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Julia Wiltgen

Julia Wiltgen

Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril. Hoje é editora-chefe do Seu Dinheiro.

FII do mês

Os melhores fundos imobiliários para investir em março segundo 7 corretoras

FII mais indicado para o mês tem retorno de dividendos estimado em 10% para os próximos 12 meses, combinando estratégias de desenvolvimento imobiliário e recebíveis

Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
11 de março de 2021
5:30 - atualizado às 15:56
Selo de melhores fundos imobiliários do mês
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Fevereiro foi novamente um mês difícil para os ativos de risco no Brasil. Vimos um mercado extremamente volátil, que sofreu com a ameaça inflacionária americana e a interferência do governo federal brasileiro em estatais. Mas mais uma vez os fundos imobiliários conseguiram se salvar. O IFIX, principal índice do setor, fechou o mês em alta de 0,25%, na parte superior do ranking dos investimentos do mês.

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O índice foi puxado pelos fundos de recebíveis imobiliários (CRI), títulos de renda fixa atrelados ao mercado imobiliário. O retorno desses títulos foi beneficiado pela alta do IGP-M, que foi a 2,53% em fevereiro. A maioria dos recebíveis que integram as carteiras dos FII têm sua remuneração corrigida por um índice de preços, principalmente o IGP-M.

Com a expectativa de alta da Selic neste ano, muito se discute sobre a manutenção da atratividade dos fundos imobiliários. As projeções para a Selic no fim do ano têm se elevado, com as preocupações acerca da situação das contas públicas com o prolongamento da pandemia e também em relação a um possível aumento de juros nos EUA antes do esperado, por conta da recuperação econômica e uma subsequente pressão inflacionária.

O mercado já precifica aumento de juros na próxima reunião do Copom, a ser realizada ainda neste mês, e uma Selic a 4,00% no fim do ano. Os juros futuros viram forte alta durante o mês de fevereiro.

No relatório da carteira recomendada da corretora Genial Investimentos, a analista Isabella Stella Suleiman diz que, num cenário de alta da Selic, os fundos imobiliários de recebíveis devem repassar o aumento dos juros pela própria dinâmica dos ativos em seu portfólio.

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Já os fundos de tijolo estão com retorno médio de dividendos entre 6% e 7%, ante de uma expectativa de alta da Selic para 4% ou 5%, ou seja, ainda se mantendo atrativos - principalmente se considerarmos que os FII são isentos de IR.

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Suleiman e outros analistas de corretoras que participaram desta matéria, creem que, por essas razões, uma alta de juros ainda não sacrificaria tanto a atratividade dos FII.

Os fundos imobiliários preferidos para março

O campeão de indicações do mês de março foi o TG Ativo Real (TGAR11), com três indicações: Ativa, Terra e Santander, que o colocou no top 3 no lugar do BTG Pactual Logística (BTLG11), um dos campeões de indicações desde que iniciamos a cobertura dos FII recomendados.

O BTLG11, por sinal, permaneceu com duas indicações, aparecendo nos top 3 de Genial e Mirae, onde estrearam neste mês. No caso da Genial, aliás, o BTLG11 estreou também na carteira recomendada geral da corretora, aparecendo entre as suas indicações de FII voltados para geração de renda. Já a Guide e o Santander retiraram o fundo do BTG dos seus top 3, mantendo-o apenas nas suas carteiras recomendadas gerais.

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Também permaneceram com duas indicações para março o TRX Real Estate (TRXF11), que figura nos top 3 de Ativa e Santander, e CSHG Logística (HGLG11), indicado por Mirae e Terra.

Confira a seguir os três fundos preferidos de cada corretora entre os FII indicados nas suas respectivas carteiras recomendadas para março.

TG Ativo Real (TGAR11)

O fundo TG Ativo Real (TGAR11) estreou em março na carteira recomendada do Santander e foi logo alçado ao top 3 indicado com exclusividade ao Seu Dinheiro. O FII já figurava entre os preferidos de Ativa e Terra, cujos top 3 foram mantidos neste mês.

O TGAR11 tem uma carteira híbrida, e foca basicamente em duas estratégias: desenvolvimento de loteamentos, com 23 empreendimentos em obras ou vendas em andamento, além de nove projetos ainda a iniciar; e uma carteira de recebíveis.

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As duas estratégias têm estado em alta: o desenvolvimento imobiliário, atividade com mais risco e maior potencial de retorno, aparece como alternativa para quem busca ganho de capital num cenário de juro baixo; já os recebíveis têm natureza defensiva, com bem menos volatilidade, mas têm oferecido retornos gordos ante a renda fixa conservadora, sobretudo aqueles títulos com correção pelo IGP-M, que vêm protegendo contra a disparada deste índice de inflação.

Segundo o Santander, cabe destacar o fato de que o TGAR11 faz parcerias estratégicas com players locais para o desenvolvimento de projetos, "proporcionando melhor conhecimento/capacidade de execução nas regiões em que atua (principalmente no Centro-Oeste)", diz o banco em relatório. O Santander também destaca a implantação de práticas de governança e controle nos projetos.

"Dada a diversificação de projetos e etapas de execução do portfólio, o FII consegue entregar um yield (retorno) relativamente estável aos cotistas, mesmo atuando em uma estratégia de desenvolvimento", explica o Santander, que estima um retorno com dividendos superior a 10% para o fundo nos próximos 12 meses.

A Ativa também destaca os rendimentos do TGAR11. "O fundo está apresentando excelentes resultados nos últimos meses, com yield mensal acima de 0,8%. Acreditamos que a tese de investimentos da gestora tende a atrair mais atenção do mercado nos próximos meses", diz Mario Campos, analista de fundos imobiliários da corretora.

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Retrospectiva

Em fevereiro, sete fundos ficaram empatados com duas indicações cada um. Dois deles tiveram desempenhos impressionantes: o estreante entre os mais indicados TRXF11 teve alta de 5,7%, enquanto o habitué BTLG11 terminou o mês com alta de 5,0%.

O TGAR11, fundo mais indicado para março, avançou 0,2% no mês passado. Já o HGLG11 subiu 0,1% e o BCFF11 avançou 1,0%. O HGRU11 terminou fevereiro no zero a zero. Apenas um indicado viu queda: o RBRF11, que recuou 3,1%.

Veja na tabela a seguir o desempenho de todos os fundos dos top 3 das corretoras no mês passado:

Carteiras recomendadas completas das corretoras

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