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Jasmine Olga

Jasmine Olga

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

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De novo ele! Risco fiscal não dá trégua e Ibovespa tem queda firme; dólar sobe a R$ 5,36

Lá fora, o dia foi misto, com os investidores pesando o entusiasmo com Biden e a cautela com a situação econômica na Europa

Jasmine Olga
Jasmine Olga
21 de janeiro de 2021
19:22 - atualizado às 19:30
Fantasma
Fantasma - Imagem: Shutterstock

Depois de brilhar durante boa parte de 2020, ele deixou de dar as caras por uns tempos. Ficou tímido, esquecido, virou quase uma lembrança distante do passado. Na sua ausência, os investidores se empolgaram e levaram o Ibovespa a bater recorde atrás de recorde e entramos em 2021 quase como se ele nunca tivesse esquecido. 

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Mas ele está de volta. E, se você olhar bem, verá que ele está por toda parte.

Estamos falando da apreensão com a situação fiscal e a das contas públicas do país. O temor de que o governo apele para novas medidas de estímulos — incluindo uma possível extensão do auxílio emergencial — como forma de combater os impactos negativos do coronavírus ou de reverter a queda de popularidade do presidente Jair Bolsonaro. 

Como eu disse, a preocupação com o teto de gastos está em todo lugar. Está nas ações do governo, nos problemas com a vacinação em massa da população brasileira contra a covid-19 e até nas corridas presidenciais da Câmara e do Senado — um assunto que promete dar muito o que falar nas próximas semanas. 

Inclusive, foi ele que colocou o Ibovespa mais uma vez na contramão de parte do mercado internacional. É verdade que as bolsas americanas perderam um pouco de força durante o dia (e o Dow Jones fechou em leve queda de 0,09%), mas antes disso elas chegaram a buscar novos recordes, ainda surfando o entusiasmo com o início do governo Biden. 

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A bolsa brasileira ficou no azul, mas só conseguiu essa façanha pela primeira hora de negociações, um cenário que tem se tornado muito comum nos últimos dias. Na máxima, o Ibovespa chegou a sustentar o patamar dos 120 mil pontos, mas o peso da cautela fez o principal índice da bolsa brasileira fechar em queda de 1,10%, aos 118.328,99 pontos. 

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O dólar à vista teve uma trajetória semelhante, na mínima do dia encostou nos R$5,23, mas terminou a sessão em alta de 0,98%, a R$ 5,3641.

Mas nem só de temor com as contas públicas se construiu o pregão de hoje. Também tivemos a repercussão da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem após o fechamento dos mercados. 

O mercado de juros futuros foi o que mais sentiu, passando por um ajuste. O Copom retirou a sinalização de que manterá a Selic na mínima histórica por muito tempo. Com a leitura de que devemos ter mudanças em breve, a curva passou a precificar uma alta para a taxa básica, principalmente na ponta mais longa. Confira as taxas de fechamento de hoje:

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  • Janeiro/2022: de 3,30% para 3,39%
  • Janeiro/2023: de 4,93% para 5,16%
  • Janeiro/2025: de 6,45% para 6,66%
  • Janeiro/2027: de 7,14% para 7,30%

Aquele velho conhecido

Em 2020, quanto mais o governo gastava para contornar os efeitos da pandemia do coronavírus, mais o investidor ficava com a pulga atrás da orelha se perguntado: e como fica o teto de gastos?

Custou um pouco, mas, no fim das contas, o governo federal conseguiu convencer o mercado de que respeitar o teto de gastos e preservar a saúde fiscal do país era uma prioridade.

Só faltou combinar com os russos. Ou melhor, com os candidatos do governo à presidência da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco — que saíram por aí defendendo uma rediscussão para o auxílio emergencial e a flexibilização do teto de gastos em “momentos de necessidade”.

Pela manhã, foi a vez de Lira frustrar os agentes do mercado financeiro. O candidato reforçou a possibilidade da retomada do auxílio emergencial, destacando que a base de recebimento será menor, e o cadastro "mais polido". O deputado ainda disse que o mercado aceitaria uma despesa entre R$ 20 bilhões e R$ 50 bilhões por 6 meses, mas que ainda não conversou com Paulo Guedes ou o presidente Bolsonaro sobre o assunto este ano. Vale lembrar que o principal adversário de Lira, Baleia Rossi, também já se mostrou favorável a uma retomada do auxílio.

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Um pouco mais tarde, uma entrevista de Rodrigo Pacheco azedou ainda mais os mercados. Ele se mostrou favorável a uma flexibilização. Em entrevista ao Broadcast Político, Pacheco disse que, em momentos de necessidade, o teto de gastos não pode ser "intocado" e se colocou contra a venda da Eletrobras.

Evaldo Perussolo, CFO do Banco Bari, lembra que "já estamos machucados e com uma perspectiva de aumentar os gastos, temos também o aumento do prêmio de risco". Para Perussolo, o exagerado otimismo das últimas semanas, quando defrontado novamente com esses riscos, leva a uma natural realização de lucros.

O CFO também destaca que é bom ficar de olho na corrida presidencial no Congresso. Como o gostinho que tivemos hoje já mostrou, esse é um assunto que pode trazer uma volatilidade maior, já que além de ser o início da disputa eleitoral em 2022, pode comprometer (ou facilitar) a aprovação das reformas desejadas.

Um pouco mais tarde, Lira utilizou suas redes sociais para "desfazer o mal entendido".

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Ainda não acabou...

Faltou também combinar com o Ministério da Saúde e pedir certa moderação ao Itamaraty. É que os dos estão envolvidos no problema gigantesco que se tornou o processo de vacinação contra a covid-19. Que, por prolongar o estado mais severo da pandemia, também alimenta o risco fiscal com a perspectiva que o governo deverá gastar mais dinheiro para contornar o problema.

Novas medidas de distanciamento social são anunciadas todos os dias em locais como China, Europa, Estados Unidos e até mesmo em algumas capitais brasileiras. Em São Paulo, o governo estadual deve reclassificar as regiões já na sexta-feira, pela terceira vez em 15 dias.

A aprovação da vacina, que deveria trazer alívio, escancarou outros problemas ainda mais sérios que envolvem logística, política e até relações internacionais.

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As seis milhões de doses disponíveis da Coronavac foram distribuídas entre os estados e a chegada e produção de novas doses está comprometida. Isso porque a China tem dificultado a importação dos insumos necessários para a produção. A Fiocruz adiou para março a entrega das doses prometidas.

Representantes já confirmaram que o entrave tem raiz na postura do governo brasileiro nos últimos anos e nos ataques feitos pelos filhos do presidente ao país asiático.O governador de São Paulo, João Doria, e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, entraram no jogo para tentar resolver a situação.

Mas, no meio disso tudo, um alívio. O governo federal anunciou que o lote com 2 milhões de doses comprado da Índia finalmente deverá chegar ao país na sexta-feira.

Até lá (e até mesmo depois do recebimento) a falta de vacina pesa. Temos também a falta de um cronograma e um plano nacional de vacinação delimitado, enquanto o coronavírus segue vitimando cada vez mais pessoas. No fim do dia, o risco final e a vacinação andam de mãos dadas e trazem cautela ao mercado.

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A decisão

Ontem, após o fechamento dos mercados, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa básica de juros em 2% ao ano e retirou o forward guidance, que indicava que a taxa permaneceria baixa por um longo período de tempo.

O Comitê afirmou que a derrubada do instrumento não é uma sinalização imediata de elevação da taxa de juros. Para o Copom, a conjuntura econômica continua a prescrever estímulo "extraordinariamente elevado frente às incertezas quanto à evolução da atividade" e as próximas decisões dependerão da análise usual do balanço de riscos para a inflação prospectiva.

Victor Benndorf, analista da Apollo Investimentos, lembra que o aumento da taxa Selic impacta diretamente no valuation de empresas, no prêmio de risco no mercado e no em uma melhora do custo de oportunidade da renda fixa, o que pode acabar levando a uma realização dos lucros da bolsa como vemos hoje. " O que é ruim é que estamos indo na mão contrária do resto do mercado global. Os países desenvolvidos já prometeram e vão continuar com uma política ultra solta enquanto somos forçados a retirar os estímulos", conclui.

Evaldo Perussolo, CFO do Banco Bari, é da opinião que de que a decisão de ontem já estava precificada na bolsa e que um aumento nos juros não deve vir já na próxima reunião, em março. "Existe uma grande chance de acontecer no primeiro semestre. Mas ainda teremos pouco tempo dos novos presidentes no Congresso. O BC não sabe como será a atuação deles, como conduzirão as pautas. Me parece pouco tempo".

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Lá fora

Ainda refletindo as expectativas positivas com o início do governo Biden e repercutindo os últimos dados da economia local, as bolsas americanas abriram o dia buscando novos recordes, mas perderam parte do fôlego durante a tarde. O Dow Jones foi o único dos principais índices a fechar em queda, recuando levemente 0,09%.

Na Europa, os mercados aprofundaram a queda e fecharam o dia no vermelho após a divulgação do comunicado da decisão de política monetária do Banco Central Europeu e fecharam o dia no vermelho. Como esperado pelo mercado, a instituição manteu seus intrumentos de política monetária, mas o discurso de Christine Lagarde azedou o humor dos investidores.

Presidente do Banco Central Europeu, Lagarde afirmou que a segunda onda do coronavírus no continente traz riscos à economia. Segundo ela, dados apontam contração da economia na zona do euro no 4º trimestre e a atividade deve seguir pressionada no 1º trimestre de 2021.

Sobe e desce

A PetroRio, que anunciou na segunda-feira uma nova oferta pública de distribuição primária de até 29.700.000 ações, que pode movimentar até R$ 2,1 bilhões, foi o grande destaque positivo do dia.

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A CSN acertou o preço para viabilizar o IPO de sua unidade de mineração, que deve estrear na bolsa com um valor de mercado entre R$ 47,5 bilhões e R$ 63 bilhões. A Copel anunciou uma nova política de dividendos que foi bem vista pelos Goldman Sachs.

Já a B2W segue surfando o cenário positivo para as empresas ligadas ao e-commerce. Confira as maiores altas do dia:

CÓDIGONOMEVALORVARIAÇÃO
PRIO3PetroRio ONR$ 74,28 4,90%
BTOW3B2W ONR$ 89,79 2,62%
CPLE6Copel PNR$ 66,28 1,77%
QUAL3Qualicorp ONR$ 32,85 1,55%
HAPV3Hapvida ONR$ 17,62 1,44%

A Eletrobras foi fortemente afetada pela notícia de que a sua provatização pode não ocorrer em 2021. Já as ações das construtoras foram impactadas pela perspectiva de que os juros devem voltar a subir em breve. Confira também as maiores quedas do dia:

CÓDIGONOMEVALORVARIAÇÃO
ELET6Eletrobras PNBR$ 31,43 -6,15%
EZTC3EZTEC ONR$ 36,80 -5,64%
CYRE3Cyrela ONR$ 26,90 -5,35%
ELET3Eletrobras ONR$ 31,30 -5,15%
CSAN3Cosan ONR$ 77,62 -3,90%

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