2021-01-11T14:28:17-03:00
Jasmine Olga
Jasmine Olga
É repórter do Seu Dinheiro. Cursa jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo
REPERCUTINDO NOVIDADES

Ações de Hapvida e Intermédica seguem embaladas por possível fusão e descolam do Ibovespa

Em dia negativo para a bolsa brasileira, as ações das operadoras chegaram a subir cerca de 10%

11 de janeiro de 2021
13:09 - atualizado às 14:28

A proposta de fusão entre as operadoras de saúde Hapvida (HAPV3) e Intermédica (GNDI3) segue embalando o mercado, mesmo em um dia negativo para a bolsa brasileira. As duas companhias lideram as altas do dia.

Por volta das 13h, o Ibovespa recuava cerca de 1,28%, aos 123.481,65 pontos. Enquanto isso, Hapvida apresentava alta de 3,85% e GNDI de3,22% . Mais cedo, as duas companhias chegaram a encostar em uma valorização de 10% com relação ao último fechamento.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Clique aqui e receba a nossa newsletter diariamente

Na sexta-feira (08), as ações da Intermédica terminaram o dia com uma alta de 26,59% e as da Hapvida avançaram 17,67%.

A operação

No fim da tarde de sexta-feira (08), a Hapvida divulgou um fato relevante com detalhes sobre a operação.

A operadora confirmou uma proposta de fusão com a rival via fusão das bases acionárias das companhias. Segundo o comunicado, os acionistas da Hapvida ficariam com 53,1% da nova empresa e os da Intermédica com o restante, 46,9%.

As duas operadoras são as únicas empresas listadas que funcionam de forma verticalizada na bolsa, ou seja, priorizam uma rede de atendimentos próprio, com clínicas, laboratórios e hospitais da sua própria rede de atendimentos. Desde 2018, quando abriram capital na bolsa, as duas empresas vêm em um processo acelerado de expansão.

O que diz o mercado

Com base nos balanços do terceiro trimestre — o último divulgado pelas empresas — a nova empresa formaria um conglomerado de 13 milhões de usuários dos planos de saúde e uma receita combinada de R$ 4,8 bilhões. O que significa que essa seria a maior operadora do país em questão de números de beneficiários.

O alcance geográfico da nova companhia também seria muito expressivo. Atualmente, a Hapvida atua com força no Norte e Nordeste, enquanto o GNDI tem uma presença mais consolidada nas regiões Sul e Sudeste.

Com as informações disponíveis até agora sobre os planos, a reação dos analistas tem sido positiva. A aprovação do negócio pelo Conselho Administrativo de Defesa econômica (Cade) não é visto como um risco real, já que, na leitura deles, serão precisos somente alguns ajustes regionais em localidades em que as duas companhias atuam com presença forte.

Para o Bradesco BBI, o acordo é positivo para as duas empresas e os ganhos de sinergia entre as duas empresas envolve a diluição das despesas administrativa — o que melhora a alavancagem operacional —, a criação de um plano de saúde de cobertura nacional e uma oferta de produtos mais diversificada.

Os analistas Fred Mendes, Gustavo Tiseo e Lucca Brendim acreditam que o valuation, utilizado o múltiplo que relaciona preço da ações e o lucro da empresa, pode variar de 40 a 45 vezes, mas ainda é preciso mais informações para detalhar melhor.

Já o Morlan Stanley diz que essa possível fusão elimina um dos riscos que estavam no radar das duas empresas: a concorrência direta em alguns territórios, como Belo Horizonte (MG) e Joinville, onde não precisarão brigar pelos bons ativos regionais e já existem players maiores que concentram a maior parte do mercado.

A estimativa dos analistas Javier Martinez de Olcoz Cerdan, Caio S. Moscardini e Daniela Santoro é que essas empresas sejam "complementares", concentrando 19% do mercado de operadoras até o fim de 2021, um número que não coloca em risco a aprovação do negócio pela ANS.

O Credit Suisse também fez algumas projeções para o que seria a nova empresa criada pela fusão. Segundo o analista Mauricio Cepeda, a sinergia entre as duas companhias tem o potencial de cortar as despesas operacionais (G&A) em cerca de R$ 500 milhões. Com menos competição por novos ativos, as novas aquisições podem ter um custo 20% menor.

Ainda segundo o banco suíço, com uma cobertura nacional, a venda de planos empresariais pode ficar 2% acima das projeções atuais. A fusão das companhias também traria um melhor tíquete médio para os planos oferecidos, melhorando a sinistralidade.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Clique aqui e receba a nossa newsletter diariamente
Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

App da Pi

Aplique de forma simples, transparente e segura

A BOLSA HOJE

Esquenta dos mercados: notícia sobre possível baixa eficácia das vacinas contra ômicron derruba mercados, em dia de discurso de Powell e votação dos precatórios

O investidor local ainda permanece de olho nas falas de Roberto Campos Neto e Paulo Guedes em eventos separados hoje

SÓ NO SAPATINHO

Dividendos: Arezzo (ARZZ3) vai distribuir R$ 60 milhões aos acionistas; veja como participar

Serão R$ 33,78 milhões em JCP e R$ 26,22 milhões em dividendos a serem depositados até 31 de janeiro de 2022

INCERTEZAS NO RADAR

CEO da Moderna levanta dúvidas sobre eficácia de vacinas contra a ômicron e provoca reação negativa nos mercados

Stéphane Bancel disse que cientistas consultados por ele esperam ‘queda significativa’ na eficácia dos imunizantes contra a nova cepa

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Os investidores agora viraram virologistas: os impactos da Ômicron sobre os mercados

Ainda não sabemos o bastante para decidir se esta é uma oportunidade de compra, mas parecemos estar mais preparados como sociedade para enfrentar o problema

VAREJO DECEPCIONADO?

Black Friday supera prévias, mas vendas do fim de semana ainda perdem para os números registrados em 2019

Segundo índice calculado pela Cielo, as vendas cresceram 6,9% em relação ao ano passado, mas foram 3,8% inferiores ao período pré-pandemia