Bolsa hoje: Levanta e sacode a poeira! Agenda mais carregada no Brasil deixa o mercado atento
No Brasil a divulgação IPCA-15, confiança do consumidor e dados fiscais, são alguns dos destaques; nos EUA temos relatório de bens duráveis para julho

A Bolsa brasileira acorda esperando a divulgação do IPCA-15 de agosto pelo IBGE, que pode fazer preço sobre os mercados, principalmente em meio à fala do presidente de nosso Banco Central, Roberto Campos Neto, às 16 horas, na 11ª Reunião do Núcleo de Estudos Avançados de Regulação do Sistema Financeiro Nacional (Neasf), promovida pela Fundação Getúlio Vargas – há espaço para pressão sobre os juros e o câmbio, diante do processo de normalização das taxas pelo qual passamos.
As ações nas bolsas americanas terminaram em alta ontem (24), com os índices S&P 500 e Nasdaq fechando em novas máximas históricas, digerindo a aprovação em definitivos de uma das vacinas contra Covid-19 e aguardando um discurso mais light no final da semana do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell.
Enquanto isso, o Brasil dilui seu risco com perspectivas mais favoráveis derivadas de falas do herói do pregão de terça-feira, Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara dos Deputados.
Nesta quarta-feira (25), as Bolsas asiáticas tiveram performance mista, mas predominantemente no positivo – de uns dias para cá, temos verificado uma recuperação robusta dos indicadores asiáticos, depois de semanas sofrendo por conta da variante Delta e da regulação chinesa. Na Europa também não é uníssono, mas há uma predominância de alta nesta manhã, acompanhada por mais uma valorização dos futuros americanos.
A ver...
Nosso herói não usa capa
Em Brasília, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), virou herói depois de reafirmar os compromissos fiscais com o Brasil. O mercado está tão carente que bastaram algumas poucas palavras para que fosse aliviada parte do ruído sobre os ativos de risco.
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Houve também certa comemoração com a possibilidade de mudanças na PEC dos precatórios, de modo a endereçar a insegurança jurídica, ainda que possa soar ruim mais um adiamento no projeto do IR.
Para hoje, alguns eventos importam no mesmo sentido de trazer alívio fiscal:
- i) o deputado Arthur Maia (DEM-BA) pode apresentar seu parecer à reforma administrativa – se não hoje, ainda nesta semana;
- ii) o Supremo Tribunal Federal (STF) pode julgar a constitucionalidade da lei que trata da autonomia do Banco Central;
- iii) a Secretaria Especial da Receita Federal divulga ao meio-dia o resultado da arrecadação de julho de 2021, com direito à publicação do Relatório Mensal da Dívida (RMD) de julho pelo Tesouro Nacional.
Todos esses gatilhos podem servir para reforçar o otimismo com a Bolsa, em meio a um contexto macroeconômico soberano.
Nasdaq nos 15 mil pontos
Pela primeira vez, a Nasdaq fechou acima do único nível simbolicamente significativo de 15 mil pontos. Com isso, o índice sobe 19% desde março e entrega mais de 120% de retorno desde sua baixa de mercado em março de 2020.
As grandes empresas de tecnologia tiveram muito a ver com isso, claro, uma vez que o quinteto do Facebook, Apple, Amazon, Microsoft e Alphabet representa cerca de 40% do valor de mercado do índice.
Enquanto isso, no S&P 500, a temporada de resultados corporativos do segundo trimestre está quase no fim, com mais de 90% das empresas do índice já tendo entregado seus relatórios – as empresas do S&P 500 podem ter aumentado os lucros em quase 100% na comparação anual.
Há a formação de expectativa pela aprovação na Câmara do pacote de infraestrutura de Joe Biden, uma vez que Pelosi se comprometeu a votar o projeto bipartidário até 27 de setembro.
De volta aos US$ 70 por barril
Depois de começarem 2021 abaixo de US$ 49, os preços do petróleo dispararam para mais de US$ 75 o barril em meados de julho.
A reabertura da demanda estava ultrapassando os aumentos de oferta da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados (Opep+), fazendo com que muitos já falassem de US$ 100 em um horizonte curto de tempo.
Contudo, apesar do aumento nos processos de vacinação, a variante Delta do coronavírus empurrou os números de casos de Covid-19 para cima, fazendo com que mais governos, empresas e indivíduos começassem a mudar seus planos de reabertura.
Atrasos em viagem e no retorno ao escritório reduzem a demanda por petróleo, gás e combustível de aviação. Como resultado, o petróleo caiu para abaixo dos US$ 70 por barril novamente.
Nas últimas duas semanas, porém, voltamos a ver a venda do petróleo ser impulsionada, restaurando certo otimismo com o preço da commodity.
Isso graças a uma combinação de notícias melhores no front da Covid-19, além da maior confiança do mercado de que o fornecimento não ultrapassará significativamente a demanda no curto prazo, mesmo com o aumento gradual de produção pelos membros da Opep+.
Acredita-se que os produtores estão investindo muito pouco em novos projetos hoje para acompanhar o crescimento futuro, e isso significa que os preços devem subir.
Com isso, já temos Brent acima de US$ 70 por barril novamente, com perspectivas favoráveis para os próximos meses.
Anote aí!
A agenda é um pouco mais carregada hoje no Brasil, com:
- IPCA-15 (prévia da inflação oficial),
- confiança do consumidor
- dados do setor externo,
- dados fiscais já indicados mais acima neste texto.
Além disso, as falas de autoridades, como:
- Do ministro da Economia, Paulo Guedes,
- Do coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Luis Felipe Vital, que comenta o resultado da arrecadação,
- Do secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, que participa de evento na parte da tarde.
Nos EUA, temos o relatório de bens duráveis para julho, com expectativa de um ganho mensal de 0,8% nas novas encomendas de bens manufaturados duráveis, enquanto na Europa podemos digerir ao longo do pregão os dados já apresentados na Alemanha de sentimento das empresas em agosto.
Muda o que na minha vida?
Teria a onda de casos da nova variante delta feito topo nos EUA?
Dez dias atrás, estimou-se que a onda da variante Delta atingiria o pico em uma ou duas semanas. Aparentemente, as projeções estavam certas quanto ao ponto médio de "uma a duas semanas depois".
Agora, ao que tudo indica, a ascensão de novos casos de Covid-19 provocados pela variante Delta nos EUA atingiu o pico, com modelos, como o da Universidade de Washington, sugerindo que os EUA já ultrapassaram o nível máximo de infecções diárias causadas por essa cepa.
Como havíamos comentado, a variante Delta tem se mostrado um evento transitório.
Mas o que isso significa para os mercados?
Pragmaticamente, se os EUA ainda não viram o pico de números de casos de Covid-19, há quem acredite que esse marco seja iminente. Mais importante ainda, em linha com o que aconteceu com o Reino Unido, o declínio no número de casos do outro lado pode ser rápido, principalmente com o novo vigor das vacinas, que ganharam impulso com a aprovação de ontem – Pfizer com autorização total e não somente a emergencial.
Isso é um bom presságio para as ações, que tiveram um desempenho inferior até agora no segundo semestre, com a deterioração da situação da Covid-19 nos EUA.
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Um abraço,
Jojo Wachsmann
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