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2020-03-24T20:36:01-03:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA. Trabalhou por 18 anos nas principais redações do país, como Agência Estado/Broadcast, Gazeta Mercantil e Valor Econômico. É coautor do ensaio “Plínio Marcos, a crônica dos que não têm voz" (Boitempo) e escreveu os romances “O Roteirista” (Rocco), “Abandonado” (Geração) e "Os Jogadores" (Planeta).
Crédito privado

Fundo de debêntures Select Light, da gestora Quatá, é fechado para resgates

O fechamento do fundo sob gestão da Quatá Investimentos, que possui patrimônio de R$ 103 milhões, abrange inclusive os resgates que já foram solicitados e ainda não foram pagos

24 de março de 2020
15:20 - atualizado às 20:36
Mercados juros bolsa coronavírus
Imagem: Shutterstock

Os investidores do fundo de investimentos Select Light estão impedidos desde ontem à noite de fazer o resgate de seus recursos. Sob gestão da Quatá Investimentos, o fundo de crédito privado investe a maior parte do patrimônio em debêntures, títulos de dívida emitidos por empresas.

O fechamento do fundo Select Light foi determinado pela administradora BRL Trust em razão das incertezas e instabilidade dos mercados gerada pela pandemia do Covid-19.

“Neste cenário há risco de que a venda dos ativos do fundo para providência de liquidez poderá ser dificultada ou acarretar deságio excessivamente desfavorável aos cotistas”, informou a BRL.

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No fim de fevereiro, o fundo contava com patrimônio líquido de R$ 103 milhões, dos quais 76% estavam aplicados em debêntures.

O Select Light era distribuído nas plataformas da Ativa, Azimut, Guide, Modal, Órama, Genial e RB, segundo o site da administradora.

O fechamento do fundo abrange inclusive os resgates que já foram solicitados e ainda não foram pagos. A BRL informou ainda que vai convocar uma assembleia de cotistas para decidir o futuro do fundo. Eu procurei a Quatá, mas ainda não tive retorno [Atualização: leia aqui a resposta da gestora].

Sem liquidez

O mercado de renda fixa privada vem sofrendo diante do sentimento de aversão a risco generalizado em consequência da epidemia do coronavírus. Apenas neste mês, o índice de debêntures calculado pela gestora JGP acumula uma perda de 6,4%.

A crise vem sendo provocada principalmente pela redução da liquidez no mercado secundário de debêntures. Com muito mais vendedores do que compradores, os poucos negócios acabam saindo com taxas mais altas – o que representa uma perda para quem havia adquirido os papéis com taxas menores. Eu conto em detalhes o que acontece no mercado nesta matéria.

Diante da restrição de liquidez no mercado, o Banco Central anunciou ontem a liberação de até R$ 91 bilhões em recursos do compulsório para os bancos comprarem debêntures, dentro do “arsenal” de medidas para conter os efeitos do coronavírus na economia.

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