maior parte dos investidores aposta em uma elevação de 1 ponto percentual.
Tão importante quanto o novo nível da Selic deve ser o tom utilizado pelos dirigentes da instituição. O comunicado deve trazer os próximos passos do BC para a economia e guiar o reajuste de apostas para a inflação e juros.
Na última edição do Boletim Focus, os economistas alteraram a previsão de alta de 6,56% para 6,79% para o IPCA. Nos últimos 12 meses, a inflação acumulada é de 8,35%.
A decisão só será conhecida após o fechamento do mercado, às 18h30, e antes disso Brasília deve concentrar as atenções dos investidores.
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O clima nos corredores do Congresso não é dos melhores. Os parlamentares voltaram do recesso e com eles os debates envolvendo a reforma tributária. Além disso, as contas públicas geram preocupação, com o governo buscando soluções para honrar a dívida de quase R$ 90 bilhões em precatórios, incluídos no Orçamento de 2022.
Embora o presidente da Câmara, Arthur Lira, já tenha expressado contrariedade à possibilidade de que o teto de gastos seja furado, as negociações em torno do novo Bolsa Família seguem em alta.
Nesta quarta-feira, nem mesmo o exterior ajuda. Após dados mistos da economia americana, os índices em Wall Street operam em queda. Por aqui, o Ibovespa acompanha, ainda que o ritmo de queda tenha reduzido na última hora. Por volta das 16h30, o principal índice da bolsa opera com um recuo de 1,33%, aos 121.928 pontos. Já o dólar à vista que chegou a subir mais de 1% mais cedo, agora opera em queda de 0,13%, a R$ 5,1858.
Com a tensão pré-Copom e a ameaça fiscal, os juros futuros também são pressionados. Confira as taxas de hoje:
- Janeiro/22: de 6,36% para 6,37%
- Janeiro/23: de 7,88% para 7,94%
- Janeiro/25: de 8,77% para 8,88%
- Janeiro/27: de 9,11% para 9,19%
Desfile de estrelas
No Ibovespa, a cautela dá pouco espaço para uma repercussão mais positiva dos números da temporada de balanços.
Mais cedo, a Gerdau divulgou os seus resultados do segundo trimestre e mostrou um crescimento de 1.149% no lucro líquido em relação ao mesmo período de 2020.
Depois do fechamento do mercado, a decisão do Copom divide espaço com o balanço da Petrobras. Mas as ações da petroleira pesam sobre o índice. Com a variante delta no radar, a cotação do petróleo Brent e do WTI recua mais de 3% e a empresa brasileira acompanha e fica entre as mairoes quedas do dia.
Giro internacional
No exterior, uma série de dados mistos acabam aumentando a cautela nas bolsas americanas e, por tabela, afeta o desempenho do Ibovespa hoje.
O relatório de empregos privados ADP, que é considerado uma prévia do payroll dos Estados Unidos, veio abaixo do esperado. A previsão do The Wall Street Journal era de 653 mil novos postos de trabalho, mas o número veio quase pela metade: foram 330 mil vagas de emprego em julho.
A piora do sentimento em relação ao emprego fez Nova York inverter o sinal e passar a operar no vermelho nesta manhã, ainda que reforce a tese defendida pelo Federal Reserve para justificar a manutenção dos estímulos.
O momento inflacionário dos Estados Unidos segue pressionando o Federal Reserve, que vê o fim da compra de bônus no fim do primeiro trimestre de 2022.
Os índices do gerente de compras dos países (PMI, na sigla em inglês) também é uma preocupação. O PMI composto dos Estados Unidos recuou de 63,7 para 59,9 em julho. Já o PMI de serviços caiu de 64,6 para 59,9, acima da previsão do The Wall Street Journal de 59,8.
A leitura do mercado é que a economia está longe do superaquecimento que por vezes é sugerida. Quando o índice está acima de 50 pontos, a economia é considera em expansão e abaixo disso, retração.
Lá fora, a temporada de balanços vai chegando ao final. O balanço da General Motors foi o destaque antes da abertura.
Sobe e desce do Ibovespa
Após números positivos da Gerdau, o setor de siderúrgia sobe em bloco, mas não é suficiente para aliviar o Ibovespa. Confira as maiores altas:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| USIM5 | Usiminas PNA | R$ 21,25 | 3,91% |
| CSNA3 | CSN ON | R$ 45,52 | 1,27% |
| BRAP4 | Bradespar PN | R$ 76,72 | 0,77% |
| SUZB3 | Suzano ON | R$ 55,13 | 0,33% |
| CPFE3 | CPFL Energia ON | R$ 25,60 | 0,27% |
Confira também as maiores quedas:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| CSAN3 | Cosan ON | R$ 24,33 | -4,92% |
| PETR3 | Petrobras ON | R$ 26,66 | -3,75% |
| CCRO3 | CCR ON | R$ 12,68 | -3,65% |
| BBDC3 | Bradesco ON | R$ 20,19 | -3,58% |
| PRIO3 | PetroRio ON | R$ 17,26 | -3,58% |
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