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Jasmine Olga

Jasmine Olga

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

As queridinhas do mercado

Quais ações são boas pedidas em tempos de coronavírus? Veja as preferidas de 14 corretoras para março

Em um cenário onde o coronavírus domina as bolsas globais, é preciso entrar março preparado para lidar com a alta volatilidade. Confira o TOP 3 das principais corretoras

Jasmine Olga
Jasmine Olga
5 de março de 2020
6:00 - atualizado às 16:00
Selo Ação do mês
Selo Ação do mês - Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

A menos que você viva debaixo de uma pedra, já deve ter ouvido falar do novo coronavírus. A doença surgiu em Wuhan, na China, e chegou de mansinho, mas foi o responsável por uma grande transformação do cenário econômico global em fevereiro.

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As mais de 90 mil pessoas infectadas, fábricas fechadas, circulação de pessoas limitadas e uma infinidade de incertezas em torno do impacto dessa nova epidemia na economia global pautaram os noticiários e as rodas de conversa.

Também não foram raros os dias de perdas vertiginosas nas bolsas globais, mudando drasticamente o cenário que os analistas vinham projetando para 2020.

Então, não é a toa que quando fui conversar com as corretoras para descobrir quais eram as ações favoritas para o mês de março a palavra coronavírus tenha aparecido de forma constante.

Com a bolsa brasileira no vermelho, as 14 corretoras com quem conversei selecionaram as melhores opções que podem te ajudar a atravessar esse período de turbulência sem sofrer na mão do vírus que vem assustando todo mundo.

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Para começar, empatado em primeiro lugar com o Banco Itaú, está a Raia Drogasil, com três indicações cada. Em mais um mês de grande diversidade de indicações, Weg, Vale, Movida, Petrobras e Lojas Renner empataram com duas nomeções.

Leia Também

Confira o abaixo as três ações favoritas de cada corretora para o mês de março:

Antídoto

O coronavírus realmente pegou as bolsas globais de jeito, não há como negar. A movimentação do mercado financeiro está aí para provar. 

Mas, enquanto boa parte das empresas da bolsa brasileira apanham da aversão ao risco, algumas delas podem se beneficiar do momento. É o caso das ações do grupo Fleury e da Raia Drogasil, que, segundo a Mirae Asset, podem se beneficiar do avanço do COVID-19 (o novo coronavírus).

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Os papéis ordinários da Raia Drogasil foram os campeões de indicações no mês de março, com três menções dentre as 14 instituições consultadas. O surto de coronavírus, no entanto, não é o único fator que faz com que a rede de drogarias se destaque e figure entre as favoritas. 

Os resultados da empresa são expressivos e passam confiança. No quarto trimestre de 2019, a receita líquida da companhia foi de R$ 4,785 bilhões, um aumento de 19,7% com relação ao 4º trimestre de 2018. Já o lucro líquido ajustado foi de R$ 168,7 milhões, aumento de 9,3% ante ao quarto trimestre de 2018.

Segundo Pedro Galdi, da Mirae Asset, os números foram impulsionados pela melhora operacional da companhia e ficaram acima do esperado pelo mercado. A expectativa agora é de a Raia Drogasil continue apresentando crescimento de receita, margem e lucro para os próximos trimestres.

Além de uma gestão de excelência, a aquisição da Onofre também ajudou a dar um empurrãozinho nos resultados. Anunciada em fevereiro do ano passado, a compra da rede tem se mostrado um verdadeiro sucesso. Segundo Ilan Albertman, da Ativa Investimentos, a incorporação foi tão bem-sucedida que possibilitou o alcance do break-even já no primeiro mês de integração

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Outro ponto essencial da estratégia da Raia Drogasil é a sua expansão por meio de abertura de novas lojas. Ao fim de 2019, a Raia Drogasil tinha cerca de 2.073 lojas, incluindo as adquiridas da Onofre, e bateu sua meta de expansão que era de 240 novas lojas. 

Isso leva a empresa a ter uma boa fatia do mercado (market share), uma característica muito importante em uma indústria como a do varejo farmacêutico, marcada pela grande pulverização da concorrência. 

Para Albertman, a companhia tem feito movimentos interessantes para fidelizar clientes, com investimentos na sua estratégia digital e com com programas de fidelidade, como a Stix, parceria feita com o Grupo Pão de Açúcar. Além disso, o cenário de recuperação nacional, onde a inflação sobe mais que a renda disponível, a Ativa acredita que  esse setor do varejo, não discricionário - onde o consumidor não tem total liberdade na escolha dos produtos, deve continuar tendo desempenho superior ao do varejo discricionário.

A Modalmais também é uma das corretoras que mantém a recomendação de compra. A posição se mantém pelo posicionamento da Raia Drogasil no ramo de atuação que está inserido e a forma como consegue se destacar frente ao momento macroeconômico do país. Além disso, a empresa mantém  indicadores de mercado, como preço lucro, preço valor patrimonial, dividend yield e etc.

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Descontaço

A briga com as fintechs e o aumento da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) de 15% para 20% tem feito as ações do setor bancário apanharem em 2020.

Nesse cenário, o comentário é quase unânime entre as corretoras que indicaram as ações do banco Itaú (ITUB4) para o mês de março: a ação está barata e é hora de embarcar nessa.

Enrico Cozzolino, analista de investimentos do banco Daycoval acredita que o papel é versátil e pode se beneficiar em dois cenários distintos, seja ele a volta do fluxo de investimentos após a calmaria do coronavírus ou como ativo resiliente caso haja um agravamento da crise.

O bancão teve um resultado acima do esperado em 2019, lucrando R$ 28,363 bilhões, uma alta de 10,2%. Só a abertura de capital da XP Investimentos foi responsável por injetar quase R$ 2 bilhões nos cofres do Itaú.

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Em busca de proteção...

Se você acompanha a evolução das ações favoritas das corretoras, sabe que não é de hoje que elas vêm apostando na diversificação e raramente concordam de forma unânime sobre as grandes favoritas.

E em um cenário turbulento como o apresentado pelo coronavírus, proteção deve ser a palavra principal do seu vocabulário. Uma carteira balanceada é o segredo para se dar bem em qualquer cenário.

Neste mês, 5 empresas empataram com duas indicações cada, refletindo mais uma vez o momento em que a bolsa brasileira se encontra. Confira as principais características das favoritas.

Vale

Depois do desastre de Brumadinho, que completou um ano em janeiro, a mineradora Vale vem tentando reconstruir a sua imagem e o seu elevado nível de produção.

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Para Henrique Esteter, analista da Guide, a empresa apresenta forte geração de caixa, o preço do minério segue elevado e os investidores têm um momento favorável pela frente. "Acreditamos que a mineradora atingiu um nível de preço muito descontado aos seus principais pares. Apesar da elevação das provisões de Brumadinho e os riscos de menor crescimento global por conta do coronavírus, os patamares atuais de preço estão muito atrativos".

Weg

No ano passado, a Weg (WEGE3) viu as suas ações valorizarem quase 100% na bolsa e isso não parece ter sido tudo já que em 2020 a empresa já apresenta um crescimento de mais de 40%. Para a Guide, é só o começo. Com um mix de produtos diversificados, a marca vem ganhando reconhecimento. A Weg possui grande potencial na área de geração de energia solar e outras fontes de energia renovável.

Já para a Genial Investimentos, a empresa aparece como uma opção conservadora em um momento de forte volatidade.

Movida

A Necton vê o setor de aluguel de veículos em grande destaque no cenário nacional. A Movida, sendo uma empresa que vem apresentando recuperação de valor desde o seu IPO e uma melhora na curva de aprendizado, se destaca.

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"Acreditamos que nesse ano a Movida deva continuar a expansão da frota via mercado de dívida para capturar o crescimento do rent a car e da gestão e terceirização de frotas, com crescimento acelerado da sua receita e manutenção de margens operacionais sólidas de rentabilidade".

Petrobras

A estatal costuma estar sempre nas primeiras posições dentre as empresas indicadas e dessa vez não foi diferente.

Com bons resultados no quarto trimestre de 2019, a empresa deve continuar perseguindo uma forte agenda de desinvestimentos em 2020.

O cenário internacional, com tensões que mexem com a produção e valor do barril de petróleo, tem influenciado fortemente o desempenho da estatal neste início de 2020. Para a Toro Investimentos, o desconto está grande, o que é uma oportunidade para o investidor. Ela é outra das empresas da lista que se comportam como uma peça importante em um momento que pede por proteção.

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Para a Toro, 'sua posição entre as maiores produtoras de petróleo do mundo lhe dá um diferencial estratégico em momentos de turbulência global no setor'.

Lojas Renner

A expectativa para a recuperação da economia brasileira mantém as Lojas Renner entre as queridinhas do mercado. A Necton é uma das duas intituições que preferiu manter o papel em sua carteira. Para os analistas da casa, a maior varejista de moda do país e líder do setor conta com uma sólida posição financeira.

Além disso, a empresa também mantém um retorno atrativo e resiliência operacional. Para 2020, a companhia deve continuar investindo fortemente no desenvolvimento do seu e-commerce e abertura de novas lojas.

Retrospectiva

Fevereiro definitivamente não foi dos melhores para o Ibovespa. Na realidade, foi o pior mês para o índice desde maio de 2008. A enorme aversão ao risco, puxada pela crise em torno do coronavírus, fez os investidores sofrerem e o Ibovespa fechar o mês com queda de 8,73%. Confira como foi o desempenho das ações indicadas no mês passado.

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