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2020-03-02T18:40:39-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Viagem turbulenta

Bad trip: ações da CVC despencam mais de 10% com possíveis erros contábeis nos balanços

As ações ON da CVC (CVCB3) caíram mais de 10% nesta segunda-feira, em meio à descoberta de possíveis erros nos balanços da companhia desde 2015. Os papéis já acumulam perdas de quase 50% neste ano

2 de março de 2020
15:29 - atualizado às 18:40
CVC
Imagem: Divulgação

Apesar do bom humor visto no Ibovespa e nos mercados globais nesta segunda-feira (2), uma ação da bolsa brasileira continuou mergulhada no campo negativo: CVC ON (CVCB3), que seguiu em queda firme mesmo após despencar quase 30% na semana passada.

Os papéis da companhia do setor de turismo fecharam em forte baixa de 10,61%, a R$ 23,00. Com isso, as ações da CVC já acumulam perdas de 47,49% desde o início de 2020 — é, de longe, o pior desempenho entre todos os ativos que compõem o Ibovespa.

É claro que a disseminação do coronavírus pelo mundo cria um panorama bastante negativo para a empresa, já que, em meio ao surto global, há uma natural preocupação quanto a uma queda na demanda por viagens internacionais — e a disparada do dólar rumo aos R$ 4,50 é mais um fator de pressão para a companhia.

No entanto, o gatilho para a forte correção desta segunda-feira não é o coronavírus. O grande foco de preocupação do mercado é um possível erro contábil que afetou os balanços da CVC entre 2015 e 2019.

Em mensagem enviada pela própria companhia à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a operadora de turismo diz que o impacto potencial acumulado desses erros contábeis sobre a linha de receita líquida pode chegar a R$ 250 milhões — cerca de 4% da receita total apurada no período em questão.

Os problemas estão ligados à contabilização de provisões. A CVC, ao contratar serviços turísticos, faz uma provisão dos valores a serem pagos aos fornecedores. No entanto, essas cifras não necessariamente correspondem ao que, de fato, foi transferido aos prestadores — uma prática que pode ter gerado distorções nos balanços.

Segundo a CVC, eventuais ajustes a serem feitos não terão impactos sobre a geração e o saldo de caixa reportados nos balanços. Mas a simples menção de erros contábeis já foi suficiente para derrubar novamente as cotações das ações.

A companhia vem enfrentando, desde 2019, um longo fluxo de notícias negativas. A quebra da Avianca, a menor demanda por viagens ao Nordeste por causa do vazamento de óleo nas praias da região e o surto de coronavírus já trouxeram enorme pressão aos papéis. O erro contábil, assim, é mais um fator de risco associado à empresa.

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