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O mercado deve manter as atenções nos próximos movimentos do ex-presidente Lula, que voltou a ter seus direitos políticos, com o exterior de olho no pacote de estímulos
Certa vez, neste mesmo espaço, cheguei a comparar o noticiário do dia com uma luta de sumô. Pois bem, hoje acredito que está mais próximo do judô, onde um oponente tenta literalmente jogar o outro no chão. Se ele cair de costas no chão, é considerado ippon, e a luta termina.
Acredito que nem você, nem ninguém estava preparado para o ippon de ontem. Na parte da tarde, o ministro do Superior Tribunal Eleitoral (STF) Edson Fachin anulou todas as decisões tomadas pela 13ª Vara Federal de Curitiba que envolviam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Lava Jato.
Na prática, isso devolve os direitos políticos do ex-presidente, o que inclui estar apto para concorrer à eleição de 2022. Isso gerou uma onda de emoções no mercado, que precificou a volta do principal candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) ao jogo político e fez a bolsa cair mais de 3% no pregão de ontem.
Para Carlos Heitor Campani, professor de finanças da Coppead, essa decisão vem em um momento de crise política e gera muita especulação para o futuro das reformas. Ele teme que as energias voltadas para a polarização acabem contaminando o clima do Congresso e transformem as discussões em jogos de interesse entre os candidatos, tirando o foco das necessidades do país.
Isso afeta o investidor comum na medida que decisões jurídicas passam por incertezas e inconsistências, aumentando o risco do país. Isso pode gerar uma fuga de capitais e desinvestimentos no Brasil. Mas, segundo especialistas, ainda é cedo para dizer.
Não bastasse isso, a pandemia descontrolada no Brasil e a tentativa de desidratação da PEC emergencial devem ser outros temas que irão afetar os mercados hoje. Prepare-se com as principais notícias do dia para o pregão desta terça-feira (09):
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O presidente da República Jair Bolsonaro afirmou ontem de tarde que as forças de segurança devem ficar fora do congelamento de salários. Na prática, Bolsonaro tenta agradar sua base e se afasta da austeridade defendida pela Proposta de Emenda à Constituição (PEC) emergencial.
A PEC emergencial já era considerada desidratada quando passou pelo Senado, com a retirada de cortes em subsídios e redução das renúncias fiscais, que ocorrem quando o governo abre mão de receber impostos. Mesmo assim, ela foi considerada positiva pois ativa gatilhos para controlar as contas públicas e não deixar a dívida aumentar muito mais do que a receita.
Bolsonaro ainda chegou a comentar que enviaria uma segunda proposta ao Senado, o que não influencia no texto atual, mas não especificou quando nem se mandaria. Como o presidente foi ofuscado pela decisão de Fachin sobre seu rival político, o mercado deve ficar mais atento ao desenrolar da fala do presidente.
O país tem vivido seus piores dias de pandemia, com uma média móvel de casos de 1,5 mil pessoas. 266.398 brasileiros não resistiram a covid-19 e a imunização chegou a pouco mais de 4% da população nesta semana.
O presidente Jair Bolsonaro mudou de tom para falar da vacinação, afirmando que "ela é importante, sim", mas não obrigatória. De acordo com Paulo Guedes, seu ministro da Economia, o presidente estaria negociando diretamente com a Pfizer 14 milhões de doses para o Brasil até julho deste ano.
Saindo de terras brasileiras, a Câmara dos Estados Unidos deve encerrar hoje a votação do pacote de estímulos fiscais de US$ 1,9 trilhão. O próximo passo é a aprovação do presidente Joe Biden, que propôs o pacote.
A expectativa de que o pacote reaqueça a economia dos EUA, paralisada pela pandemia de covid-19, anima os mercados pelo mundo. Entretanto, com todo esse dinheiro, também é esperada uma alta da inflação e um aumento dos juros pelo Federal Reserve, o Banco Central norte-americano.
Além disso, os títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries) tendem a se valorizar nesse cenário. O avanço dos preços desses ativos tem sido acompanhado de perto pelos investidores, que podem migrar da bolsa para esse tipo de investimento e derrubar os índices pelo mundo.
A polarização entre o atual presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é inevitável e antecipou as discussões que só ocorreriam em 2022. Para a economista Elisa Barreto Da Rocha, até no cenário internacional.
"Há uma perspectiva que o atual presidente americano Joe Biden, possa oferecer seu apoio a candidatura de Lula, não é novidade que Bolsonaro não compactua com os ideais de Biden e vice-versa, dessa forma o presidente americano poderia auxiliar na derrubada do governo bolsonarista", afirma ela.
A relação entre os dois países tem sido cada vez mais tensa, tendo em vista a saída de Donald Trump, afinado politicamente com Bolsonaro, da Casa Branca. Elisa ainda acredita que, com o apoio de Biden e a retomada de boas relações com os EUA, o Brasil possa ter acordos comerciais favoráveis com o país.
"Claro, estamos tratando de especulações, o mercado, a economia, é algo muito volátil e incerto, a qualquer momento algo pode acometer a sociedade e a história pode tomar um outro rumo", conclui ela.
Com esse cenário externo mais conturbado em relação à maior economia do mundo, as bolsas da Ásia fecharam de maneira mista. Enquanto alguns índices se animavam com a queda no preço dos Treasuries e o avanço dos índices de Wall Street, outras seguiam em queda pela retirada de estímulos econômicos da China para conter gastos.
Já na Europa, os índices operam com ganhos, puxados pelos futuros de Nova York, apontando para uma abertura positiva, e queda nos preços dos Treasuries. Os dados da economia alemã também foram positivos para o Velho Continente, apontando para uma tendência de retomada econômica.
Enquanto isso, os futuros de Wall Street operam com forte valorização na manhã desta terça-feira. O Dow Jones futuro avançava 0,56%, enquanto o S&P 500 futuro ganhava 1,10% e o Nasdaq se valorizava 2,31% por volta das 8h30.
Após o fechamento, divulgam seus balanços:
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