B3 vai mudar índice de sustentabilidade
Criado há 15 anos, ISE terá metodologia reformulada em meio a crescente interesse por boas práticas ambientais

Em meio ao crescente interesse de investidores por companhias que adotem boas práticas ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês), a B3 trabalha na revisão da metodologia do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), que completa 15 anos. A ideia é que, já em 2021, o questionário encaminhado às empresas durante o processo de seleção do indicador passe a ter um foco setorial.
O questionário aplicado hoje faz uma fotografia das práticas de gestão da companhia em sete dimensões: ambiental, econômico-financeira, geral, governança corporativa, social, mudança do clima e natureza do produto.
A reforma terá como referência o modelo usado pela suíça SAMCorporate Sustainability Assessment. Com a mudança, a Bolsa pretende aumentar a atratividade do índice para investidores e companhias, fortalecer o portfólio de produtos e abrir novas frentes de negócios ESG da B3.
A carteira atual do ISE, em vigor até 1.º de janeiro de 2021, reúne 36 ações de 30 companhias, com valor de mercado de R$ 1,64 trilhão e 15 setores representados. São convidadas apenas empresas detentoras das 200 ações com maior liquidez na Bolsa.
Em apresentação do projeto a analistas no mês passado, Gleici Donini, superintendente de sustentabilidade da B3, disse que a Bolsa poderia avançar no processo de revisão do índice para que ele possa ficar alinhado à demanda dos investidores e a uma linguagem de mercado.
Transparência
Do ponto de vista do investidor, a meta é dar transparência à metodologia e apresentar métricas. Na apresentação, Aron Belinky, da ABC Associados, que dá apoio técnico à B3, disse que a reforma inclui produzir informações mais precisas sobre a carteira do ISE e as empresas que a compõem.
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Neste contexto, dados que hoje ficam restritos à B3, ao Conselho Deliberativo do ISE e às empresas da carteira passarão a ser compartilhadas com o mercado. É o caso do mapa de riscos ESG, indicadores setoriais e do desempenho das empresas.
Já do lado das empresas, a intenção é ter um questionário simplificado, capturar informação pública e dar um retorno mais complexo e focalizado das práticas em determinados setores. "Hoje o mesmo rol de perguntas é usado para empresas de diferentes setores", disse Gleici, na apresentação a analistas. Procurada pelo Estadão/Broadcast, a B3 preferiu não dar entrevista.
Vale excluída do ISE
No ano passado, as ações da Vale foram excluídas do ISE por causa do rompimento da barragem de Brumadinho. Já a Braskem, que possui passivos ambientais em Alagoas e é uma das patrocinadoras do índice, faz parte do ISE desde sua criação. Além da petroquímica, empresas como BR Distribuidora, Copel, Klabin, MRV e os bancos Santander, Itaú e Bradesco financiam a renovação do indicador.
Na apresentação de 22 de julho, Gleici falou também sobre a reformulação do Índice de Carbono Eficiente (ICO2), que passa a ser composto por ações das companhias participantes do IBrX-100 com inventário de gases do efeito estufa, em lugar do IBrX-50ISE.
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