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Os segredos da bolsa: muitos dados econômicos e um último balanço para ficar de olho - Seu Dinheiro
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2020-03-29T22:41:02-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
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Os segredos da bolsa: muitos dados econômicos e um último balanço para ficar de olho

A primeira leva de indicadores referentes a março — mês da explosão do coronavírus — começará a ser divulgada nesta semana, mexendo diretamente com a bolsa

30 de março de 2020
5:30 - atualizado às 22:41
segredos da bolsa
Imagem: Shutterstock

Março, o mês em que os mercados financeiros viraram de cabeça para baixo, está chegando ao fim. Mas isso não quer dizer que o que aconteceu nos últimos 30 dias deixará de influenciar a bolsa.

Pelo contrário: chegou a hora de os investidores descobrirem o tamanho do estrago do coronavírus na economia global. Isso porque, com a virada do mês, começarão a ser divulgados os primeiros dados econômicos referentes a março, período em que o coronavírus se espalhou pelo mundo.

Ou seja: o que antes estava apenas no campo da suposição — o impacto da pandemia — se tornará realidade. E, dependendo do quão desanimador for o quadro, o mercado de ações poderá sofrer ainda mais nos próximos dias.

No Brasil, a maior parte das informações a serem reveladas nesta semana ainda é referente a fevereiro, o que tira parte da importância da agenda doméstica. No exterior, contudo, a semana vai ser movimentada — todos os dados abaixo dizem respeito a março:

  • Segunda-feira (30)
    • Índice de atividade das empresas dos EUA
    • PMI industrial e de serviços da China
  • Terça-feira (31)
    • Confiança do consumidor dos EUA
  • Quarta-feira (1)
    • PMI industrial da zona do euro
    • Relatório ADP de criação de empregos no setor privado dos EUA
    • PMI industrial dos EUA
    • Índice ISM de atividade industrial dos EUA
  • Sexta-feira (3)
    • Payroll dos EUA — número de postos de trabalho criados e taxa de desemprego

Pois é: temos uma semana daquelas pela frente.

Em geral, a maior parte desses dados não costuma fazer preço no mercado. No entanto, considerando as atuais circunstâncias, qualquer pista a respeito do estado da economia global com a pandemia de coronavírus pode ser útil para os investidores.

Por enquanto, tivemos apenas um indicador que já mostrou parte do impacto causado pela doença: o total de novos pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos na semana encerrada em 21 de março — e o resultado foi chocante.

Ao todo, foram 3,28 milhões de novas solicitações — um aumento de mais de 3 milhões em relação à semana anterior, quando apenas 282 mil pedidos foram feitos. Trata-se do maior nível já registrado na série histórica do departamento de trabalho dos EUA.

Com o surto da doença, autoridades do mundo todo têm incentivado o isolamento social e o fechamento dos comércios não-essenciais para tentar conter o avanço do vírus — uma situação que pressiona especialmente os pequenos e médios negócios e, consequentemente, provoca uma explosão no desemprego.

O salto nos novos pedidos de seguro-desemprego nos EUA distorce o gráfico da série histórica: o dado passou do nível de 200-300 mil para mais de 3 milhões, de uma semana para a outra (Fonte: Departamento de Trabalho dos EUA)

Com esse dado em mente, o mercado já está com as barbas de molho, aguardando pelo pior. Os PMIs — termômetros do nível de atividade econômica — tendem a mostrar quedas bruscas, assim como os índices de confiança.

Em meio à montanha de indicadores, destaque para o payroll — o relatório de emprego dos Estados Unidos. Trata-se de um dado que influencia enormemente as decisões do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e que poderá dar um diagnóstico mais claro do atual estado do mercado de trabalho do país.

Mas, como esse número só será conhecido na sexta-feira, fique atento aos demais dados: cada um deles pode azedar o humor dos mercados e desencadear uma onda global de pessimismo.

O último da fila

A temporada de balanços referente ao quarto trimestre de 2019 ainda não terminou: as lanterninhas vão divulgar seus números na segunda e na terça-feira. E, entre as retardatárias, há uma que se destaca: a CVC, cujos dados serão revelados no dia 31, depois do fechamento do mercado.

Como todas as companhias, a CVC foi fortemente impactada pela crise do coronavírus. No entanto, a empresa já estava numa má fase gigantesca — o surto da doença, assim, foi apenas mais um (enorme) fator de estresse.

Desde o ano passado, a CVC tem lidado com a quebra da Avianca Brasil, a crise dos aviões MAX da Boeing — que afeta diretamente a Gol — e a forte desvalorização do real ante o dólar.

Os dois primeiros pontos mexem diretamente com a malha aérea e, consequentemente, mexem com a venda de pacotes turísticos; o terceiro diminui a busca por viagens internacionais. O coronavírus vai na mesma direção, provocando uma queda vertiginosa na demanda.

Como se todo esse cenário não fosse ruim o suficiente, a CVC ainda descobriu um erro contábil em seus balanços entre 2015 e 2019 — os equívocos podem chegar a cerca de R$ 250 milhões, ou 4% da receita líquida do período.

Assim, o balanço da CVC tornou-se um evento amplamente aguardado pelo mercado, com os investidores buscando mais informações sobre esse erro contábil e a respeito da visão estratégica da empresa para 2020, considerando a sequência turbulenta enfrentada desde o ano passado.

Na quarta-feira (1), às 14h30, é a vez de a companhia realizar sua teleconferência com analistas e investidores — e, aqui, há mais um ponto a ser observado de perto pelo mercado. Em meio ao furacão, a CVC trocou de diretor-presidente, colocando Leonel Andrade no comando.

Ex-CEO da Smiles, Andrade é um executivo respeitado pelo mercado — e, na quarta-feira, ele dará suas primeiras declarações como presidente da CVC. Assim, quaisquer sinalizações do novo comandante podem dar ânimo aos papéis da empresa, que acumulam perdas massivas desde 2019.

Olho no Brasil

No começo do texto, eu disse que a agenda econômica brasileira ficaria em segundo plano por trazer dados que, em sua maioria, são referentes ao mês de fevereiro. Isso, no entanto, não quer dizer que você deva ignorar completamente os números da economia doméstica.

Afinal, por mais que os indicadores locais sejam defasados, eles servem para dar uma ideia de como estava a economia do Brasil no pré-crise do coronavírus. E, se a fotografia indicar fraqueza antes mesmo do caos global, teremos uma enorme luz amarela se acendendo nos mercados.

Veja abaixo os principais dados domésticos a serem conhecidos nos próximos dias:

  • Segunda-feira (30): IGP-M de março
  • Terça-feira (31): Pnad contínua de fevereiro
  • Quarta-feira (1): Produção industrial de fevereiro

Assim, temos uma agenda bastante diversificada por aqui: há números de inflação, do mercado de trabalho e do setor industrial, o que permite a criação de uma fotografia bastante completa da atividade doméstica.

Afinal, por mais que todo mundo esteja tenso com o coronavírus e a economia global, também é preciso ficar atento ao estado das coisas por aqui — no fim, é o cenário doméstico que importa para a maior parte das empresas da bolsa brasileira.

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